O que achamos do filme Rogue One: Uma história Star Wars

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O primeiro Stand Alone da saga tem muito a dizer

Este review contém MÍNIMOS spoilers sobre o filme, como sua trama central mostrada em resumos dos sites e trailers, e algumas considerações da autora, claro. Se você já viu trailers e sabe mais ou menos sobre o que Rogue One se trata, você pode ler a vontade. Se você não quer saber ABSOLUTAMENTE nada, feche a página, esse não é o texto que você procura.

Rogue One parte de um princípio: contar o outro lado da história que não é vista em Uma Nova Esperança. Ou seja, o foco aqui é mostrar como foi desenvolvida a Estrela da Morte e como os rebeldes conseguiram a informação que Luke usa para destruir a nave-arma. Então, sim, para realmente compreender a história vale a pena conhecer a trilogia original de Star Wars. Para os amantes mais apaixonados, a abundância de easter eggs não vai decepcionar.

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Por conta dessa premissa, existem algumas diretrizes no filme que me fazem pensar nas prequelas, especialmente o filme 3, criado por George Lucas. Por exemplo, como funciona a passagem de um universo calcado em democracia para o terror do Império em Uma Nova Esperança? Essa era uma resposta que esperávamos de Vingança dos Sith – o filme até começou a nos explicar, mas você sabe como é – que só fica realmente solidificada em Rogue One. O filme dirigido por Gareth Edwards tem alguns méritos importantes, especialmente dentro do universo de Star Wars, e talvez o mais importante seja exatamente mostrar a face mais sombria da guerra.

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Tudo no filme é mais maduro, os rebeldes, por exemplo, não são uma unidade fofa que se ama e canta kumbaya enquanto parte para destruir o Império. Eles têm divergências políticas, algumas boas ideias não serão aceitas a priori apenas porque alguém as achou boas. Nem toda pessoa que está do lado considerado bom faz apenas coisas consideradas moralmente certas, inclusive isso existia com Han Solo, que atirou primeiro, antes de a cena ser modificada.

No intuito de não atrapalhar a sua experiência, apenas coloco que Rogue One é uma experiência mais madura. Assim, não vá ao cinema esperando apenas sorrisos entre explosões grandiosas. Mas, sim, espere alguns sorrisos e explosões grandiosas em meio a temas mais adultos.

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Para continuar uma nova tradição iniciada em O Despertar da Força e comentada por diversos produtores, o novo filme tem um elenco diverso. Jyn Erso é a esperta protagonista; há um piloto renegado, cujo ator tem ascendência muçulmana; um monge cego incrível e seu parceiro de luta, ambos interpretados por atores chineses. E há um novo robô como alívio cômico – sim, a obra conta com muitos tropos comuns ao universo de Star Wars, e se você curte como eles funcionam geralmente, vai apreciá-los em Rogue One também. Assim como há o mentor, o órfão, etc. E, sim, Darth Vader faz uma ponta, e é incrível.

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Assim, o que chama a atenção não são as características que você espera de um filme de Star Wars, mas aquilo que você não aguarda. O filme, contudo, não é perfeito, e, sinceramente não sei se podemos considerar nada algo intocável. Para mim, algumas partes são explicativas demais, do tipo: “Olha, vamos te dizer aqui, de novo, o que vamos fazer agora, só para ter certeza que você entendeu”. Isso incomoda um pouco e tira o ritmo das cenas. Alguns personagens criados em CGI não devem passar pelo crivo de todos, e me incomodaram um pouco.

Contudo, mesmo assim, Rogue One é memorável. Especialmente elogiável por fazer o fã da saga meditar sobre seus temas, além de torcer na sua cadeira nas suas cenas de ação. Além de comentar pontas soltas que até agora não tinham sido explicadas.

Ah, e cuidado com os spoilers nos comentários! <3

Quem escreve? Flávia Gasi

Flávia Gasi é doutoranda e mestre pela PUC-SP. Lançou o livro Videogames e Mitologia. Atualmente é colunista do IGN Brasil, escritora de videogames; CEO da Ni Game Content; professora; e tradutora. Defende a democratização dos consoles, direitos iguais no game e o direito de comer sucrilhos sem leite.