“Switched”: nova minissérie japonesa da Netflix aborda solidão e bullying

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Switched não é apenas uma história clássica de troca de corpos, o drama de seis episódios discute a rejeição social e como ela é prejudicial.

O mês de agosto de 2018 começou com uma nova minissérie japonesa com produção e distribuição da Netflix, chamada Sora wo Kakeru Yodaka (宇宙を駆けるよだか), que seria algo como “Você pode correr através dos céus?”.

Nas telinhas brasileiras, a Netflix manteve o nome em inglês Switched (“trocado” em inglês). Isso porque o dorama se constrói em volta de um misterioso efeito de troca de corpos entre duas adolescentes de 16 anos.

A primeira impressão que a maioria das pessoas pode ter é que seria uma clássica comédia sobre os desconfortos de estar no corpo e vida de outra pessoa. Porém, a minissérie está mais propensa a arrancar lágrimas que risos. (Eu pelo menos chorei assistindo. Mas sou chorona mesmo!).

Para quem quer só saber o plot de Switched para ir assistir

Indo direto para a história, a minissérie começa com a personagem principal, Ayumi Kohinata (Kaya Kiyohara), recebendo uma declaração de amor do seu crush de infância Koshiro Mizumoto (Tomohiro Kamiyama), seguido pelos seus pensamentos de que ela “não fazia ideia de que essa felicidade era tão importante”.

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Isso porque Ayumi é uma menina com uma família estruturada, participativa e aparentemente rica com uma bela casa, além de ser a aluna mais popular da sala, rodeada de amigos, dentro dos padrões de beleza e que agora estava namorando seu amor de infância.

Mas ela estava próxima a perder tudo isso em poucos minutos do primeiro episódio. Tudo aconteceu quando ela ia para seu primeiro encontro com Koshiro e recebe uma ligação de Zenko Umine (Miu Tomita), sua colega de sala de aula que dizia que ia se matar e queria que Ayumi assistisse à cena.

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Ao olhar para o telhado do prédio atrás dela, Ayumi vê Umine se jogar, passa mal e desmaia. Depois ela acorda saudável no hospital, mas no corpo de sua colega de sala.

Sem entender, ela se desespera e começa a dizer que não é Umine, mas ninguém acredita (claro). Diante dessa nova realidade, Ayumi percebe que trocou de corpo com Umine, que por sua vez não está nem um pouco interessada em fazer a destroca, já que seu sonho sempre foi ter a vida perfeita e privilegiada de Ayumi.

Para quem quer saber mais de Switched antes de assistir

Nessa jornada, Ayumi vivencia na pele a vida solitária e sofrida de Umine. Tímida, insegura, sem amigos e fora dos padrões de beleza, nossa antagonista sofre com a solidão e bullying por seus colegas, inclusive de um de seus professores que disse que ela “está de barriga cheia, mas de cabeça vazia”, arrancando risos de seus colegas (bem antiético e irresponsável ¬¬ ).

Ginasio com alunas se alongando em duplas e Umine sozinha

Para piorar a situação de Umine, sua família é pobre e desestruturada. Seu pai abandonou a família, abalando sua mãe que não lhe dá atenção e passa as noites em pachinkos (cassinos japoneses). Se ausência e descaso já não fossem o suficiente, Umine ainda sofre constantemente com agressões físicas e morais de sua mãe, que a humilha e vaporiza qualquer gota de autoestima que ainda poderia lhe restar.

O drama fica mais complicado com um claro quadrado amoroso formado por Umine, Ayumi, Koshiro e Shunpei Kaga (interpretado por Daiki Shigeoka).

Kaga é o garoto mais carismático, engraçado e popular da escola, amigo próximo de Ayumi e Koshiro. Ele sempre foi apaixonado pela protagonista, por isso prestava atenção em detalhes de seu jeito, o que fez com que ele descobrisse a troca e a ajudasse nesse momento, afinal, ele estava apaixonado pela sua essência. Ao contrário do que parece ser os interesses de Koshiro, que declara não se importar com a troca, já que ele se basta com a aparência padrão de Ayumi.Kaga abraça Ayumi, que está no corpo de Umine

Confesso que fiquei com medo de colocarem Umine apenas como cruel por querer a vida de Ayumi ou que bastaria ela “mudar seu jeito” para ser aceita pelos colegas, mas acho que a minissérie conseguiu (de uma forma leve e sem perder a ideia de ser uma história adolescente) apresentar toda a dor constante de Umine, contrapondo o cenário de Ayumi, que sempre teve alguém para se apoiar a lhe ajudar a passar pelas dificuldades.

Quem quiser fugir das clássicas e açucaradas comédias amorosas, Switched pode ser uma boa opção.

Confira o trailer a seguir:

Curiosidades dos atores e da trama de Switched:

Você percebeu que chamamos Ayumi pelo primeiro nome e Umine pelo sobrenome? Isso aconteceu no texto porque é a forma mais comum que essas personagens são chamadas na série, já que chamar pelo primeiro nome e/ou terminações como -chan ou -kun demonstra intimidade dada entre amigos.

Por exemplo, quando a Ayumi está no corpo de Umine, ela é recriminada pelas antigas amigas por tê-las chamado pelo primeiro nome e com informalidade, já que elas não deram intimidade para isso.

Outra curiosidade fora da narrativa é que os atores Daiki Shigeoka e Tomohiro Kamiyama, que interpretam respectivamente Kaga e Koshiro, são mais velhos que as atrizes mirins e integram a boyband japonesa de música pop Johnny’s West.

Quadrinho mostrando no manga Ayumi, Umine, Kaga e Koshiro

Switched é uma adaptação do mangá Sora wo Kakeru Yodaka, de Shiki Kawabata, com três volumes publicados entre 2014 e 2015 pela revista de shoujo Bessatsu Margaret, impressão da editora Shueisha.

Quem escreve? Kátia Kishi

Jornalista e mestra em divulgação científica e cultural que adora assistir a filmes, séries e animes, ler livros, arriscar um karaokê e tomar uma boa breja. Tem um canal no YouTube sobre cultura japonesa chamado Zatsudan Now!. Pode chamar de Lilo, Harumy, Kishi ou só Kátia mesmo.