“Rap em Quadrinhos”: ilustradores colocam cantores de rap brasileiros como heróis de HQ

Capa GG

Combatendo o crime contra o ódio e preconceito

Em um ano em que estamos começando a abrir espaço para ao diálogo e questionamento quanto à representatividade na cultura pop (seja a ausência de mulheres, negros, LGBTQ+, etc,), dois artistas decidiram inovar mesclado arte em HQ com o Rap, um estilo musical ainda marginalizado no país. Gil Santos, conhecido como Load com o seu canal no Youtube sobre histórias em quadrinhos e cultura hip hop, e o ilustrador Wagner Loud decidiram fazer uma parceria e criar o projeto Rap em Quadrinhos, ilustrações em que cantores e MCs brasileiro são heróis nas HQ’s da Marvel e DC.

 

O rapper Emicida como Miles Morales de Homem-Aranha da Marvel

O rapper Emicida como Miles Morales de Homem-Aranha da Marvel

Lançado recentemente, o Rap em Quadrinhos teve bastante repercussão e até os próprios artistas homenageados elogiaram o projeto da dupla. O Garotas Geeks entrevistou o criadores do projeto para saber um pouco mais:

GG: De onde surgiu a ideia de criar o Rap em Quadrinhos? Como foi que rolou essa parceria?
Loud: Eu já tinha feito uma série mesclando personagens Marvel com personalidades do punk rock, chamado “Punk Rock em Quadrinhos”. Fiz uma exposição na Central Panelaço, loja do João Gordo do Ratos de Porão. Desde aquela época eu queria fazer alguma coisa pro Rap e conversando com o Load (que também gosta muito dos dois assuntos) a gente se animou pra começar o “Rap em Quadrinhos”.

GG: Como é feito o processo de criação?
Loud: Basicamente a gente conversa, lista artistas que a gente gosta, o Load separa tudo e pensa no que cada herói tem a ver com cada MC, fechando isso eu desenho e pronto.

GG: Até o momento da entrevista foram postado três ilustrações (o Emicida como Homem-Aranha, a Negra Li como Tempestade e o Sabotage como Dr. Manhattan) queria entender a relação dessas personalidades com os heróis.
Loud: A gente tem tentado sempre mesclar a personalidade e o que cada personagem tem a ver com o MC. A gente perde um tempinho conversando e tentando chegar ao melhor possível pra não ser apenas o desenho pelo desenho.

Negra Li Tempestade

Negra Li como Tempestade do X-Men

GG: Como está sendo a recepção com o público? Os cantores homenageados (com exceção do Sabotagem) também corresponderam?
Loud: Até o momento eu sinto que a galera tem pirado! Eu piraria também. Sou fã dos dois lados, tanto do Rap quanto de HQs. Até o momento, quem a gente entrou em contato curtiu muito. A Negra Li até divulgou, o que é muito legal, por que eles são os homenageados, né?! E se eles estão gostando, a gente tá feliz.
Load: Está sendo muito massa, não só pelos que estão sendo homenageados, mas pelos que estão acompanhando e ansiosos pra ver quando sai o deles. E o Emicida já tinha pirado no dele, aliás, ele é um “Marvete” então sabia que ele ia gostar!

GG: O projeto ainda está em andamento, vocês pretendem lançar quantos heróis? O trabalho será exposto em alguma galeria?
Loud: Estamos com o plano de fazer 10 personalidades, mas com probabilidade de fazer uma parte dois e ainda tem muita gente que vai ficar de fora dessa primeira leva. Estamos querendo expor em alguma galeria ou algum lugar que tenha a ver com o tema, não fomos atrás disso ainda, mas com certeza vai rolar algo bem bacana.

Sabotage Dr Manhattan

O falecido rapper Sabotage como Dr Manhattan de Watchmen

GG: Como vocês enxergam o mercado de HQ’s no Brasil? Vocês acham que há uma grande presença de negros (tanto como protagonistas como quem cria) ou há uma carência em questão de representatividade?
Loud: Acho que o mercado de HQ’s no Brasil vem crescendo nos últimos anos, mas infelizmente não vejo uma representatividade expressiva de negros nem de mulheres. Eles existem, mas ainda é um número que pode melhorar e muito. A gente que é leitor de quadrinhos no Brasil e no mundo só tem a ganhar quando acontece uma inclusão por parte dos artistas. É importante pra todo mundo se sentir representado tanto em HQ, cinema, televisão, música, etc.
Load: Além de não ver tudo que o Loud comentou e assino em baixo, existe um ego que acaba atrapalhando o mercado que já é pequeno, se todos se ajudassem a fazer um meio mais saudável seria mais fácil de ver a cena crescer aqui no Brasil, mas que já vem crescendo, aliás, temos o maior artist alley do mundo, e não temos tanta representatividade.

GG: Vocês pensam em fazer uma HQ completa com esses heróis? Pois eu adoraria ver o Emicida pulando de prédios por aí lançando teias como Miles Morales!
Loud: E eu adoraria desenhá-la,hahahaha Seria demais! Não pensamos isso, até porque precisaríamos de autorização do pessoal e tudo mais. Mas quem sabe não vem um projeto maneiro assim mais pra frente, né?

 

Drik Barbosa Riri Williams

Drik Barbosa como Riri Williams

 

Para conferir mais sobre o Rap em Quadrinhos você pode acessar nas contas do Instagram e Twitter do Loud.

Quem escreve? Gih

Jornalista, editora de vídeo e podcaster. Fala de games, coisas nerds e é uma enciclopédia de curiosidades aleatórias. É magical girl nas horas vagas e pode encontra-lá no twitter @giovannabreve falando sobre memes e gatinhos.