Livros de ficção nacional apresentam heroína negra e um Brasil distópico do século 25

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Só o prólogo já dá um gostinho da emoção!

Eu adoro ler escritores nacionais, ainda mais quando a história se passa no Brasil mesmo. Me sinto mais próxima de tudo o que estou lendo. E recentemente conheci o trabalho da Lu Ain-Zaila, que tem uma duologia distópica, (In)Verdades e (R)Evolução, que se passa no século 25, e é cheia de revolução, ação e coloca a gente para pensar no que acontece hoje em dia em todos os aspectos, político, social, ambiental, tudo!

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Ao longo de muitos anos catástofres naturais foram transformando o mundo, e o território brasileiro ficou completamente mudado. Não existe mais litoral, o sul é um corredor de tornados, cidades caíram, e com isso o jeito de viver em sociedade também mudou. O livro se passa em 2407 e a personagem principal é Ena, uma garota negra que está em busca de descobrir algumas verdades sobre o passado.

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A história é muito bem pensada e construída, afinal refazer todo um sistema de governo, fronteiras e a sociedade brasileira não é uma tarefa fácil. Mas a autora soube lidar muito bem com isso. Para entendermos o que aconteceu e está acontecendo no Brasil, o prólogo é feito com notícias de jornais e depoimentos de sobreviventes, e até dá para ficar sem fôlego.

Lu conta que teve a ideia para escrever os livros pois buscava por representatividade na literatura, e isso foi a base para sua escrita: “Incutir esse conceito na escrita tem a ver com respeitar as singularidades humanas e
apresentá-las sem que isso as defina por si só. São personagens, pessoas com vida e
interesses dos mais variados. Portanto, a questão não é simplesmente incluir cis, trans, brancos,
negros, indígenas e outras etnias, mas fazê-lo de forma que respeite suas identidades e
características, não importa se estão do lado do heroísmo ou da vilania, por assim dizer, não
devem ser estereotipados para suprir uma ideia torpe de superioridade, e é exatamente isso o
que acontece em Brasil 2408. A diversidade dos lugares de protagonismo alcança a todos“.

Os livros serão oficialmente lançados na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, e eu se fosse você não deixava de ler! E além da história ser muito boa, eu amei essas capas!

Quem escreve? Gabi Orsini

Aspirante a jornalista e bailarina. Conversa até com poste e acha que sabe cantar. Desde que descobriram que é uma sereia, não esconde mais isso. Ama tirar fotos e por o pé na estrada. Tem o dom de ler em qualquer hora e lugar. Blogueira no tempo livre. Sonserina sim.