Depois do review anterior pesadão do brutal Hotline Miami, que tal relaxar e jogar um game um pouco mais casual, com um clima leve e apaixonante? Deemo é um jogo de ritmo de piano desenvolvido por Rayark Games, estúdio de Taiwan especializado em tapping games como Mandora e Cytus, que vai por em teste suas habilidades.

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Conheci ele muito aleatoriamente enquanto assistia ao APP All Knight #20 do VSauce3 (para quem não conhece recomendo demais o canal) e a arte já me conquistou de cara. E sabe do melhor? É grátis – até certo ponto. Deemo é o nome da criatura alta, esbelta, que toca piano. Usa um terno (Suit up!) e gravata borboleta, típico de músicos profissionais dessa área, e possui uma aura sublime, etérea, passando uma sensação reconfortante.

http://www.youtube.com/watch?v=0oTNGhMroiM

O game pode ser pensado como um Guitar Hero de piano: a jogabilidade é muito semelhante, porém o que diferencia bruscamente é o foco na história e arte muito mais sensíveis. Não é mais aquilo de “quero me tornar o astro do rock/o melhor DJ do mundo/etc”, aqui você irá acompanhar a relação de dois seres de raças diferentes que se ajudam e constroem uma amizade contada nas melodias tocadas.
Viciei tanto que acabei virando na mesma noite sem dormir. Não conseguia largar nos primeiros dias – era no ônibus, antes de dormir, falando no telefone (WAIT) e fiquei naquela constante de “só mais uma musica” que apenas os bons jogos conseguem deixar.

Obs: Aqui foi analisada a versão de Deemo para Android, jogada em um Samsung Galaxy S3.
Deemo depende de um aparelho touch screen com sistema Android ou iOS instalado para jogar.

História e personagens

Deemo – a entidade esbelta e mística com gravata borboleta que lembra vagamente o Slender (vish) – vive muito solitário, tocando seu piano em um castelo apenas com a companhia de uma mulher mascarada que pouco fala. Tudo muda no momento em que uma pequena garota entra em sua vida: a menininha desconhecida cai de uma janela do céu para o mundo de Deemo, que a salva da queda e dá inicio a uma história de amizade muito especial e tocante.
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A pequena garota curiosa que caiu não tem nome, nem ao menos consegue se lembrar direito dos fatos que a levaram ao local. Em fóruns do game, citam ela como “Ana”, mas não foi confirmada sua verdadeira identidade. A partir da amizade dos dois, representada nas músicas tocadas no piano, começa a nascer uma planta em uma rachadura no hall, alimentada pelos sons e envolvendo o instrumento na medida em que cresce. É a chance da garotinha voltar pela janela para casa pela qual caiu, e o papel do player aqui é jogar muito para contabilizar metros na altura da arvore fazer ela aumentar, ajudando assim a criança a ficar mais perto de seu objetivo.

É possível alternar entre três cenários fora da seleção de músicas: o hall, biblioteca e sótão. Neles há pequenas interações permitidas com objetos e personagens que geram diálogos, revelando um pouco da história e personalidade deles.

“Spoiler não spoiler” (pode ser visto logo nas primeiras partes do jogo)

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Há boatos de que a história na verdade é uma analogia para uma menina que está em coma no hospital, Deemo seria o medico e a mulher mascarada a enfermeira. Essas deduções podem ser tiradas em detalhes muito sutis, mostrados em imagens das canções, letras ou nos os números aleatórios apresentados no sótão e na biblioteca.

Esses números (jogados no Google Maps) representam coordenadas para um local muito próximo ao Hospital Universitário Nacional de Taiwan. Até mesmo a frase “Never left without saying goodbye” (“nunca partiu sem dizer adeus”) que aparece no trailer faria bastante sentido nessa versão.

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Terminei o game sem nem cogitar essa interpretação, então exige uma pesquisa a fundo para tirar essas conclusões – começar já tendo isso em mente acredito que torne o jogo ainda mais interessante.

Jogabilidade

O vídeo acima (apesar de, na minha opinião, ser uma das canções mais chatinhas) apresenta bem a jogabilidade de Deemo: basicamente é preciso tocar nas teclas em cinza ou deslizar nas notas douradas quando alcançarem a linha preta no inferior da tela. São três níveis de dificuldade disponíveis (Easy, Normal e Hard) e um ótimo ponto é que é possível mudar a velocidade com que as notas passam (sem precisar de nenhuma senha mirabolante para isso) ao início de cada música.

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Se você curte já começar no modo mais difícil, é altamente recomendável já ir se acostumando numa velocidade 4-5 – no mínimo – desde o começo, pois quanto mais você for avançando, as músicas finais ficam quase impossíveis de enxergar em um speed muito baixo (as notas ficam muito próximas) e a troca no meio do jogo pode ser confusa e gerar um mindfuck desgranido (experiência própria).

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O sistema de calibragem é bem útil e preciso. Vale a pena dedicar um tempinho antes de qualquer coisa para ajeitar as configurações e aproveitar o game sem nenhum estresse futuro. Não há grandes punições para falhas, você não recomeça do inicio se errar muito nem nada, apenas sua pontuação será menor e demorará mais para fazer a árvore crescer.

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O jogo considera o combo e a precisão (“charming”) do toque como parâmetros de “pontuação” apresentada através da porcentagem de conclusão da música, e você pode comparar seus recordes com outros amigos ou com pessoas ao redor do mundo na biblioteca em rankings.

Esse é máximo que cheguei de 100% no Hard em uma das minhas músicas preferidas <3
Esse é máximo que cheguei de 100% no Hard em uma das minhas músicas preferidas <3

Arte

Como comentei antes, o que me chamou atenção direto em Deemo foi a arte muito³ fofa e apaixonante com pinceladas marcadas e expressivas. As cores e a música criam uma linguagem própria para os protagonistas, sem precisar de falas para demonstrar o sentimento dos personagens, desempenhando papel essencial na ambientação. Tudo no mundo era cinza e frio, mas com a chegada da garotinha cores invadem o local, e as músicas que antes eram mais dramáticas tornam-se animadas, acrescentando também o vocal feminino às composições.

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Apesar de passar a impressão de que Deemo é um ser do sexo masculino, é ótima a jogada de colocá-lo como uma criatura indefinida ao invés de uma ser humano como a garotinha. Provavelmente a amizade dos dois poderia ser mal interpretada se fosse diferente. Além disso, torna-se ainda mais especial pensar que o simples gesto recíproco de ajuda seja entre seres diferentes, transpondo barreiras entre sexo/raça/nacionalidade e qualquer outra coisa.

Trilha Sonora

A música é o elemento mais importante aqui, não apenas por ser um jogo de ritmo, mas também por representar os sentimentos e humor dos personagens junto com as ilustrações – Deemo não fala, portanto a comunicação dele é expressada com sons. A trilha é incrivelmente diversificada e boa – sou meio suspeita para falar disso, pois amo músicas em piano, mas mesmo os não tão chegados podem se divertir com outros gêneros. Há para todos os gostos, desde as mais clássicas até jazz, pop, rock e eletrônica. É uma ótima playlist para ficar ouvindo (e dançando UHUL) a qualquer hora, e mesmo quem não jogou pode curtir igual.

Pôster do evento
Pôster do evento

Por conta de seus jogos musicais ótimos, o estúdio Rayark fez em 2013 um concerto especialmente para os fãs em Taiwan, na qual tocaram as melhores e mais pedidas músicas de seus games Cytus, Mandora e Deemo, além de venderem algumas coisas maneiras de colecionador. A próxima apresentação está marcada para 27 de setembro de 2014, então caso você esteja por lá na época, ‘bora aproveitar pelos pobres mortais que moram quase do outro lado do planeta!

A edição de 2013 contou com uma das cantoras fantasiada da garotinha de Deemo
A edição de 2013 contou com uma das cantoras fantasiada da garotinha de Deemo

Pontos negativos

O game não tem grande pontos negativos (muito pelo contrário!), porém como é meu papel citar até mesmo pequenos defeitos, separei algumas besteirinhas que me incomodaram enquanto jogava. Começando pela ordem de dificuldade das músicas que é um pouco desnivelada. A primeira música não é a mais fácil do jogo, e no hard então em se fala – é mais difícil de fazer 100% do que muitas outras da frente. Mesmo assim acredito que poderia existir um modo mais difícil para incluir muitas notas que foram cortadas – nesse quesito até entendo terem tirado algumas, pois nossos dedos não aguentariam (somente os asiáticos), mas foram excluídas notas demais em certas músicas, quase “solos” inteiros.

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Além disso, o jogo era para ser de ritmo para piano – note que o Deemo fica lá sentado na árvore tocando – porém em algumas vezes nos “DLCs” quem dita o ritmo é o baixo ou outro instrumento. É meio chato investir em novos álbuns para jogar “Hey Boy” e “Moon Without Stars” com pouquíssimas partes em piano. Não estou criticando o estilo, cada um tem seu gosto e respeito isso, mas com tão poucas notas nem tem graça, baralho! Não faz o menor sentido de estarem ali – a menos que Deemo tenha arranjado uma guitarra para tocar o resto, o que acho pouco provável #indignation

Uma mudança um pouco chatinha para quem conhecia o game antes é sobre a nova atualização: dividiram os DLC em livros, e se quiser escolher alguma trilha contida neles, é preciso voltar para o hall e só assim entrar na seleção novamente. É um detalhe pequeno, mas desperdiça tempo em loadings que não precisavam estar ali (e que não estavam anteriormente).

Conclusão

Ok, agora que chegamos até aqui, nada mais justo do que deixar vocês com uma das músicas mais foderásticas do jogo sendo jogada por algum viciado fazendo full combo (e quase all charming também).

http://www.youtube.com/watch?v=vC9GFIgYgZ4

Até o momento o jogo conta com 5 livros: Book 1 (25 músicas), Book 2 (6), Book 3 (5), Book 4 (5) Book 5 (5), totalizando 46 músicas. Lançam atualizações com novas canções gratuitas para quem comprou o primeiro pacote básico.

O livro 1 é G-R-A-T-I-S, apesar disso é uma boa pagar para não precisar esperar 1 minuto toda vez que quiser jogar a quinta música (Nine Point Eight”) em diante. O jogo em si é mais barato que os DLC’s (4 packs que custam U$ 3,99 cada – antes de comprar você pode ver o preview de quais músicas vem junto). Foi lançado em novembro de 2013 para iOS – App Store e posteriormente em dezembro para Android – Google Play. Como seu antecessor Cytus saiu para o PS Vita, esperamos ansiosamente o mesmo de Deemo. Novidades de atualizações podem ser acompanhadas também pela página do Facebook.

Baixa lá no seu celular ou tablet para testar (FREE!) e vir compartilhar aqui o que achou! 😀

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