Persona 5: vale ou não as 100 horas de jogo deste RPG japonês?

persona 5 destaque

Livre de Spoilers!

Persona 5 é um RPG Japonês com batalhas de turno lançado no final do ano passado no Japão e em abril desse ano aqui no ocidente. O título segue as publicações dentro da franquia Megami Tensei e, cronologicamente falando, o 6º da série principal de Persona.

O jogo saiu com bastante estardalhaço tanto no Japão quanto aqui no ocidente e conta atualmente com nota 93 no metascore e 9 no voto popular, ficando abaixo apenas de grandes nomes como The Last of Us (Remaster)  e GTA V no Playstation 4.

Isso signfica que, no Playstation 4, Persona 5 já superou (em notas, claro) games como The Witcher 3,  Journey, Uncharted e até o conterrâneo Metal Gear Solid V.

persona 5 trophy

Para aqueles que estão torcendo pelo título de Game of The Year, é bom saber que Persona 5 está abaixo apenas de Zelda: BoF (Switch), ficando à frente de Horizon (PS4), Undertale (PS4), NIeR (PS4) e Destiny 2 (PS4).

E, se as previsões são tão boas, a pergunta que fica é: vale a pena jogar as mais de 100 horas de gameplay?

Particularmente, nunca direi que um jogo não vale a pena, mesmo que eu tenha sinceramente odiado cada segundo dele (acontece…). As experiências são individuais e, no máximo, podemos indicar o que é ou não interesse no título. Portanto, é exatamente isso o que farei agora:

NO GERAL…

Persona 5 é um jogo fabuloso, bem polido, bem amarrado, com plot desenvolvido, design fantástico e, de certo modo, nostálgico para quem já experimentou os antecessores da série.

Não há como negar que esse é um exemplar impecável de JRPG como há anos eu não jogava e, para fãs do estilo, está mais do que recomendado.

Isso, porém, não impede que o título tenha algumas (várias) ressalvas que precisem ser apontadas. Dito isso, vamos à lista de prós e contras de Persona 5:

Prós:

  • Personagens carismáticos;
  • Provavelmente um dos jogos mais estilosos que já joguei;
  • Constante evolução de gameplay;
  • Fiel ao estilo JRPG;
  • Curva de aprendizado bem definida;
  • Abre discussão para várias questões e embates morais de nosso cotidiano;
  • Aborda temas de relevância social;
  • Comparado com os outros títulos da série, há uma variedade infinita de ações para a vida social;
  • Boa rejogabilidade;
  • Mais de 100 horas de jogo garantidas;
  • Trophies desafiadores;
  • Social links aprimorados;
  • Sistema de captura de Personas também aprimorado;
  • Possibilidade de jogo com áudio original;
  • Side Missions infinitas para quem gosta de completar o jogo 100%;
  • Um dos melhores menus que já vi em jogos (em termos de design);
  • Ótima trilha sonora;
  • Load rápido;
  • Reprodução de ambientes fidedignos japoneses;
  • Grande variedade de visual e estratégia para inimigos.

Contras:

  • Infelizmente os diálogos são repetitivos a partir da metade do jogo em diante;
  • Batalhas tornam-se cansativas dentro das dungeons;
  • Puzzles limitados e repetitivos dentro de uma mesma dungeon;
  • A história é recheada de pontos previsíveis que minam boa parte da surpresa do plot;
  • Ritmo desigual da história e jogabilidade quando comparamos o início e o final;
  • Suas escolhas não refletem no andamento da história principal;
  • Não explora o gráfico fantástico em várias cenas propícias, dando preferência para diálogos estáticos entre os personagens;
  • Nunca teremos uma versão “P5p” com personagem jogável feminina e romance com os garotos 🙁 ;
  • Função Share desabilitada no PS4;
  • A tradução peca em váaaaaarias partes do jogo, dando sentidos completamente diferentes do original para algumas falas de personagens;
  • O jogo cai em alguns clichês chatos de objetificação das personagens femininas e representação jocosa de personagens LGBT que vemos repetidos à exaustão em animes e mangás.

persona 5 lgbt

Como dá para ver, o jogo tem muito mais prós do que contras, apesar de boa parte dos contras aparecer apenas da metade do jogo em diante (quando os personagens começam a repetir o diálogo e explicar coisas que você já cansou de ver e ler).

persona 5 review

Uma das coisas que mais me incomodou em Persona 5, depois da previsibilidade do plot (sobre o qual eu falarei já já), é a constante objetificação de algumas personagens femininas. E não, nem estou reclamando das roupas de látex com decotes enormes, os tentáculos que erguem uma menina de aproximados 15 anos de maneira bem suspeita, ou as cenas que focam nos seios e quadris das garotas de biquíni. Estou falando do fato do jogo abordar exatamente como o abuso sexual por parte dos adultos deixa sequelas psicológicas e físicas mas, nas cenas seguintes, achar que está tudo bem quando é um personagem menor de idade a reproduzir ações de assédio.

Enfim.

A respeito do plot, é interessante notar que Persona 5 resgata um tanto da vibe do P3 em um ambiente muito mais dinâmico e alinhado com nossas realidades. Toda a história do jogo é bem direcionada, mas um tanto óbvia se você está lendo todas as infinitas linhas de diálogo dos personagens.

Persona 5

Fiquei bastante decepcionada quando percebi que o jogo seguia linhas previsíveis para o plotline e, o fato de não poder alterar o andamento da história, só nos recheia de frustração (principalmente quando você sabe que o que está fazendo VAI dar errado e não tem como escapar daquilo).

Não precisa ser muito adivinha em Persona 5. Basta ter jogado outros JRPGs para se dar conta de cenas e viradas que já vimos em outros títulos (ainda vale o clichê do mundo de 4 dimensões que vira ao avesso e entra no estômago de um polvo intergalático que te coloca para lutar contra o criador dos Universos como último chefão que geralmente vemos em todo JRPG). Não só isso, o jogo literalmente joga na sua cara os spoilers dele mesmo. É como se alguém perguntasse em uma cena: “Quem é o vilão?” e na cena seguinte aparecesse uma pessoa rindo maleficamente. Não, o jogo não vai tentar te enganar, essa pessoa provavelmente será a vilã.

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Apesar de tudo, o jogo é muito bom. É bom para pensar, é bom para se divertir, é bom para nutrir os social links e experimentar a linha de cada NPC, é bom para revisitar o gênero do JRPG, é bom para ouvir a dublagem maravilhosa em japonês, é um bom desafio para quem gosta de jogar nas dificuldades mais altas e, claro, é uma boa chance de pegar platina.

Completando todas as ações, diálogos, dungeons e atividades extras do jogo, levei um total de 95 horas na primeira vez (hard) e outras 15 horas para o NG+(easy) com foco na conquista de todos os troféus da Playstation. Para quem quer o desafio, pode se preparar para passar longas horas nas masmorras do submundo capturando pokemons personas.

No final das contas, Persona 5 é imenso, é divertido e é uma ótima adição na sua biblioteca de jogos.

E você? O que achou? Discorda de algum contra? Quer adicionar algum pro? Comenta aí (mas sem spoilers! ;))

Quem escreve? Laura Ribeiro

Mineira, adepta da moda Lolita, jornalista e escritora. Fanática por Final Fantasy Tactics e certa de que não há melhor narrativa no mundo dos jogos.Comecei com o game Boy, mas hoje o xodózinho é o PS4. Jogo de tudo: desde Tetris até romance com pombos, sem preconceitos.