Livro ‘A Garota com a Tribal nas Costas’ é sobre Amy Schumer – e você também!

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Uma dica para quem está procurando uma leitura divertida!

Eu não conhecia Amy Schumer antes de ler esse livro. Quer dizer, eu sabia quem ela era. Li algumas coisas supostamente ditas por ela e até conhecia o seu programa de televisão e filme, mas… Nunca me aprofundei em quem era a Amy, além do seu trabalho. E talvez, você também não conheça, a protagonista do filme ‘Descompensada’. Amy Schumer estourou na mídia americana em 2015/2016 e conquistou o público internacional com a sua comédia sincera, ácida e sarcástica.

Resolvi dar uma chance à Amy e ao seu livro ‘A Garota com a Tribal nas Costas’, para desmitificar a impressão que tinha dela. Principalmente após ler uma resenha comparando o livro dela com o ‘Não sou uma dessas’ da Lena Dunham. Não preciso dizer: Eu amei esse livro! 

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Amy não colore a sua história. Em nenhum momento. Em alguns livros biográficos dá para sentir quando a caneta pende para uma moral da história ou fantasiar um pouco uma situação polêmica. Nessa leitura, isso raramente ocorre, e se ocorre, é administrado brilhantemente com um tom cômico e ácido da comediante. Ela relata a verdade nua e crua em um livro altamente biográfico sobre sua vida, sem perder um tom cômico e ácido ao tratar de assuntos como machismo, carreira, família, abuso verbal e físico e sua sexualidade.

Um dos meus capítulos favoritos Amy conta a sua batalha em ser comediante e introvertida (e foi nesse capítulo que decidi amar esse livro e Amy FOREVER). Ela relata como é desgastante estar entre as pessoas e ser introvertida – e o pior, não ser compreendida por conta disso. Ela expõe a luta diária de explicar as pessoas mais próximas que quando nos afastamos (sim, estou me englobando nessa situação!), não é por estarmos com raiva de uma pessoa ou mal humorada ou pior, depressiva, mas por estarmos sem uma gota de energia para gastar e precisarmos no recarregar, como um celular, ou entraremos em curto.  Ler esse capítulo traz um acalento ao coração dos introvertidos que facilmente, se sentirão representados e compreendidos.

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Amy traz à tona algumas páginas dos seus diários escritos ao longo da sua adolescência, e utiliza as notas de rodapé para debochar e retirar lições de sua versão mais nova bem mimada e sem um pingo de responsabilidade.

Quando a autora trata de sua família e um dos seus relacionamentos abusivos, o tom da narrativa muda, mesclando com a ironia da vida e o humor da autora. No entanto, ela busca relatar com certa secura e sem minúcias a realidade por trás de um divórcio, aos olhos da filha do meio, a doença degenerativa destruindo a imagem que ela tinha de um ente querido, a responsabilidade de ter uma irmã mais nova e quando é hora de pular fora de um relacionamento e aprender a se amar.

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Além de capítulos contando um pouco sobre a sua criação tipicamente americana, como a sua família foi da classe rica à classe média pobre, e como passeou pela cleptomania apenas pela adrenalina e atrair a atenção dos pais. Os seus relacionamentos, em boa parte, começavam por conta de uma carência e terminavam por Amy perceber que merecia mais do que recebia. E mesmo tendo alguns privilégios, Amy trabalhou de garçonete, abriu pequenos shows de comédia em que, de acordo com ela mesma, era péssima e só os seus amigos iam porque ela precisava deles para ter esse espaço.

Amy também passeia por questões como o machismo mascarado por trás da carreira de comediante e atriz, fala sobre o seu peso, como ela precisou batalhar para conseguir um pouquinho de destaque e chegar onde chegou e todos os sapos que precisou engolir e agora não engole mais, pois ela descobriu que não precisa. E é claro, um capítulo sobre a tal tatuagem tribal nas suas costas e o seu significado para ela e como as pessoas mistificam uma pessoa, apenas por um detalhe cravado em sua pele ou sua aparência – ou por não compreender sarcasmo com maestria.

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Se você não conhece Amy Schumer, o livro não te atrairá em um primeiro momento,  mas o seu conteúdo e humor é um atraente. Se você leu livros como ‘Não Sou uma Dessas’ ou qualquer coisa da Tina Fey, certamente, esse livro é um must – e talvez, Amy acabe ganhando um fã no processo. De nada, Schumer!

O livro agrega 36 capítulos e 334 páginas com uma linguagem gostosa de ler, ao ponto de facilmente ir te atraindo a virar a próxima página. O livro tem uma diagramação simples e algumas fotos da vida de Amy. Tudo bem bonitinho. Encontrei apenas dois errinhos de revisão que as altas horas da madrugada me levou a questionar o meu conhecimento de português e me obrigar a ir dormir. Após essa leitura, eu me senti no direito de dizer: eu sou amiga de Amy ou ao menos, sou uma versão da comediante, só que brasileira, morena e menos degustadora de vinho.

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E a moral da história é: Compre um livro pela sua capa ou por uma comparação fidedigna, mas jamais, pense que sabe tudo sobre o seu conteúdo por causa disso. Você pode ser surpreendido – ou não!

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Brincaderinha!

Quem escreve? Barbara Herdy

Escritora, blogueira, tradutora, moody, hobbit, caçadora de relíquias, 1840's Kid, gamer, hipster, Rainha perdida e Jane Austen me entenderia, mates.