Os “Índios Brasileiros” – ou um pouco sobre os Indie Game Developers da terrinha!

Knights of Pen and Paper

E aí galera! Meu nome é Camilla Slotfeldt, sou uma nova colaboradora aqui no blog e eu sou uma das fundadoras e artista da BitCake Studio, uma empresa de jogos do Rio de Janeiro! Atualmente, estamos perdidos na Estônia, país do ladinho da Finlândia, terra do Angry Birds, Clash of Clans e Trine, aprimorando nossos conhecimentos sobre a indústria de games!

Vim aqui para falar um pouco do que tem sido feito no Brasil em termos de desenvolvimento de jogos e, mais especificamente, jogos independentes! Ou seja, mandar um overview dos – carinhosamente apelidados – “índios” brasileiros, os galantes desenvolvedores que se dispõem a fazer joguinhos na terra sem-ainda-muito-reconhecimento que é o Brasil!


Mas, rapidinho, o que é um jogo indie, e um indie game dev?

Braid - um dos jogos indies mais cult e aclamados por aí!

A maioria já deve saber, mas um desenvolvedor independente é um que vem de um time pequeno, e normalmente não conta com uma grande empresa por trás, que dá aquela força ($$$$) para divulgar o jogo. Essa distinção começou de maneira super simples: inicialmente as empresas desenvolvedoras de jogos precisavam de intermediários entre elas e os consoles ou distribuidores físicos (de CDs. DVDs, etc), especialmente quando ainda não havia distribuição digital (tipo assim, antes da internet ser o que é hoje!).

Meme Publisher

Esses intermediários, as “publishers”, agiam como “Gatekeepers” (guardiões dos portais), e escolhiam aqueles que deveriam passar e aparecer para o público ou não. Mas, com a mudança dos tempos, lançar seu jogo foi ficando mais fácil, e os produtores “independentes” começaram a aparecer: eles são os desenvolvedores que lançam seus jogos no mercado sem a ajuda de publishers, fazem tudo por si mesmos, na marra.

Jogos indies cresceram muito, hoje em dia todo mundo fala e conhece sobre eles, mas ao mesmo tempo a linha entre indie e não-indie ficou beeeem turva. Hoje em dia existem muitas publishers pequenas que fazem contratos com estúdios indies, e nem por isso eles deixam de ser chamados da mesma maneira. A relação ficou bem diferente, mas indie ainda é o desenvolvedor que começou tudo por conta própria e produz seu jogo independente, sem depender da aprovação de alguma outra empresa maior, mesmo que alguma outra parte o ajude no marketing/distribuição depois.

Alguns exemplos? Bastion (e o novo Transistor), Trine, Limbo, Ridiculous Fishing, Super Meat Boy, FEZ, Braid… e tantos outros!


Mas e no Brasil? Cadê essa galera?

(não, não, aqui não é só HU3 HU3 BR)

A indústria no Brasil evoluiu MUITO nos últimos anos! Hoje em dia dá para citar uma série de estúdios fazendo projetos iradíssimos por aqui. O Brasil está ganhando até o seu próprio steam para jogos indies, como o SplitPlay, por exemplo.

Só para ilustrar a diferença dos últimos anos, dá para contar a minha experiência frequentando a SBGames, o simpósio nacional de games, que acontece uma vez por ano, cada vez em uma capital diferente do Brasil. Em 2009, o evento aconteceu no Rio de Janeiro, na PUC-Rio (onde eu me formei) e eu participei ajudando um pouquinho na organização. A amostra de games foi bem pequena e não me lembro de ter visto nenhum produto que estivesse sendo comercializado no mercado de verdade. Na época, o evento mostrava mais produtos feitos por estudantes, afinal, era principalmente acadêmico também.

No ano passado, em 2013, eu fui de novo na SBGames, em São Paulo e… nossa, QUE DIFERENÇA! Na amostra de games foram apresentados jogos que já tinham sido reconhecidos não só no Brasil, mas internacionalmente! Tinha o Dungeonland, da antiga Critical Studio, o graficamente fantááástico Ballistic da Aquiris, e até Rogue Legacy, um jogo indie que teve um brasileiro, Glauber Kotaki, fazendo toda a pixel art. Nem dava para acreditar que era o mesmo evento.

(Rogue Legacy, da Cellar Door games, que contou com a participação de um artista brasileiro para fazer toda essa pixel art!)

Bom, tendo dito isso, aí vão alguns estúdios que alguns de vocês já devem conhecer e valem a pena ser citados:

1) Behold Studios

Knights of Pen and Paper

Autores do famoso Knights of Pen & Paper, e agora desenvolvendo o muito esperado Chroma Squad, que foi um sucesso no Kickstarter! O jogo vai ser um manager de super sentai, e já está confirmado para o Steam e PS4. Vale a pena conferir o trailer: foi feito para parecer realmente uma série japonesa , legendada por fãs!

2) MiniBoss

Out There Somewhere

Esse pessoal é fera, fez Out There Somewhere, um jogo plataforma que foi aprovado no Greenlight e está disponível no Steam! Além disso, os artistas do estúdio trabalharam na arte do TowerFall, um jogo indie louquíssimo de até 4 pessoas co-op ou PVP. Diga-se de passagem, é MARAVILHOSO! Começou no Ouya e está agora no PS4 e no Steam tambem. É viciante, acaba com a produtividade de qualquer estúdio!

TowerFall

3) SwordTales

Toren Game

Se você está ligado na cena indie no Brasil, provavelmente já ouviu falar do Toren! O jogo, ainda em desenvolvimento, já ganhou prêmios e foi um dos primeiros jogos a poder receber investimento pela lei Rouanet! Um grande marco pra nossa indústria 🙂

4) JoyMasher

Odallus

Autores do Oniken e do Odallus, dois jogos retrô hardcore, feitos à memória de jogos clássicos do Nintendinho. O Oniken entrou no Steam através do Greenlight, e o Odallus está agora em desenvolvimento, depois de uma campanha de crowd-funding bem-sucedida no IndieGogo! Bem maneiro para quem gosta de jogos 2D estilo retrô, clima dark e gameplay hardcore old-school!

E esse é só o começo!

…E também tem o pessoal do jogo Distorções, da Pocket Trap, da Firehorse… Entre vários outros! Fora isso, a cena de desenvolvimento indie no Brasil tem estado bem aquecida. Em São Paulo, o SPIN organiza várias Game Jams (eventos em que as pessoas se juntam em grupos e tem que produzir um jogo num período super curto de tempo, tipo 72 horas) e o pessoal lá é bem ativo. Ano passado a Super BR Jam ajudou um monte de crianças com o dinheiro arrecadado com a venda dos jogos feitos por estúdios na Jam, foi tudo para caridade.

Bom, esses são só alguns exemplos, e só o começo para a gente! O Brasil já é um dos maiores do mundo em consumo de games, falta acompanhar na produção também! Um dia a gente chega lá. E aí, o que você acha?

Quem escreve? Camilla

Co-fundadora, artista 2D e designer do estúdio de games independente BitCake Studio! É apaixonada por internet, novas tecnologias e por fuxicar produtos digitais de todo tipo online. Quando não está trabalhando no jogo do estúdio, Project Tilt, tem que tomar cuidado para não se re-viciar em Pokémon!