Review: você deveria estar jogando Firewatch!

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Firewatch é o game indie de estréia da produtora americana Campo Santo. Ele foi lançado no último dia 9 para Play Station 4 e para PC pela Steam. Para resumir bem, eu colocaria Firewatch naquele grupo de jogos feitos para serem lindos com um roteiro extremamente cativante e intimista, e o mais interessante é que a narrativa sucinta e o desfecho da história, em pouco tempo, deram brechas para que os jogadores criassem diversas teorias explicando os segredos camuflados de forma bastante sutil em diálogos e detalhes do jogo. Então, se você curte cenários bonitos, histórias simples e teorias da conspiração, Firewatch foi feito para você.

Vamos ao trailer:

No início do jogo conhecemos Henry, um homem com seus quarenta e poucos anos que acaba de levar um knockout da vida. Durante os primeiros minutos descobrimos o essencial sobre ele, numa espécie de storyteling em que o jogador pode fazer escolhas relacionadas a sua história, mas que não vão alterar o seu desfecho. Trata-se apenas de uma forma um pouco mais dinâmica de colocar o jogador no clima, e realmente tomar as dores do personagem. Henry, então, desolado, encontra um anúncio de emprego em um jornal, como vigia contra incêndios em um parque florestal no estado de Wyoming nos Estados Unidos. É um trabalho solitário, e ele aceita como uma forma de escapar da realidade cruel que o atingiu em cheio.

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Chegando ao parque conhecemos a chefe, Delilah, também com seus quarenta anos, e com a qual nos comunicamos apenas através de um walk-talk. A paisagem é magnífica, o trabalho não parece difícil e Delilah tem um excelente senso de humor. O universo conspira para que os próximos meses passem em relativa calma e tranquilidade…

Só que não.

Nos primeiros dias coisas estranhas acontecem, e em pouco tempo os eventos passam de estranhos a super bizarros, considerando que estamos em uma reserva florestal onde não há muito mais que árvores e montanhas ao redor. Ou não deveria haver…

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A mecânica de Firewatch é bem simples as ações são bastante limitadas, jogamos em primeira pessoa, em um estilo que me lembrou bastante Surgeon Simulator, achei bem engraçado, inclusive, ver um homem adulto atirando objetos aleatórios no chão, apesar de que Henry, assim como Delilah, tem um senso de humor peculiar, então até faz sentido. Aliás, podemos construir uma personalidade para ele e estabelecer um nível de intimidade com Delilah através dos diálogos. Já vou deixar claro aqui, a Delilah é sensacional, e é uma personagem que nem sequer aparece no jogo inteiro, de cara coloco ela na lista de personagens femininas super bem construídas, e em posição de poder. Se quiser saber mais, leia aqui no blog o que roteiristas que entendem bastante do assunto disseram sobre escrever para personagens femininas em jogos.

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À medida que a história se desenrola somos levados a explorar o parque e seus segredos a fundo, existem mensagens e bilhetes espalhados em todas as áreas, bem como uma quantidade suspeita de livros (existem teorias para eles também). Invasores misteriosos aparecem em nosso caminho, e objetos aleatórios que não servem para absolutamente nada também, mas eles vão ao menos fazer você puxar assunto com Delilah, o que é mais legal ainda, ela sempre tem algo interessante a dizer! Tudo isso vai emoldurar uma grande conspiração, criando uma certa tensão entre os dois personagens em determinado ponto. A questão fica, será que podemos mesmo confiar em Delilah? Isso tudo que está acontecendo é mesmo uma conspiração, ou não passa de um mal entendido? Descubra no próximo episódio…

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Wallpapers prontos :P

 

Conclusão

Firewatch é bastante breve, com uma média de 4 a 6 horas de jogo, talvez um pouco mais se explorarmos bem o mapa, o que decepcionou muita gente, e rolou até discussão a respeito de reembolso. O blog Polygon publicou uma matéria interessante sobre por que não seria nada legal aproveitar da política de reembolso da Steam em casos como este. É bom, portanto, estar ciente de que Firewatch é um jogo bastante particular, que requer uma certa paciência e disposição do jogador para interagir com os personagens, com a história, e achar tudo isso legal pra caramba. A ação é praticamente inexistente, então se é o que você está procurando, eu desaconselho Firewatch totalmente, guarde o seu dinheiro! Mas se o que você quer mesmo é escapar de tudo, e passar algumas horas na companhia de dois desconhecidos com personalidades brilhantes e histórias cruelmente reais, investigando mistérios no meio de uma floresta, vá em frente!

Para finalizar, a trilha sonora também é maravilhosa!

Quem escreve? Jaque

Estudante de design e ilustração, é levemente viciada em café e possui residência fixa no reino de Hyrule. Amante de ficção fantástica e MMORPG, vez e outra se encontra escrevendo parágrafos aleatórios na esperança de que algum dia tudo faça sentido, tenha capa ilustrada e complete uma trilogia sobre elfos, anões e dragões.