Thomas Olde Heuvelt, autor do livro de terror HEX, conta sobre seu processo de criação!

Thomas Olde Heuvelt Foto Dark Side Books-Divulgação

Confira a primeira parte da entrevista exclusiva do aclamado escritor holandês para o Garotas Geeks!

Ei, você, que é fã de histórias de terror! Imagine uma pequena cidade, ou vila, dessas mais tranquilas. Nesse lugar, existe uma bruxa de verdade, que sobreviveu à fogueira e assombra a cidade há uns 300 anos. Os habitantes acostumaram tanto com a presença sobrenatural que criaram regras para conviver com a bruxa, sendo a principal delas esconder esse obscuro segredo de forasteiros. Eles até utilizam um aplicativo para acompanhar as aparições da bruxa. Mas então, as coisas começam a ficar terríveis quando um grupo de jovens resolve desafiar as regras e provocar a bruxa para ver se ela é tão perigosa quanto dizem. HEX-Capa-3D - Divulgação Dark Side BooksFicou na curiosidade? Esse é apenas um breve resumo da trama do livro HEX, lançado no Brasil pela DarkSide Books. Os três primeiros capítulos podem ser lidos no site da editora. A história aterrorizante é um dos grandes destaques do terror contemporâneo holandês. A obra será adaptada para uma série de TV, com roteiro de Gary Dauberman, o mesmo de “It: A Coisa” e “Annabelle”.

O autor de HEX é o holandês Thomas Olde Heuvelt. Thomas já escreveu cinco romances e muitos contos fantásticos. Desde sua estreia, aos dezesseis anos, tornou-se autor best-seller na Holanda e na Bélgica. Suas obras já foram publicados em inglês, chinês, holandês e, agora, em português. Ele ganhou o Harland Award (prêmio holandês na categoria Melhor Fantasia) em três ocasiões, e o Hugo Award de 2014 na categoria Melhor Conto. E considera Roald Dahl e Stephen King os heróis literários de sua infância, que incutiram nele o amor pela ficção macabra.thomas olde heuvelt-DivulgaçãoThomas Olde Heuvelt fez uma breve turnê no Brasil para divulgar HEX e concedeu uma entrevista exclusiva para o Garotas Geeks! Nessa primeira parte, o escritor fala sobre seu processo de criação da bruxa, da escolha do cenário norte-americano da segunda edição do livro e os desafios de escrever um livro de terror na atualidade.

– Como foi o seu processo para criar uma lenda de bruxa?

Desde que o livro “The Witches”, de Roald Dahl, me traumatizou quando criança, eu quis escrever minha própria história sobre uma bruxa. Alguns anos atrás, eu criei um conceito para uma cidade que era assombrada por uma mulher do século XVII, que foi condenada por feitiçaria. Ela tem os olhos costurados porque as pessoas acreditavam que ela tinha o dom do mau olhado. E até hoje ela ainda está lá. Mostrei o conceito a um amigo que é cineasta e ele o queimou completamente. Com razão. Era chato, sem graça e sem originalidade. Então, começamos a brincar com isso e ver onde isso nos levaria. E se a bruxa não fosse essa aparição assustadora sobrenatural, mas o bobo da cidade? E se os habitantes da cidade estivessem tão acostumados com a presença dela que, em vez de ficarem com medo, pendurariam uma toalha no rosto quando ela aparecesse na sala de estar deles? Eu fiquei animado. Essa reviravolta fez a história funcionar. Imagine se isso acontecesse em sua cidade hoje em dia, como as pessoas lidariam? Todos eles teriam um aplicativo em seus telefones, é claro – o HEXApp – para relatar avistamentos e acompanhar a bruxa. E para evitar avistamentos de pessoas de fora, eles a encobrem com coisas malucas como galpões de ferramentas, arbustos ou coros de mulheres velhas quando a bruxa está em lugares públicos. Mas ao mesmo tempo – e é aí que se volta ao horror clássico e arquetípico – em seu núcleo, eles ainda têm muito medo. Eles têm medo do desconhecido, que a bruxa representa. Eles têm medo do dia em que ela possa abrir os olhos. E eles temem o que vai acontecer se eles não obedecerem às regras da cidade…Thomas Olde Heuvelt Foto Dark Side Books Divulgação– Por que você escolheu o interior dos Estados Unidos como cenário para o seu livro?

Eu estudei literatura americana nas universidades de Nijmegen, na Holanda e de Ottawa, no Canadá. Fui apresentado a todas as coisas boas de lá – Nathaniel Hawthorne, Washington Irving, Edgar Allen Poe, entre outros. Quando eu estava procurando por um cenário americano para o HEX, achei que seria bastante apropriado usar o terreno fértil do gótico americano. A edição original de 2013 do livro se passa em uma pequena cidade holandesa nas colinas, portanto, geograficamente, mostrou alguma semelhança. Eu escolhi mudar a configuração quando os direitos foram vendidos para a América. HEX é um livro assustador, e quando saiu na Holanda eu recebi centenas de mensagens de leitores que me disseram: “Seu desgraçado, eu tive que dormir com as luzes acesas”. Isso é o que eu queria dos leitores na América também. Para realmente assustar seu leitor, você precisa criar esse senso perfeito de familiaridade, para sugar o leitor, e então você o dilacera quando o sobrenatural entra em ação. Se um leitor americano lesse um livro na Holanda, eles estariam se perguntando, ‘Como se pronuncia esses nomes? Como vivem essas pessoas? O que os assusta? Para qualquer outro gênero, literário ou fantasia, o estranhamento que isso cria é maravilhoso. Mas, o horror cria uma distância que fica no caminho do primeiro soco que você deseja dar. É por isso que eu mudei – a nova edição se passa em Black Spring. O que significa que todo o coração cultural do livro muda. Mas muito da típica maneira holandesa de lidar com o sobrenatural permaneceu, porque essa é a força do livro. E enquanto eu estava nisso, também mudei o final. Senti que o original estava desligado. Eu acho que poderia ser mais sutil … e mais assustador. Eu acho que funcionou, porque a nova edição já foi vendida para 26 países. Oferecemos a todos os editores em todos esses países tanto o original com o cenário holandês quanto a edição americana… e todos eles escolheram o americano. Diz-lhe algo sobre como o mundo funciona, certo?HEX Divulgação Dark Side Books– Quais são os desafios de se conectar com livros de terror hoje, quando a violência e as guerras estão diariamente na mídia?

Eu não acredito que seja muito diferente do que costumava ser. As pessoas têm contado histórias assustadoras desde o início dos tempos. Isso serve a um propósito. Por que fazemos passeios de montanha-russa, ou vamos ao cinema e assistimos filmes de terror? Porque nós podemos liberar nossos medos e ainda estar seguros. A vida real é assustadora o suficiente, e muita ansiedade se acumula dentro de nossa psiquê, muitas vezes sem nos darmos conta. Esta liberação, essa limpeza da alma, se você quiser, é muito saudável de vez em quando. Além disso, é divertido. Nós todos amamos um bom susto. A primeira coisa que você ouve depois de gritar durante um filme de terror no cinema, são risadas. Porque sabemos que estamos seguros. É claro que, como escritor, tento invadir até essa última sensação de segurança, para deixar os leitores tão desconfortáveis que precisam dormir com suas luzes acesas. As melhores histórias de terror não são aquelas que se concentram em torno da violência – são aquelas que rastejam sob sua pele e permanecem lá, muito tempo depois de você fechar o livro.

E aí, curtiu? Já conhecia o livro HEX? E a assustadora maldição da bruxa Katherine? Aguarde, em breve, a segunda parte da entrevista exclusiva de Thomas Olde Heuvelt aqui para o Garotas Geeks!

Quem escreve? Luciana

Jornalista, Relações Públicas, Especialista em Gestão da Comunicação e Mestra em Análise do Discurso. Rpgista de longa data, trekker (Vida longa e próspera!) e whovian (Allons-y!)... Gosto da natureza, de literatura, HQs, cinema, séries de TV, rpg, board games, de música boa (rock and roll) e de nerdices em geral! Adoro preparar quitutes e receber os amigos. Insisto em ser feliz e sou altamente convivível! E amo o Leo - o maridão e personal-particular-chef!!!