Fernando Mendonça, criador de ‘Super Drags’, fala sobre a série e a importância da diversidade

Super Drags cover

Se prepare porque a entrevista é babadeira!

Super Drags é a primeira animação brasileira da Netflix e foi criada por Anderson Mahanski, Fernando Mendonça e Paulo Lescaut do Combo Estúdio. Falamos com o ilustrador e dublador Fernando Mendonça. Ele já é um velho conhecido aqui do Garotas Geeks e você pode conferir outras entrevistas com ele sobre dublagem (inclusive nos games) aqui e aqui.

Imagem: Fernando Mendonça

Imagem: Fernando Mendonça

Garotas Geeks: Como surgiu a ideia de fazer Super Drags e a criação das personagens?
Fernando Mendonça: A ideia surgiu num papo de metrô entre Anderson e eu. Eu comecei a fazer as vozes, rimos alto e logo surgiu a ideia: super heroínas Drags, Super Drags! Entramos em contato com o Paulo e começamos a desenvolver tudo. Uma semana depois estávamos com o projeto na mão com esboços dos personagens e tudo.
GG: O que podemos esperar em termos de história?
FM: A história se passa no cotidiano banal da loja de departamentos Wanustore, onde três pocs Ralph, Patrick e Donizete são convocadas pra salvar a comunidade LGBTQ+ das garras de Lady Elza, vilã que deseja chupar todo Highlight, energia vital das gays para se tornar bonita, poderosa e “apertadinha” para sempre.
GG: Quais seriam as maiores influências para esse trabalho?
FM: Você pega desenhos de herói, super sentais, closes de redes sociais e claro, o ingrediente principal “histórias bizarras da nossa vida pessoal”, mistura tudo no liquidificador e voilà! Temos as Super Drags!
A série é super autobiográfica. Fizemos uma espécie de sessão de terapia nas salas de roteiro o que foi maravilhoso, pois ali aprendemos a abraçar nossos defeitos e rir de nós mesmos.
GG: O que dizer para os críticos que acreditam que não deveria haver animações assim?
FM: Acho que havia muito desconhecimento sobre qual era a audiência para o show. A animação adulta ainda é um produto pouquíssimo explorado no Brasil e é comum que haja a preocupação de pais sobre crianças sendo expostas a conteúdos destinados a adultos – o que não era o caso de Super Drags. A outra parte, que é o preconceito, a gente deixa de lado para as Super Drags combaterem!
Super Drags/ Imagem: Divulgação

Super Drags/ Imagem: Divulgação

GG: Qual a importância da diversidade e representatividade em uma animação como Super Drags? E por que ela é voltada para o público adulto?
FM: Diversidade é uma grande preocupação nossa – dentro e fora da animação. Nessa primeira temporada trazemos três protagonistas gays com super poderes e um universo divertidíssimo totalmente baseado na própria comunidade LGBTQ+, sem máscaras, para podermos tocar através do humor autocrítico e ácido em assuntos nunca antes explorados. Isso tudo é único e inédito no entretenimento! Mas ainda temos muitos outros personagens para revelar e histórias para contar. Além disso, nossa equipe fabulosa, vem de várias partes do Brasil, com diferentes visões, experiências de vida e orientações. Cada dia que passa ganhamos mais letras na sigla LGBTQ+, o que mostra que muita gente quer e precisa ser representada. Sabemos que é uma tarefa importante e desafiadora, mas vamos fazer nosso melhor para que todos que assistam e se divirtam.
GG: Como foi trabalhar com ícones como Pabllo Vittar, Silvetty Montilla e Suzy Brasil?  
Uma delícia!  Suzy Brasil é uma das mais renomadas drags humoristas, uma verdadeira consultora fluente no pajubá, ela é engraçada 24h por dia o que torna todo o processo delicioso.
Silvetty Montilla é pioneira no humor Drag, mais conhecida na noite do que champanhe, e Vedete Champagne foi totalmente inspirada nela. Silvetty no início tava insegura, nunca tinha feito voz original, mas quando percebeu que a personagem se tratava dela mesma em forma animada, se soltou e arrasou com seus closes e suas joias.
Pabllo Vittar me surpreendeu muito. Pense numa pessoa talentosa! Quando percebi que por trás da cantora (que inclusive assinou a trilha sonora babadeira da série) tinha uma atriz cheia de truques e sutilezas, eu e ela nos jogamos e a Goldiva nasceu ali no estúdio, finíssima com 300 milhões de cópias já vendidas e um secto de goldivers espalhado no mundo todo. No fim viramos todos amigos. Não me deixam pagar pra ir no show delas. Inclusive, adoro!
E você já fez a sua maratona? A primeira temporada de Super Drags já está disponível na Netflix.

Quem escreve? Rany

Graduada em Jornalismo e Jogos Digitais e pós-graduada em Mídia Digitais. Fã incondicional de As Crônicas de Gelo e Fogo, Tolkien, Fables, Tarantino, Miyazaki, Okami, Dragon Age e Mass Effect. Divido meu tempo livre com os meus vícios em séries de tv, filmes, livros e games.