Você precisa assistir Crazy Ex-Girlfriend!

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Mistura de comédia romântica, musical e feminismo!

Crazy Ex-Girlfriend é uma série de comédia romântica e musical exibida pelo canal The CW. Atualmente o seriado está na sua segunda temporada. A primeira temporada entrou na Netflix recentemente e com base nela que farei o review da série (e levando em consideração alguns episódios da segunda temporada também).

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Rebecca Bunch

O seriado é estrelado pela atriz Rachel Bloom (Frango Robô, BoJack Horseman) que interpreta a protagonista Rebecca Bunch. Rebecca é uma advogada inteligente e bem sucedida, formada em Harvard e Yale (algo que é bastante reiterado na série) e que está prestes a se tornar sócia da empresa em que trabalha, mas ao invés de comemorar a promoção tem uma crise de pânico no meio da rua. Rebecca percebe o quanto sua vida é infeliz e ao ver seu ex-namorado Josh Chan sai correndo para falar com ele. Acontece que Josh namorou com ela durante dois meses no acampamento de verão e terminou a relação um pouco antes de irem embora (e de uma forma não muito legal).

Dez anos depois Rebecca, acha que se reencontrar com ele no meio da rua é um sinal para a sua felicidade. Mas Josh estava indo embora de Nova York e voltando para sua cidade natal: West Covina, Califórnia (duas horas da praia, quatro horas se tiver trânsito). A protagonista abandona tudo para ir atrás do seu amor da adolescência, larga o seu emprego e vai para o outro lado do país sem saber nada sobre Josh, dando assim, o título de ex-namorada louca que a série leva.

Com uma premissa dessa eu normalmente não me animaria para assistir uma série assim. Como o seriado foi muito bem recomendado por uma amiga minha e entrou na Netflix, por que não dá uma chance?

Personagens

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Paula

Para começar, a personagem Rebecca não se encaixa no padrão de beleza hollywoodiano. Beckys (para os íntimos) se sente bem com o seu corpo e não tenta fazer dietas. Ela nega que largou tudo para tentar conquistar Josh para que não seja rotulada de louca. Louca é uma palavra que você vai ouvir bastante na série, inclusive na abertura. Outros personagens falam isso abertamente para Rebecca. Apesar de ser usada diversas vezes na série, a palavra “louca” também é abordada como um termo estereotipado e sexista. Inclusive o tema saúde mental também está presente na série. Rebecca não é perfeita e está longe de ser. Muitas vezes ela é egocêntrica, machuca as pessoas ao seu redor, fora a sua obsessão por Josh, mas aos poucos a personagem vai amadurecendo.

Rebecca não possui muitos amigos, mas depois de alguns atritos faz logo amizade com sua colega de trabalho, Paula. Ela é uma pessoa maravilhosa, chega a ser tão “louca” quanto Rebecca e a ajuda nos planos loucos para ficar mais tempo com Josh. Paula é o tipo de amiga que se você matar alguém, ela vai ajudar a enterrar o corpo. Paula também tem um desenvolvimento muito legal na série, principalmente, na segunda temporada.

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Greg e Josh

A série se divide em Team Josh e Team Greg. Josh tem namorada (voltaremos a esse tópico daqui a pouco) é aquele cara gente boa, otimista e espera o melhor das pessoas. Já Greg é pessimista e irônico e se interessa por Rebecca desde a primeira vez que conversa com ela, inciando assim um triângulo amoroso. Mas em nenhum momento as situações são tratadas como “friendzone”, já que ninguém é obrigado a se apaixonar pela outra pessoa, não é mesmo?

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Meta de amizade: sair na balada com o mesmo vestido. Senão for assim nem começo a amizade.

Logo no primeiro episódio Rebecca descobre que Josh tem uma namorada: Valencia. Mas ao invés de de odiá-la, Rebecca quer se tornar amiga dela, tipo amiga de verdade mesmo. Rebecca quer acabar com essa “ideia misógina que mulheres devem competir entre si”, mesmo quando Paula acha que ela só quer fingir a amizade. Valencia é aquela namorada clichê, bonitona, controladora e que nenhum amigo de Josh gosta. Inclusive, Valencia é responsável por vários números musicais super engraçados. Mas preste atenção no desenvolvimento da personagem na segunda temporada.

Outros personagens como o chefe Darryl, Heather, Maya e Trent (uma espécie de versão masculina de Rebecca) só têm a acrescentar a série.

Musicais & Referências

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Como descrever os musicais maravilhosos de Crazy Ex-Girlfriend? A série tem influência dos musicais de Fred Astaire, Ginger RogersMarilyn Monroe, da Broadway até Os Miseráveis e Bollywood. Vai do rock ao country, do pop ao jazz. E na maioria das vezes com letras hilárias e nonsense que refletem a situação que os personagens estão passando. No começo todos os musicais são estrelados por Rebecca, mas aos poucos o resto do elenco vai ganhando suas próprias músicas e coreografias mesmo sem a presença da personagem principal, inclusive rolam alguns solos sensacionais. O seriado também faz referências a clipes de Backstreet Boys, Kate Perry e Ciara. Fora as referências a animações e princesas da Disney como Aladdin A Bela Adormecida, Breaking Bad, Casablanca, Footloose Nouvelle Vague (o cinema, não a banda).

É bem interessante como algumas músicas são reaproveitadas por outros personagens, mas em outro contexto e com as letras um pouco diferentes. Você corre o risco de querer sair por aí cantando e dançando West Covina ou Settle For Me.

Feminismo

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Feminismo não falta em Crazy Ex-Girlfriend mesmo que a premissa da série seja sobre uma mulher que abandona tudo para ir atrás de alguém que mal conhece e que todos os títulos dos episódios tenham o nome ‘Josh’.

No seriado tem um rapper que cita o livro O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir. Tem Rebecca tentando desconstruir a rivalidade entre mulheres e querendo dar um seminário para meninas sobre empoderamento feminino no acampamento. Tem personagem feminina dizendo que não quer continuar em um relacionamento que não está lhe fazendo bem.

Outros Temas

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A série trata também de temas como bissexualidade e homossexualidade. Tem um número musical explicando que pessoas bissexuais não estão passando por uma fase ou são pessoas promíscuas. A importância de fazer terapia, amizade, poliamor, entre outros. Fora alguns assuntos femininos que não são comumente vistos/discutidos em séries.

Segunda Temporada

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Como a segunda temporada ainda está em exibição deu para apreciar apenas alguns episódios, mas já para perceber que a série voltou de forma mais madura e aborda temas que não estavam presentes na primeira temporada. Algumas coisas que me incomodaram na primeira foram abordadas na segunda como relacionamento tóxicos, a amizade entre Rebecca e Paula era bem unilateral às vezes, como alguns personagens eram tratados e a importância de ficar sozinho (a) antes de entrar em outro relacionamento, por exemplo. Na segunda temporada temas como aborto e bullying entram em pauta de uma forma natural e necessária.

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 Premiações

Rachel Bloom ganhou o Globo de Ouro 2016 por Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical e o Critics’ Choice Television Award 2016 de Melhor Atriz em Série de Comédia. A série ganhou também esse ano o Creative Arts Emmy  por Melhor Edição em Série de Comédia com Câmera Única e Melhor Coreografia e Gotham Independent Film Award de Melhor Série de Longa Duração.

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 A série não é perfeita. Falta uma maior representatividade de personagens negros ou poderia abordar certos assuntos de outras formas, por exemplo. Mas pelo menos na questão representatividade feminina o seriado está tentando seguir pelo caminho certo. Alguns personagens ganham mais destaque e amadurecem na segunda temporada e, por enquanto, eu estou gostando mais dos musicais da primeira.
Para os que não gostam de musicais, fica o aviso: tem números musicais em todos os episódios. Crazy Ex-Girlfriend não deve ser comparada a séries musicais mais recentes como Glee ou Smash, mas se você gostou de uma delas pode ser que curta essa também. Com uma série que aborda feminismo, orientação sexual, amizade entre mulheres, relacionamento tóxicos, aborto, bullying, saúde mental e tudo isso com comédia e musical. Como não amar Crazy Ex-Girfriend?

Assista ao trailer de Crazy Ex-Girlfriend:

 

Quem escreve? Rany

Graduada em Jornalismo e Jogos Digitais. Fã incondicional de As Crônicas de Gelo e Fogo, Tolkien, Fables, Tarantino, Miyazaki, Okami, Dragon Age e Mass Effect. Divido meu tempo livre com os meus vícios em séries de tv, filmes, livros e games.