[Review] Você tem que jogar: Child of light

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Olá, pessoal! Sou Bruna (também conhecida como Tsu), sua nova colaboradora de games! Vou trazer Reviews e novidades todas as semanas a partir de hoje. Estou sempre de olhos atentos às criticas e sugestões que vocês fazem, portanto fiquem a vontade, tirem os sapatos, entrem e vamos trocar ideias! Começando com o pé direito, aqui está o Review do maravilhoso Child of Light (aplausos!):

Depois da overdose artística de Rayman Legends, a Ubisoft Montreal novamente presenteia nossos olhos com o belíssimo Child of Light. Utilizando a UbiArt, ferramenta usada na criação de Rayman (que permite que o jogo seja feito como a arte conceitual), Child of Light é inspirado nos bons e velhos JRPG’s (como Final Fantasy, Persona, Grandia & cia).

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Child of light é o que acontece se você juntar elementos de RPG (como as tão amadas turn-based battle e o sistema de evolução dos personagens) com side-scroll. Apresenta um nível de dificuldade baixo para quem já esta acostumado com o sistema de batalha por turno, mas em compensação a jogabilidade fluida ajuda a criar alta imersão, fazendo você ficar horas voando pelo cenário (Aurora, a protagonista, voa!) ou treinando só para poder lutar de novo e de novo, montando novas táticas para vencer o inimigo.

História

Vitrais ilustrando a história

Vitrais ilustrando a história

Ilustrado por vitrais lindos e com uma narradora recitando poemas/rimas, na introdução nos é contado o drama familiar passado na Áustria em 1985, na qual a rainha desaparece, e logo após, Aurora, a princesa, fica muito doente, com o corpo gélido como se estivesse morta. A personagem acorda em um mundo diferente do seu, Lemuria, lugar que parece ter saído dos sonhos, onde criaturas estranhas e seres de outras raças convivem não mais em harmonia devido à escuridão que reina neste mundo.
Aurora, com a ajuda de valiosos amigos que encontra pelo caminho, deve descobrir uma forma de voltar ao seu mundo. Para isso, precisa recuperar as estrelas, a lua e o sol de Lemuria, e trazer novamente a paz ao reino, que está tomado pelas sombras. Só assim ela poderá retornar para junto de seu pai, que ficou muito doente após ela ter entrado em coma/morrido (fica livre a interpretação), e só o amor de sua filha poderá o fazer melhorar (OH <3). Aurora e seus companheiros devem enfrentar seus medos e superar as dificuldades juntos para completar seus objetivos (é como se fosse uma mistura de “A Bela Adormecida” com “O Mágico de OZ”).

Sistema de batalha frenético e viciante

Para quem tem um caso de amor com a nostalgia e sente falta dos clássicos RPG’s ao estilo japonês, Child of Light mata um pouco dessa saudade. Nas batalhas, há uma barra que mede o tempo do turno do jogador, e é dvidida entre espera e ato, que pode ser manipulada de acordo com a tática de cada um. Por exemplo, pode ser usado o Igniculus (um tipo de vagalume em forma de bola que emite luz e acompanha a personagem na jornada) para atrapalhar os inimigos com sua luminosidade – os inimigos são da escuridão, e a luz os deixa atordoados, diminuindo sua velocidade na barra.

Screenshot de uma batalha contra um inimigo comum

Screenshot da batalha contra um inimigo comum

Cada personagem e inimigo possui uma velocidade específica (o que me deixa um pouco triste da Aurora ser criança nessas horas, já que sua velocidade realmente parece se dar por suas pernas curtas).
Na hora do “ato” (cast) o player pode escolher entre agir (ataque físico, ataque mágico ou defesa), fugir, usar items ou trocar de grupo durante a batalha, o que torna a luta bastante agitada, no quesito de ficar trocando de party para curar, usar magia elementais, dar buffs, etc, e não ficar só apertando um botão repetidamente para atacar, deixando a monotonia para trás (noticia boa para aqueles que lembram das varias horas dedicadas em Final Fantasy em ficar só apertando um único botão para treinar…).

Evolução de skills

O sistema de evolução de habilidades varia de acordo com cada personagem. Ele dá ao jogador a possibilidade de escolher qual caminho deseja focar, apesar de as vertentes serem bem mistas, variando de acordo com a estratégia de cada player. Por exemplo, na Aurora podem ser seguidos três caminhos distintos, um focado mais em força bruta e ataques físicos, outro em magias de luz simples e o terceiro em magias de luz fortes e contra-ataques. A cada level alcançado, é adquirido um skill point, que será usado para avançar um ponto na “skill grid” do personagem.

Sistema de evolução de skills - semelhante a sphere grid de FFX

Sistema de evolução de skills – semelhante a sphere grid de FFX

Arte e movimentação

A arte… Ah! A arte… É certamente um dos pontos altos do jogo. Passar horas voando (voar voar, subir subir, ir aonde for…) só admirando cada pequeno detalhe dos cenários, até a mísera casinha no meio do nada, com bichinhos se escondendo entre as moitas ou as cercas, é quase uma terapia. Apesar de não poder interagir com taaantas coisas assim, só de alguém ter se preocupado em colocar esses detalhes já basta para a nossa alegria.

Parte de um dos cenários incríveis do jogo

Parte de um dos cenários incríveis do jogo

Lembra um livro infantil lúdico e aquarelado, variando as tonalidades das cores de acordo com os locais: cores frias e mais escuras para locais perigosos ou cenários dramáticos e tristes; cores quentes e vivas para locais amigáveis. Mas nada se destacando mais que o cabelo vermelho/rosa intenso da Aurora. A Ubisoft contou com a ajuda do Cirque Du soleil para adicionar o aspecto teatral para os movimentos e para as críticas na criação do figurino dos personagens.

E ninguém mais ninguém menos que Yoshitaka Amano, responsável pelo concept art de Final Fantasy, fez uma ilustração para Child of Light também! L-I-N-D-A demais!

A arte de Yoshitaka Amano para Child of Light – AMAZING!

A arte de Yoshitaka Amano para Child of Light – AMAZING!

(Bela equipe, não?).

Girl Power

Tem todos elementos que um conto de fadas deve ter. Como comentado, é como se fosse a adaptação de “A Bela Adormecida” originalmente escrito por Giambattista Basile, tendo como versão mais conhecida a dos irmãos Grimm e da Disney. Aurora, a menina que dorme profundamente e deve ser salva. Porém não é um príncipe que fará o papel principal desta vez, e sim ela mesma, que deverá ser a heroína da história, lutando com uma espada (que é maior que sua altura) contra os monstros sombrios e aranhas gigantes (argh!) que atormentam o reino de Lemuria. GO, GIRL, GO!

Narração e diálogos em forma de poemas/rimas

Os desenvolvedores queriam que o jogo fosse uma “poesia a ser jogada”, e acertaram em cheio. Além da arte combinar perfeitamente com as músicas de forma orgânica e sensível, o jogo é todo contado em forma de poemas, e os diálogos também não são diferentes. Cada frase falada no jogo é rimada de alguma maneira, como quando tentamos abrir uma porta em algum lugar aleatório do mapa e ela está fechada, logo surge:
Aurora: “It’s locked”
Igniculus “I’m not shocked”

Dialogo entre os personagens

Dialogo entre os personagens

OST

A trilha sonora é composta por Cœur de Pirate, uma jovem foda talentosa traz músicas absurdamente lindas em piano que traduzem a personalidade da protagonista – algo mais sublime, puro e alegre para Aurora, enquanto a vilã recebe uma musica mais sombria e intensa. A trilha fecha tão maravilhosamente bem com o estilo artístico, que fica difícil ouvir as musicas com outra imagem em mente que não sejam formas fluidas pintadas com aquarela. Nas boss fights, as músicas se tornam mais intensas, tocadas por orquestras, contando até mesmo com aqueles vocais mágicos que tornam as músicas muito mais incríveis (“Poem to everyone’s soul” de Persona e “One Winged Angel” de FFVII são provas incontestáveis disso).

Para mais detalhes sobre o processo de criação das musicas, dá uma olhada nesse vídeo:

Colecionáveis e side-quests

Apesar da pouca variedade de colecionáveis, há uma grande quantidade dos mesmos espalhados pelo mapa. São eles: 16 Confissões (folha de papel que fica voando no ar e contém fragmentos perdidos de histórias de Lemuria), 40 Stardusts (esferas sortidas que aumentam status do personagem escolhido) e mais de 300 Baús, com itens sortidos dentro. Dá pra perder dias procurando cada um dos baús. Eu mesma acredito que tenho em torno de 30 horas de jogo (incluindo treinos) e ainda não achei todos colecionáveis, então VAMOS QUE VAMOS!

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Fora isso, se você deseja passar mais algum tempinho curtindo o jogo, ainda há algumas side-quests espalhadas pelo mapa. São poucas e relativamente rápidas, mas esperamos que a Ubisoft seja boazinha e lance mais em DLC ou algo do tipo. Há também um outro chefe secreto no jogo – que pode passar batido pelo jogador se o mundo não for bem vasculhado até o ultimo cantinho do mapa.

Co-op

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O jogo conta com a opção co-op (cooperativa). O segundo jogador pode controlar Igniculus, um vagalume (a.k.a uma bola de luz que os personagens chamam de vagalume) que ajuda Aurora a iluminar os locais, atrapalhar inimigos no cenário e nas batalhas ou até mesmo curar a protagonista e seu grupo. Exige bastante sincronia da dupla nas batalhas contra os chefes, pois Igniculus é indispensável para que o player 1 consiga fazer mais movimentos nos turnos.

Idiomas disponíveis

Se você gosta de jogar na sua língua materna, o jogo vem completamente em português brasileiro. Sim, você leu direito, não são só legendas, e sim diálogos e cenas inteiros, com dublagem e tudo. Chama a sobrinha(o), a filha (o), a aluna(o), a filha(o) do vizinho, e quem mais for para curtir a história junto.

E para quem curtiu muito, vale a pena investir na edição de colecionador:

Edição Deluxe de colecionador. SHUT UP AND TAKE MY MONEY!

Edição Deluxe de colecionador. SHUT UP AND TAKE MY MONEY!

O único ponto negativo do jogo: o tempo passa rápido demais. Virar o jogo requer em torno de 15 à 30 horas – o que é absurdamente pouco para RPGs convencionais – isso se você for aquele tipo de jogador que curte vasculhar BASTANTE. O jogo é curtinho e deixa com aquele gostinho de quero mais. (UBISOFT FAZ OUTRO PELAMOR!).

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Resumindo: é um jogo que te joga na parede e te chama de lagartixa prende e faz você se apaixonar completamente. Vale a pena mostrar para a mãe, pai, irmão, sobrinha, namorado (a), cachorro, pato, enfim, recomendado para todo mundo!

Child of Light foi lançado em 30 de abril de 2014 (29/04 para PS3) e está disponível para compra no XBOX 360, XBOX ONE, PS3, PS4, WII U e PC (via Steam), chegando ao PS Vita quarta passada (02/07). Agora é só jogar!!

Quem escreve? Bruna

Estudante de Design de games/moda/gráfico, aspirante a ilustradora nas horas vagas e artista “faz-tudo” em desenvolvimento de jogos, é louca por qualquer coisa de terror e não dispensa um bom filme trash asiático para rir. Sonysta assumida (deixando o PC muitas vezes com ciúme) e persistente como uma pedra, se negando a jogar no modo easy – quanto mais difícil o jogo, mais viciante!