Seis filmes de terror feministas para quem está cansada do machismo no gênero

capa- terror feminista

Porque nós merecemos filmes que nos respeitem em todos os gêneros.

Para um gênero de filme com tantas protagonistas femininas, é triste ver como o machismo domina os filmes de terror. Mas em meio a toda a pornografia de tortura e personagens sendo punidas por sua sexualidade, ainda há muitos filmes de terror que não objetificam ou diminuem suas personagens femininas. O terror pode sim ser feminista, e a lista a seguir apresenta seis filmes que fogem do padrão. O Halloween já passou, mas todo dia pode ser dia para um bom horror:

Possuída (2000)

Filmes de terror ou monstros protagonizados por mulheres possuem uma longa história de metáforas enraizadas para a puberdade, menstruação e desenvolvimento da sexualidade. Histórias de lobisomens, por sua vez, tendem a ser dominados por personagens masculinos. Lobisomens femininas de qualidade estão em falta no mercado, mas esse filme tenta preencher essa lacuna. Utilizando a transformação em lobisomem como uma metáfora pouco sutil sobre a transição física e emocional de uma garota durante a adolescência, o filme não decepciona.

Possuída conta a história de duas irmãs adolescentes muito próximas. Quando Ginger é mordida por um monstro, começa a passar por uma violenta transição, tanto hormonal quanto licantrópica. O filme definitivamente tem uma estética trash, mas o relacionamento entre as irmãs – enquanto um passa por violentas mudanças e a outra é deixada para trás – faz com que Possuída seja genuinamente um filme digno de seu status como cult.

Um Monstro no Caminho (2016)

Escrito e dirigido por Bryan Martino, esse filme parece ter passado despercebido. O que é uma pena, pois se trata de um dos melhores filmes de terror dos últimos anos. Zoe Kazan (Doentes de Amor) é Kathy, uma jovem mãe alcoólatra, emocional e fisicamente abusiva, e Ella Ballentine (Anne of Green Gables) é sua filha Lizzy. Enquanto Kathy leva sua filha de carro para visitar o pai da garota, ela acaba atropelando um lobo, que definitivamente não é a coisa mais assustadora na estrada.

Apesar de o monstro principal ser bizarro e dar vários sustos durante o filme, o núcleo da história é a pesada dinâmica entre mãe e filha, apresentada por flashbacks, e como isso afeta sua capacidade de lidar com aquela situação. É uma história sobre relacionamentos femininos e a força das mulheres. E nem por um momento parece pesado demais ou desconectado em suas metáforas.

Vingança (2017)

Filmes de vingança por estupro costumam se declarar feministas, quando na verdade tendem a apenas explorar de forma nojenta uma sexualização da dor das mulheres. Vingança parece ser uma das raríssimas exceções a essa regra, por utilizar um olhar feminino sobre a questão, subvertendo essa história de exploração.
O filme tem como centro a personagem Jen, uma jovem que está viajando com seu namorado, um homem casado. Quando os amigos de seu namorado chegam mais cedo do que o esperado, um deles a estupra enquanto o outro simplesmente ignora o ataque. Seu namorado tenta abafar a história com um suborno, mas ela recusa e ameaça expor seu relacionamento à esposa. Com isso, ela é perseguida pelos homens através do deserto, sendo abandonada para morrer. Mas ela sobrevive e luta para sobreviver, enquanto continua a ser caçada. O filme é super tenso, e chega a ser difícil não prender a respiração.

O filme é definitivamente o melhor do gênero, mas não é para qualquer um. Além de ser muito, mas muito sangrento, não deixa de ser um filme com cenas de estupro, o que é um imenso gatilho para violência sexual. O filme também inverte os estereótipos do gênero cinematográfico. A diretora francesa Coralie Fargeat brinca com a objetificação de Jen, apresentando-a primeiramente através dos olhos dos homens, mas inverte a situação colocando o filme em seu ponto de vista. Sua luta por sobrevivência não é nada glamurosa ou sensual, o que meio que inverte sua aparente “falta de roupas”. Para muitos, essa inversão pode não ser suficiente para justificar o “estereótipo” desse tipo de filme, por mais bem feito que seja. Mas se você estiver afim de um massacre sangrento dirigido por uma mulher, com uma protagonista forte e cenas capazes de revirar seu estômago, vale a pena conferir.

O Babadook (2014)

Além de ser um filme de terror assustador pra caramba, O Babadook de Jennifer Kent é também uma assustadora jornada pela maternidade e sanidade mental. É tanto uma representação de depressão quanto do bicho-papão, focada em uma mãe solteira, Amelia, em sua batalha para entender seu jovem filho problemático, Samuel. Durante quase todo o filme, é difícil dizer se os monstros que eles enfrentam são reais ou não, ou se Amelia está alucinando. Mas o mais difícil é saber qual das realidades é a mais assustadora.

Garota Sombria Caminha pela Noite (2014)

Esse filme feminista de vampiros iraniano escrito e dirigido por Ana Lily Amirpour é uma obra de arte. Ela própria descreveu o filme como um cruzamento entre David Lynch e Sergio Leone, e o fato que de que o filme conseguiu fazer jus à descrição é por si só incrível. O filme nos apresenta “A Garota”, interpretada por Sheila Vand, uma jovem garota alternativa, que é facilmente subestimada pelos homens de Bad City, local fictício onde se passa o filme. Mas apesar de ter as características de uma típica vítima em filmes de terror, ela na verdade é o monstro da história. Uma vampira sedenta por sangue de homens. Sendo mais específica, ela é uma vampira que bebe o sangue de homens abusivos ou violentos com relação a mulheres. O filme tem pouco de susto, já que o seu objetivo é criar uma empolgante subversão do tema “opressão masculina”.

Grave (2016)

Este filme francês de terror canibal é outro carregado em metáforas sobre a adolescência e o desenvolvimento da sexualidade. Justine é uma jovem de uma família de veterinários. Ao se unir com sua irmã na faculdade de veterinária, ela é forçada a comer carne durante um ritual de iniciação, e isso faz com que a garota vegetariana desenvolva uma fome por carne humana.  O filme brinca descaradamente com cenas gore, humor negro e sensualidade e o resultado é fascinante.


Fonte: TheMarySue

Quem escreve? Liao

Débora é musicista, pesquisadora e otaku (não fedida, prometo). 1/3 gamer, 100% sonserina. A alcunha de Liao veio de um site aleatório de geração de nomes japoneses (Liao é chinês, mas tudo bem).