Criadores do tower defense, Magic Master contam como tudo começou!

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Em uma conversa super amigável, o CEO da Mopix conta tudo sobre a criação do game!

O Magic Master é um jogo para Android e iOS, que mistura elementos de ação, tower defense e estratégia. O game, criado por uma equipe de desenvolvedores de Minas Gerais, foi lançado exclusivamente no Brasil no dia 1 de setembro durante a Brasil Game Show. Enquanto isso, o diretor da Mopix, Raoni Dorim, que é também professor de jogos na universidado FUMEC de Belo Horizonte, aceitou o nosso convite para um entrevista e falou um pouco sobre o Magic Master e o processo de criação.

Confira o trailer do jogo!

Você poderia nos contar um pouco sobre a origem da empresa de vocês?

A Mopix começou em maio de 2014, dentro de um quarto do meu apartamento, no início era só eu e um amigo, o Alessandro Russo, que é programador. Nosso primeiro jogo foi o Pirate Clickers, que levou cinco meses pra ficar pronto! Eu trabalhava como professor, e junto com a minha esposa financiamos o estúdio, não foi nada fácil, nós faziamos sozinhos o que era preciso, quando precisávamos da arte, era a gente que desenhava, se precisava de dublagem, a gente fazia também, por conta do orçamento. Hoje a empresa tem cinco funcionário e acabamos de lançar o nosso primeiro grande jogo: Magic Master!

Como foi o desenvolvimento do Magic Master, e como surgiu a ideia do jogo?

O Magic Master começou com o Alessandro, era uma ideia maluca de fazer o jogador ter o poder na ponta dos dedos, através do “swipe gesture” (gestos com o dedo). Eu achei fantástico, só que complicado de por em prática, nós precisaríamos de uma equipe maior pra fazer tudo isso funcionar, mas guardamos a ideia. O Alê ficou com isso na cabeça, e acabou criando um protótipo, com um resultado realmente incrível… Mas ainda assim era difícil de executar, porque o protótipo funcionava, mas o jogo completo seria imenso, nós ainda não tinhamos uma equipe pra trabalhar nele. Fui pra casa, pensei bastante, e tive uma ideia. Liguei pro Alê e disse, “vamos fazer o jogo em silhuetas”, ele pensou que talvez não funcionasse, que não ia ficar bom esteticamente. Passei uma noite em claro fazendo uma ilustração conceitual do jogo e pela manhã mostrei a ideia pra ele. No fim das contas nós gostamos do resultado, a silhueta realmente casou com a ideia, ela dá um tom de mistério ao jogo, e permite ao jogador se projetar no personagem, que é o mago no alto da torre. Além disso, a silhueta é mais prática, porque não precisa de muito trabalho de acabamento final e cores. Eu planejei que o Magic Master ficaria pronto em seis meses, terminamos em um ano. Levamos para o BGS, 2015, encontramos muita gente, como o pessoal da Come 2 Us, o diretor do Youtube, que disseram que o jogo tinha potencial mas estava pequeno, ele precisava de fases, de chefões. Voltamos pra pra casa, pra prancheta, trabalhamos, conseguimos uma equipe, e hoje o jogo está ai!

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Como foi o financiamento do Magic Master, e como vocês obtem retorno de um jogo gratuito?

Quando o nosso sócio de marketing entrou, que é o Marcelo Faria, ele chegou ajudando a gente com uma campanha de financiamento coletivo. Primeiro pensamos em pedir a quantia de 35mil reais pra fazer a campanha de financiamento no Kickante, mas após conversar com vários autores de campanhas similares resolvemos estabelecer uma meta de 10 mil reais pra financiar o Magic Master e apertamos o orçamento. Jogos enquanto estão sendo produzidos não geram lucro, passamos dois anos desenvolvendo e investindo do bolso o que a gente não obteve na campanha. Quanto ao retorno, o Magic Master o modelo de negócios chamado: Freemium, que quer dizer que ele é gratuito, o que atrai usuários, mas gera lucro com a compra de itens no aplicativo, e anúncios incentivados. Vale ressaltar que nem a compra, nem os anúncios são obrigatórios, mas é uma forma de ter um retorno do investimento.

Não renegue a sua essência e vá atrás do seu sonho, porque quando a gente trabalha duro, não há nada e nem ninguém que possa te impedir de alcançar o objetivo.

O que é preciso para se orientar no mercado de jogos digitais no Brasi?

Nós encontramos dois programas de aceleração de empresas, que são o Core Labs no Vale do Silício, e o Game Founders na Malásia. O objetivo desses dois programas é “educar” desenvolvedores ao redor do mundo sobre o mercado internacional de games. Os programas possuem mentores famosos na indústria mundial, com altíssimo nível de experiência na área, eles são executivos de empresas como: Sega, Atari, Playstation da Sony, XBOX, Nintendo, Electronic Arts e várias outras. Conheci muita gente bacana durante as conferências, conversei pessoalmente com o fundador da PlayStation e da divisão XBOX, são os caras “grisalhos”, que foram coleguinhas de garagem, que começaram de baixo, os primeiros! Estamos agora em Kuala Lumpur, na Malásia, no programa: Game Founders. Vamos ficar aqui 3 meses vivendo uma super imersão e vamos voltar com uma bagagem incrível! Eu sei bem que o mercado de jogos é difícil, e essa viagem me deu uma missão de vida, porque eu percebi que posso ajudar muitas pessoas, ajudar gente como eu, artistas e programadores com potencial que não tiveram o mesmo acesso ao mercado assim como eu. Acredito que posso dividir pra multiplicar e assim ajudo a construir o nosso ecossistema na área.

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Da sua experiência, como você vê a representatividade feminina no mundo dos jogos?

Pra falar a verdade a visão das pessoas ainda não amadureceu muito nesse assunto, hoje no Brasil o público feminino é maior até que o masculino, mas essa área precisa ser desbravada pelas mulheres, porque algumas pessoas ainda pensam que um jogo precisa ser rosa e falar sobre moda pra que elas possam jogar. Precisamos amadurecer. Mas as mulheres estão ai, pra dar um exemplo, a CEO do Game Founders é uma mulher, e a vice-diretora também. Fora do Brasil isto já é uma realidade e existem muitas provas de que existe um mercado crescente exclusivamente para o público feminino. Cabe às nossas mulheres desbravar e aproveitar esta oportunidade de negócio.

Vocês pretendem exapandir o Magic Master para outras plataformas como PC e consoles?

Cada plataforma que a gente escolhe lançar dá muito trabalho, e leva tempo. A nossa primeira expansão nos próximos meses vai ser na plataforma da Amazon (Amazon Underground), e o segundo passo será para PC. Cada lançamento precisa do seu tempo pra um não ser ofuscado um pelo outro. Por isso, vamos ver primeiro analisar os resultados no Android e no IOS para saber como vai ser. O jogo precisa crescer, precisamos criar mais fases, mais “guloseimas”, minha expectativa é de trabalhar no Magic Master por mais 1 ou 2 anos dependendo do retorno que o jogo tiver. Por isso,  já temos mais projetos e outras cartas na manga!

O que você tem a dizer para pessoas que querem seguir o mesmo caminho que a Mopix com uma empresa de jogos digitais?

Cada jogo que você desenvolver oferece um alto risco pro seu negócio por causa do tempo para que o produto fique pronto. O timing de lançamento também é muito importante, como por exemplo, lançar o produto no momento certo, e usar a plataforma certa pode fazer a diferença entre trocados e milhões. Meu sonho é poder exportar nosso produdo, nossa tecnologia, nossa alegria brasileira! Você vai levar muitos anos de profissão pra aprender o valor do trabalho duro, de qualidade e vai estudar várias tecnologias. Nem sempre o caminho vai ser fácil, eu sei. Esta é uma indústria onde os consumidores prezam pela qualidade, pelo volume de conteúdo e pela diversão. Se você quer ser bem sucedido nesta área, vai fundo… Não renegue a sua essência e vá atrás do seu sonho, porque quando a gente trabalha duro, não há nada e nem ninguém que possa te impedir de alcançar o objetivo. Quanto tempo está disposto a lutar pelo seu sonho?

O Magic Master tem recebido excelentes avaliações no aplicativo, e é gratuito para Android e iOS, então não deixe conferir!

 

Quem escreve? Jaque

Estudante de design e ilustração, é levemente viciada em café e possui residência fixa no reino de Hyrule. Amante de ficção fantástica e MMORPG, vez e outra se encontra escrevendo parágrafos aleatórios na esperança de que algum dia tudo faça sentido, tenha capa ilustrada e complete uma trilogia sobre elfos, anões e dragões.