Placas Tectônicas, uma Graphic Novel sobre a versatilidade feminina

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E provavelmente a GN feminina mais divertida que você já leu.

De autoria da fofa e espirituosa desenhista e quadrinista francesa Margaux Motin, Placas Tectônicas é uma Graphic Novel – em português Romance Gráfico – publicada no Brasil pela Editora Nemo, a primeira GN da autora publicada no país, inclusive.

Capa linda <3

Capa linda <3

A descrição da Nemo sobre ela já deixa o interesse levemente aguçado:

Aos 35 anos, Margaux Motin narra os erros e acertos que abalaram sua existência em páginas repletas de humor e realidade. Uma separação e um novo amor mudam radicalmente sua vida de mulher com trinta e poucos anos de idade; uma época em que decisões abruptas podem levar a consequências desastrosas.

A empresa fez também um vídeo de promoção do livro, que vocês podem verificar a seguir:

Fofo ou fofo? Se decidam.

Placas Tectônicas é aquele tipo de publicação que logo à primeira vista te prende: os traços são lindos, a coloração é encantadora, a história é muito caprichadinha e bastante engraçada. Várias situações nos quadrinhos são de identificação imediata, tanto se você for mulher quanto se viver com uma. E a comicidade disso mora exatamente na honesta simplicidade com que a história é feita, afinal de contas até mesmo aqueles pequenos detalhes da vida cotidiana são de fazer gargalhar (e não é segredo pra ninguém o quanto eu amo essas comédias cotidianas).

A leitura é bastante fluida, não importa de onde você pegue o livro pra ler: seja do meio ou do fim, é impossível não se entreter com os quadrinhos. A verdade é que eu li numa sentada só, de tão imersa que fiquei na história. Mais que uma mera distração, Placas Tectônicas foi quase um espelho de algumas situações pessoais que já vivi ou que ainda pretendo viver. Ou de coisas não planejadas que podem acontecer, queira ou não. Assim é a vida.

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Não é todo mundo que agenda ter filhos, ou sabe como lidar com eles em todas as possíveis situações, não é mesmo? 8D

Pra quem gosta de romances daqueles em que a protagonista passa por reconhecimentos pessoais na idade adulta (como no filme “Comer, Rezar, Amar”, por exemplo), essa GN acaba tomando um cantinho especial do coração. Pra quem curte a arte do desenho, a coisa toda fica mais especial ainda. Mas olha, eu confesso: o que mais me deixou apaixonada pela história nesse processo de auto-descoberta foi a maneira como a Margaux lida com seu passado de forma libertadora. Ela deixa o ex-marido e com ele as necessidades que tinha de viver para agradá-lo. Passa a se permitir vestir da maneira que quiser, falar o que quiser, agir como desse na telha. E pra mim, com certeza, não há nada mais poético que uma mulher que não se prende às convenções sociais.

<3

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Nesse ponto, outra coisa que me deixou muito feliz  foi perceber que, ao contrário de muitas comics que passam longe de palavras polêmicas como “feminismo”, Placas Tectônicas foi de voadora bem na cabecinha da tarraxa, acertando em cheio na causa, deixando a feminista aqui emocionada:

Quer ser ~bela, recatada e do lar~? Seja feliz! Não quer? Seja feliz!

Eu digo e sempre repito: feminismo é um movimento social muito amplo, cheio de diferentes vertentes. E eu não posso falar por todas elas. Mas a parte que eu acho mais importante de todo esse complexo sistema é só isso: permitir que a mulher perceba que ela pode ser feliz fazendo o que bem entender. E, como diz a Aline Valek, isso vale para ser “amável” ou falar palavrão, fazer sexo ou não fazer, se depilar ou não depilar, usar cabelo grande ou curto, “encontrar um homem” ou ficar solteira, sair com vários caras ou preferir mulheres, ter filhos ou não ter, gostar de maquiagem ou não (e por aí vai em todas as regras que cagam ou possam vir a cagar sobre nossas vidas).

E claro, saber lidar com os altos e baixos sempre guardando lá no fundo a esperança de que no final tudo dá certo. Que ninguém precisa ser perfeito, e que não há nada mais libertador do que ser quem você realmente é. Saber que mudar dói mesmo mas que com o tempo a dor passa. Saber que maternidade é uma coisa muito cheia de pressões: mamães podem se sentir mal de vez em quando sim, mamães podem se sentir sobrecarregadas sim – nada disso diminui suas capacidades como mães ou o amor delas pelos filhos. Assim como várias outras pequenas e grandes ideias semelhantes que vão inundando a narrativa de uma forma deliciosa de se ler e apreciar.

Como lidar?

Quem não se emociona com essa cena de Mamma Mia, né? <3

A autora é realmente sensacional e a cada novo quadrinho a admiração por ela vai crescendo. Eu que amo quadrinhos tenho a autora como inspiração! Vou torcer muito pra Nemo trazer os demais livros dela <3

margaux - nemo

Como não amar?

Por fim, posso garantir que é uma leitura, sem adjetivos mais cabíveis, maravilhosa.

Os links para compra online podem ser verificados no site da Grupo Autêntica, a GN está sendo vendida pelo valor de R$59,90 (algumas lojas como a Saraiva, a Submarino e principalmente a FNAC estão com promoções super bacanas no preço!). O livro tem 256 páginas de puro amor, em acabamento brochura.

Acredite, vale a pena.

Quem escreve? Liao

Débora é musicista, pesquisadora e otaku (não fedida, prometo). 1/3 gamer, 100% sonserina. A alcunha de Liao veio de um site aleatório de geração de nomes japoneses (Liao é chinês, mas tudo bem).