O caminho para a visibilidade e representatividade só começou.

As coisas não são iguais entre homens e mulheres em Hollywood, mas ao menos elas estão mudando. De acordo com o último estudo anual “Boxed In” do Centro de Estudos da Mulher na Televisão e Cinema, publicado no início do mês na Universidade de San Diego, mulheres estão conseguindo adentrar no mercado, tanto como atrizes quanto como produtoras e profissionais atrás das câmeras. Mas ainda há um longo caminho pela frente. O estudo, que foi divulgado pelo 22o ano consecutivo, analisou a quantidade de mulheres tanto nas telas quanto na equipe por trás das câmeras, nos serviços de transmissão, cabo e filmagens. Alguns dos resultados são promissores, mas alguns deles tristemente previsíveis.

Em termo de personagens principais, as mulheres ocuparam 45% dos papéis na televisão, com pequena variação entre transmissão ao vivo, cabo e streaming. Apesar de não ser exatamente uma divisão paritária, é uma alta em comparação ao ano anterior, em que esse percentual era de 40%, e a tendência é de uma aproximação ainda maior.

A forma como essas mulheres são representadas, porém, é problemática, com muito mais mulheres ocupando papéis domésticos ou de parceiras, e um número muito menor de mulheres tendo seu trabalho identificável do que dos homens. Personagens femininas também tendem a ser muito mais jovens do que os masculinos.

O recorte das personagens femininas nas telinhas se manteve distorcido e com uma tremenda sub-representação de certos grupos. De acordo com o estudo:

“70% das personagens femininas eram Brancas (uma alta de três pontos em comparação com os 67% de 2017-2018), 17% eram Negras (queda de dois pontos em comparação aos 19% em 2017-2018), 7% eram Asiáticas (alta de um ponto em comparação aos 6% em 2017-2018), 6% eram Latinas (queda de um ponto dos 7% em 2017-2018) e 1% eram de outras etnias (sem mudanças em relação ao período anterior). Latinas continuam sendo dramaticamente sub-representadas quando comparadas à sua representação na população dos Estados Unidos”.

As coisas são ainda menos iguais por trás das câmeras, mas novamente, ao menos o cenário está melhorando. Mulheres representam 31% dos “trabalhadores-chave por trás das cenas”, como líderes e criadoras. Essa marca supera o pico registrado em 2016-2017, que apresentou um total de 28%.

Então quais são os papéis que essas mulheres estão assumindo? Os melhores números são os de mulheres produtoras (40%) e produtoras-executivas (30%). Mulheres têm a menor representatividade como diretoras de fotografia, com apenas 5% destes papéis. Elas compõem um total de 26% das diretoras na televisão, mas esse número também está crescendo, com mais mulheres e atrizes experientes assumindo as cadeiras de direção.

A quantidade de departamentos e séries com poucas ou nenhuma mulher trabalhando, porém, é ainda deprimente:

“Entre as plataformas, porcentagens preocupantemente altas de programas não empregavam nenhuma mulher em sua equipe de produção. 96% dos programas analisados não possuíam mulheres como diretoras de fotografia, 79% não possuíam mulheres diretoras, 77% não possuíam nenhuma mulher como editora e 77% não possuíam nenhuma mulher na equipe criativa.”

Não deveria ser surpreendente que o estudo encontrou uma correlação direta entre a contratação de mulheres na equipe de criação e a quantidade de mulheres dentro e fora das telas. Mais mulheres criadoras significa mais mulheres na série. Ponto final. Quanto mais mulheres estão na sala de redação, mais mulheres estão nas telas. O estudo foi objetivo e não levou em conta a qualidade da escrita e representação das mulheres, mas é certamente evidente aos críticos e ao público quando mulheres estão por trás das câmeras porque as mulheres nas telas são mais complexas e melhor trabalhadas. Esse estudo também não tocou nas diferenças salariais em relação aos homens, mas apenas sabemos que existe aí outro grande problema.

Os resultados do estudo confirmam muitos dos comentários que ouvimos das trabalhadoras deste mercado: as coisas estão melhorando, mas certamente não estão perfeitas, e áreas como a cinematografia precisam de mais mulheres. Apesar de não serem ótimas notícias, certamente é encorajador ouvir que algumas séries de Hollywood estão seguindo na direção correta. Só podemos esperar que o próximo ano seja ainda melhor.


Texto traduzido e adaptado do The Mary Sue | Imagem de capa: Michael C. Rodriguez/Variety

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