Review: Assassin’s Creed Unity — Da primeira memória à DLC Dead Kings

ac unity

Acredite: Os bugs não são o problema!

Dois anos depois do lançamento tumultuado de Assassin’s Creed: Unity, finalmente tive a oportunidade de colocar as mãos nesse título. Foram longos anos de espera até que a PSN soltasse o game com bons descontos, e a grande vantagem, como alguns fãs da Ubisoft já devem imaginar, é que essa espera garante que os patches para correção de bugs sejam todos aplicados.

Vamos então à review do recém-platinado AC Unity e sua DLC: Dead Kings.

Atenção: Caso prefira ler um resumo, separei no final desso artigo uma lista dos prós e contras do game 🙂

ac unity

Assassin’s Creed Unity é o oitavo jogo da série principal de AC, seguindo Assassin’s Creed: Black Flag e Assassin’s Creed: Rogue. Em termos cronológicos, recomendo que todo bom jogador da série pegue o Unity apenas depois de completar o Rogue, já que ambas as histórias de encaixam de uma maneira maravilhosa.

O jogo te leva à Paris pré-revolucionária, com alguns escapes para a França Medieval, Belle Époque e a tão sonhada Segunda Guerra Mundial. Somos guiados por Arno Dorian que, devido a uma série de infortúnios, logo se vê no meio da briga entre Assassinos e Templários.

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Uma das coisas que com certeza dá para elogiar em Assassin’s Creed Unity é o cuidado na remontagem de Paris e em todo o jogo de luzes e cores ao longo do game. Confesso que em diversos momentos eu simplesmente parava o jogo para admirar a paisagem e tirar uma infinidade de screenshots que agora entopem o HD do meu Playstation. Todas as cutscenes são hiper cinematográficas, com personagens cheios de expressões e movimentos maravilhosos de câmera e foco.

Outro ponto que o jogador logo deve reparar é na ausência de storyline para o mundo real. Enquanto alguns devem ter ficado felizes com essa novidade, eu simplesmente me decepcionei. Apesar de admitir que as partes do mundo real acabam cortando o processo de imersão do jogo, ela também ajuda na construção da lore de Assassin’s Creed.

ac-unity_bug

A respeito dos bugs, assunto que foi de longe o mais comentado em AC:Unity (e que fez MUITA gente desistir de pegar o título), confesso que não tive problemas. Lembrando que joguei no PS4 depois do lançamento de todos os patches, claro. Houveram alguns momentos em que Arno subia em algumas paredes estranhas ou grudava atrás de objetos, mas nada que me fizesse desligar ou reiniciar o jogo para ajustar. O mesmo, porém, não pode ser dito sobre a DLC: Dead Kings. Em 8 horas de jogo, eu tive de resetar o meu PS4 mais de 10 vezes para conseguir avançar e desgrudar de paredes, trocar minhas armas ou parar de flutuar no nada. Uma pena!

elise e arno assassins creed

O grande problema de Assassin’s Creed Unity, na minha opinião, é justamente a falta de um plot bem articulado. Enquanto todo o jogo é maravilhosamente bem construído em questão de mundo, jogabilidade, side-quests, profundidade histórica, personagens históricos, gráficos, multiplayer etc., a história parece ficar de lado em todo o processo. AC Unity tem um ótimo começo, e um final super interessante, mas todo o recheio é desconexo, com repetitivos furos, personagens oscilantes em suas personalidades, pontas soltas e inconsistências, principalmente se compararmos o título ao plot de Assassin’s Creed 2. Toda a relação de Arno com o Credo é mal trabalhada, e a conclusão dada é sem sentido e sem impacto na construção do mundo e continuidade do jogo. O objetivo do personagem no jogo sofre do mesmo problema de Edward em AC Black Flag, que parece não saber para qual caminho seguir.

As novidades do jogo são maravilhosas, e eu fiquei realmente triste quando tive de terminar e, finalmente, platinar o game, mas a história está séculos atrás da construção de todo o cenário de AC: Unity e me fez ficar desanimada ao longo da storyline principal.

AC unity napoleão

Se você está interessado no andamento da história da Maçã do Eden, recomendo que vá para a DLC de Dead Kings. Enquanto no game principal não há qualquer menção do item mais Canon da série, a DLC é praticamente só sobre isso, e já nos dá algumas dicas sobre os próximos games da franquia.

Para os interessados nas conquistas ou troféus do game, já aviso: pegue um sofá bem confortável e tire as férias só para isso. A quantidade de colectível, missão não principal, mistério para resolver, novas ações e requisitos é infinita. O ideal, na verdade, é que você tenha consciência de todos as ações necessárias para a platina antes de começar o jogo, e daí vá intercalando seus momentos linha de jogo com a aquisição dos troféus. Desse jeito você garante que não vai precisar ficar 100 anos sentada na frente do Playstation tentando achar aquele último baú escondido.

Assassin's creed multiplayer

Já sobre o multiplayer, as novidades e aprimoramentos foram maravilhosos. Eu nunca fui muito fã desse modo na série, principalmente pela obrigatoriedade de áudio em alguns dos títulos, mas dessa vez o modo de jogo ficou incrível, com missões cooperativas, servidores bem mais estáveis e, principalmente, presença de história relevante para o entendimento do cenário Francês.

O game vale a pena, e continuo recomendando a quem quer que me pergunte a respeito, mas, se o seu foco for apenas na história da série, sugiro que vá com um pé atrás.

Para os apressadinhos, um pequeno resumo do que Assassin’s Creed Unity tem de melhor, e pior:

Prós:

  • Mundo muito bem construído;
  • Fotografia impecável: cada cena é uma pintura;
  • Batalha mais dinâmica, apesar de poucas melhorias;
  • Muita, mas MUITA coisa para fazer para além da linha principal do jogo;
  • A.I. aprimorada;
  • Mapas bem construídos e variados;
  • Aprimoramento na interação do protagonista com o ambiente;
  • Baita aula de História;
  • Jogabilidade ótima;
  • Possibilidade de interagir em outras temporalidades da França;
  • Variedade nas armas e formas de combate;
  • Melhor Co-op da série;

Contras:

  • A história certamente não é o forte desse título;
  • Buracos no plot e problemas de continuísmo;
  • Tela de Load BEM demorada;
  • Vilões fracos e sem muito carisma;
  • MUITOS Bugs na DLC;
  • Modo Stealth não é tão valorizado;
  • Interface (menu, barras etc.) péssima;
  • Relacionamento mal explorado entre personagens;
  • O cenário e mundo criados não são tão bem aproveitados;
  • Excessiva valorização de microtransações;
  • As missões paralelas são mais imersivas que a missão principal;
  • Falta de opção para personagem feminina no multiplayer (cabia jogar com a Èlise né…);

E você? Já experimentou o título? Se sim, conta aí o que você mais gostou, ou o que pensa que poderia mudar no game. Agora que terminei Unity, é hora de avançar para Assassin’s Creed Syndicate!

Quem escreve? Laura Ribeiro

Mineira, adepta da moda Lolita, jornalista e escritora. Fanática por Final Fantasy Tactics e certa de que não há melhor narrativa no mundo dos jogos.Comecei com o game Boy, mas hoje o xodózinho é o PS4. Jogo de tudo: desde Tetris até romance com pombos, sem preconceitos.