Saiba detalhes de Legion, expansão de World of Warcraft, na nossa entrevista com o designer-chefe do game

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Vem ni mim, Illidan!

Com Legion, nova expansão de World of Warcraft a ser lançada em pouco mais de um mês, a Blizzard pretende ao mesmo tempo trazer de volta a sensação de realização dos jogadores, de sempre saberem que existe um novo e interessante conteúdo em seu MMO favorito, e mudar o universo permanente para sempre. O site Garotas Geeks entrevistou Luis Barriga, designer-chefe do game, que comentou sobre as profundas mudanças que a Legião Ardente e a expansão devem trazer ao WoW.

A chegada da Legião

“Os melhores momentos da história de World of Wacraft aconteceram quando a Legião Ardente tentou invadir Azeroth”, afirmou Barriga. Em Legion, como o nome indica, a Legião estará de volta, e até mesmo campeões de nível mais baixo poderão combater contra os demônios: “Com uma função chamada World Scalling, Legion terá demônios invadindo as terras, e eles serão do seu nível”. Barriga não confirmou qual a experiência mínima que um personagem novato precisa ter para combater as forças da Legião, mas disse que com a nova tecnologia será possível fazer missões com seus amigos, independentemente da diferença de nível. E mais: “No endgame da expansão, todas as zonas de Legion se tornarão endgame”.

A incursão dos demônios vai deixar os atuais heróis de Azeroth perdidos, e “alguns podem desaparecer e até morrer”, comentou Barriga. Assim, os jogadores devem buscar pelos rastros de antigas civilizações que já derrotaram os diabos, com a ajuda de alguns conhecidos rostos do mundo de Warcraft, como o mago Hadggar (Khadgar no inglês) e a ordem de magos Kirin Tor, e o retorno de Maiev Cantonegro. Assim, jogadores terão de encontrar artefatos e fragmentos de poderes antigos, o que aumenta a experiência de jogo, tanto em termos de lore, como em mecânicas possíveis.

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Construa sua própria Excalibur

Como mostrar os efeitos da Legião em Azeroth? Bem, esse foi exatamente o foco de nossas conversa com Luis Barriga, e também da própria expansão. O processo de criação de Legion focou-se em responder essa pergunta, e as primeiras conversas dos desenvolvedores foram nesse sentido: “No começo, pensamos em falar sobre essa corrupção da Legião, e pensar em mecânicas que poderiam tentar o jogador para o lado sombrio, por assim dizer. O problema é que isso nem sempre funciona, dependendo da classe que você joga. Um paladino, por exemplo, não seria corrompido, apesar disso funcionar para um bruxo, por exemplo”.

Para resolver o impasse, a Blizzard trará a criação de armas-artefato que dizem respeito diretamente à história do jogo: Cavaleiros da Morte deverão encontrar pedaços da espada Gélido Lamento para criar uma nova lâmina, e assim por diante. “Queríamos evocar a sensação de ter Excalibur, ou o Um Anel, nem todos têm o poder para carregar essas armas”, explicou Luis. Sua arma dependerá não apenas do trabalho de arqueologia, mas também de suas conquistas, e como prefere aproveitar o game, seja no PvP, PvE ou como complecionista.

Muitos desses artefatos poderão ser encontrados em novas versões de velhos conhecidos, como a dungeon Kharazan (uma das minhas favoritas), ou as Ilhas Partidas (que não visitamos desde Warcraft 3).

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Você ESTARÁ preparado

Outro favorito que volta a ter destaque é Illidan Tempesfúria. Depois que Gul´Dan liberou a invasão em Azeroth, os Caçadores de Demônios, seguidores de Illidan são liberados. Barriga contou que “descobriremos muito mais sobre o personagem, ele será menos vilanesco, e se tornará mais redondo, com mais profundidade”. Pois essa repórter ainda acredita em um embate final entre Malfurion e Illidan, afinal, até mesmo o Sonho Esmeralda deve ser corrompido.

Os amantes de Illidan, como eu, também poderão jogar como Caçadores de Demônios, uma classe não “muito confiável” pelos outros, nas palavras do designer, que “será fácil de aprender e difícil de masterizar”. Luis ainda confirmou que os Caçadores de Demônios serão mais customizáveis e que será possível “criar um personagem que realmente bota medo”. A nova classe estará disponível para todos que já têm um personagem acima do nível 60. Mas se você nunca jogou World of Warcraft, fique tranquilo, um boost levará seu personagem até o nível 100, e Barriga prometeu que haverá um belo tutorial de mecânicas para explicar o funcionamento do game.

E sim, pode esperar por mais sobre a ordem dos magos, e (minha previsão) por uma Jaina bem desequilibrada.

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Mais no endgame

Warlords of Draenor não é considerada uma das grandes expansões do universo de WoW. Luis Barriga explicou que os desenvolvedores tem um plano para reverter a situação, e ele se chama conteúdo. Barriga prometeu que haverá todo o tipo de endgame: “com foco em história, para aqueles que querem saber tudo, como as missões que você pode realizar sozinho, essas world-quests estarão disponíveis em vários locais, como na sede dos Kirin Tor, ou no Salão de Classe”.

Esses locais onde personagens da mesma classe podem se encontrar serão uma nova versão das Guarnições (que ainda ficam disponíveis em Draenor), “mas sem a sensação de solidão que ficamos em Warlords of Draenor”, colocou Luis. Além de daylies, heroicas, e outros conteúdos que os jogadores já conhecem, o designer-chefe comentou sobre Mythic Dungeons, “que serão menores, mais íntimas, para cinco jogadores, e mais difíceis, para quem quer ir a fundo na história de Azeroth”.

“Também teremos um novo sistema de PvP, de talentos”, de modo a premiar os jogadores que fazem coisas diferentes.

A nova identidade e pistas para o futuro

“A decisão de trazer a Legião de volta para Azeroth tornou-se a identidade da expansão, os jogadores devem procurar por pistas, teremos terras élficas antigas, e mais conteúdo com os dragões. Chegamos a pensar em uma fonte de energia mágica que nunca se esgota”. A conversa com Barriga mostrou que o time não busca apenas revitalizar o game, mas trouxe um frescor de novidade também para o desenvolvimento. “Cada expansão deve funcionar como um game completo”, disse Luis.

Com Legion, a Blizzard tem um plano: “Queremos que seja uma expansão que vai mudar tudo, e nossas inspirações vão servir para o futuro, nem tudo coube em Legion. Teremos muitos assuntos interessantes para o futuro, e muitas sementes plantadas, como os elfos antigos, e os dragões”.

Os reinos vão arder em chamas no dia 30 de agosto.

Quem escreve? Flávia Gasi

Flávia Gasi é doutoranda e mestre pela PUC-SP. Lançou o livro Videogames e Mitologia. Atualmente é colunista do IGN Brasil, escritora de videogames; CEO da Ni Game Content; professora; e tradutora. Defende a democratização dos consoles, direitos iguais no game e o direito de comer sucrilhos sem leite.