Total War: Rome 2 está recebendo uma enxurrada de análises negativas… Por causa de suas generais mulheres

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A gente não sabe direito nem o que dizer… Só sentir. Mas vamo lá:

“Total War: Rome 2” é um jogo de estratégia histórica da Creative Assembly, lançado em setembro de 2013, e que nos cinco anos desde seu lançamento já acumulou mais de 21 mil análises de jogadores na Steam, com uma classificação “Muito Positiva”. Apesar disso, nas últimas semanas mais de 800 análises negativas fizeram com que a sua avaliação recente se tornasse “Ligeiramente Negativa”, derrubando a avaliação geral para “Ligeiramente positiva” e revertendo a imagem de sucesso que o jogo construiu nos últimos cinco anos. Mas o que poderia fazer com que um dos “100 melhores jogos da Steam” sofresse essa queda em sua avaliação?

O jogo está claramente enfrentando um “review bombing” (ataque nas análises, feito por fãs insatisfeitos), e o motivo é o número de personagens femininas no jogo. Tudo começou com o boato de que a última atualização do jogo teria aumentado dramaticamente as chances de os generais do jogo serem mulheres. Apesar de o update ter sido lançado em março, as críticas surgiram apenas em agosto, graças a um usuário chamado Erick, que resolveu postar uma imagem em que cinco dos oito generais “disponíveis” eram mulheres, reclamando sobre a falta de “precisão histórica”… Pra variar. Isso desencadeou inclusive um mod chamado “patriarcado”, que supostamente reduziria a chance de políticos e generais mulheres aparecerem no jogo.

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Eventualmente, um dos desenvolvedores do jogo afirmou que o tópico original da discussão era “uma bagunça” e resolveu trancá-lo. Então afirmou:

Como já dito anteriormente: Os jogos da saga Total War são historicamente autênticos, não historicamente precisos. E se ter unidades femininas os chateiam tanto, vocês podem ou usar um mod ou parar de jogar.

O efeito bola de neve continuou, e um usuário da Steam de apelido “Chaos Puppy” resolveu publicar uma análise que acusava, entre outras coisas, o jogo de ser “historicamente impreciso, com coisas como mais da metade de seus generais serem mulheres”. Ele também afirmou estar chateado com a resposta da empresa ser algo do tipo “se não gostou, não compre”, o que não foi a declaração da empresa, mas causou mais revolta ainda, e então o bombardeio começou.

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A ironia está no fato de a reclamação original – um inesperado e dramático chilique sobre generais mulheres – não ter base em algo real. As notas da atualização não falam sequer sobre mudanças em generais mulheres. E o canal RepublicOfPlay, no Youtube, já havia mostrado que a chance de um general ser mulher no jogo está entre 10 e 15%, exceto com a facção Kush, que possui 50% de chances.

O editor AAABattery03, da reddit, explicou também as chances matemáticas que envolvem a formação do grupo de generais mulheres reproduzido por Chaos Puppy. “A probabilidade de se conseguir 5 de 8 generais mulheres, com uma chance de 10% para cada, seria de aproximadamente 0,04%. Isso quer dizer que a cada 10 mil jogadores que entrem no jogo agora, gerando 8 generais egípcios, aproximadamente 4 deles terão essa exata composição, de cinco mulheres e três homens entre os generais”.

“Levemos em conta que dezenas de milhares de jogadores são ativos, sendo que alguns milhares são extremamente ativos (steamcharts aponta Total War: Rome 2 com uma média de 6500 jogadores simultâneos nos últimos 30 dias), então podemos esperar centenas de milhares de diferentes combinações de generais a cada mês. Assim, podemos esperar também muitas ocorrências de grupos com cinco mulheres e três homens. (…) Então, é bem provável que não se trate de um bug. Alguém pode reclamar dizendo que as chances deveriam ser modificadas, a fim de tornar mais ‘preciso’, mas o negócio é que isso está na ‘média’ esperada, e aqueles que estão fora desse padrão e que acham ser impreciso, deveriam ser encorajados a usar mods para isso”.

Foi exatamente isso que o moderadora da Creative Assembly sugeriu em seu post, que foi considerado “inaceitável” e “agressivo de modo desnecessário”.

“As pessoas não podem devolver o jogo. Cinco anos depois do lançamento e vocês estão sugerindo que coloquem mods ou parem de jogar caso não aceitem uma mudança feita sem qualquer aviso”, diz o vídeo do canal citado anteriormente, comparando a declaração com a resposta dada pela EA aos críticos de Battlefield 5. “Eles estão essencialmente mostrando o dedo do meio para os fãs, dizendo que ‘não estamos ouvindo e cravamos nossos saltos no chão’. É um insulto até a aqueles que não ligam para o problema das mulheres, porque desvaloriza suas opiniões também”.

Basicamente, parece que nada de fato mudou no jogo, as pessoas ficaram nervosas por um boato, a Creative Assembly recomendou o uso de mods caso os jogadores estejam insatisfeitos com o jogo e isso irritou ainda mais esse público. E o resultado? Bombardeio nas análises. O jogo ainda tem avaliação ligeiramente positiva, mas o texto em laranja apontando que as análises são negativas não é muito atraente.

A empresa divulgou uma nota explicando que as taxas de aparição de mulheres como generais não foram alteradas e que o sistema está funcionando conforme esperado. “Não houve mudanças na taxa de surgimento de generais mulheres recrutáveis. Mas com a adição do sistema de árvore de família e o novo modo de jogo que ele cria, facções jogáveis podem acabar tendo mais membros femininos nas famílias graças ao casamento”.

As taxas, porém, continuam entre 10 e 15% para a maioria das facções. As exceções são “os estados gregos, Roma, Cartago e algumas facções do leste, que tem 0% de chance e os Kush, que têm 50% de chance. (…) Isso tem como objetivo representar de forma mais ampla as diferenças culturais entre as facções na época em que o jogo se passa”.

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A nota ainda orienta, novamente, os jogadores infelizes a utilizarem mods para alterar as porcentagens, e confirma que a empresa “não planeja de qualquer forma modificar isso ou remover esse sistema do jogo”.

Novamente, temos outra enorme polêmica desnecessária e o único argumento que parece sustentar esse ódio por mulheres tanto como personagens quanto como players é apenas a “precisão histórica”. Argumento batido, discutível e questionável.

Fica aqui o questionamento.


Fonte: PCGamer

Quem escreve? Liao

Débora é musicista, pesquisadora e otaku (não fedida, prometo). 1/3 gamer, 100% sonserina. A alcunha de Liao veio de um site aleatório de geração de nomes japoneses (Liao é chinês, mas tudo bem).