E salve seus amigos da gangue Hipocritics!

Amanda Sparks and the Shade Forest é um jogo de plataforma 2D  em pixel art que veio trazer diversidade para o mundo dos games. O jogo foi desenvolvido por Henrique Oliveira, também conhecido como Amanda Sparks – José Henrique/Amanda Sparks é drag queen e game designer. Ela foi a responsável pela arte, programação, design, animação e publicação do jogo.

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Com o estilo clássico dos games dos anos 90, e na pele da heroína drag Amanda Sparks, você precisa salvar os seus amigos Gogo Boys e Drag Queens da gangue Hipocritics (amamos esse nome). Você pode desbloquear roupas e personagens, fazer upgrades nos poderes de Amanda e lutar contra um grande número de inimigos. O  game é repleto de referências ao universo LGBT e à cena Drag nacional e internacional, e tem como objetivo trazer mais diversidade ao cenário gamer!

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Confira abaixo a entrevista com a criadora do jogo, Amanda Sparks. Ela fala um pouco como foi criar Amanda Sparks and the Shade Forest, sobre a importância da representatividade e diversidade no mundo dos games e dicas de como criar um(a) personagem LGBT.

Amanda Sparks
Amanda Sparks

GG: Como foi desenvolver um jogo completamente sozinha? Quais foram as suas inspirações para fazer o jogo?

AS: Eu já tenho certa experiência em desenvolver coisas sozinha, desde cedo eu sou daquelas pessoas que quando quer muito fazer alguma coisa, aprende a fazer. Menos música, não sei fazer música =(

Mas foi tranquilo, a parte de animação, conceito e programação pelo menos, só a parte de testes que eu precisei de ajuda de alguns amigos, na minha cabeça, ainda mais depois de ter trabalhado nele por 1 ano, tudo parecia fácil, foi com os testes que eu percebi que não, que precisava dar uma diminuída na dificuldade.

Minhas inspirações foram jogos 2D dos anos 90, acho que mais especificamente os Monster Boy in Wonderland do Master, do Mega, os Super Mario Bros e etc. Eu ainda quero fazer uma versão do Shade Forest maior e mais elaborada, com fases distintas, colecionáveis, segredos, e etc, mas isso vai demorar ainda =(

GG: Você pode dar algum exemplo de jogo em que possuam personagens LGBT bem e mal representados?

AS: Eu considero que todos os personagens de Space Channel 5 são gays e maravilhosos e conto eles com representação também, haha. Mas eu acho que a melhor representação são em jogos onde você escolhe a sexualidade do personagem como quiser, como RPGS online e etc.

De mal representado a primeira referência que me vem à mente era um personagem secreto desbloqueável em Streets of Rage 3. Assim, nunca dá pra saber se ele foi colocado para realmente representar alguém ou para tirar sarro, eu imagino que seja o último.

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GG: Qual a importância da representatividade e diversidade no mundo dos games? E por que vemos tantas personagens estereotipadas?

AS: Eu acho a representatividade importante, e não vejo muuuuito problema em personagens estereotipados, acho que é uma herança de uma época onde os videogames tinham pouco recurso para passar história ou características detalhadas de um personagem e era mais fácil representar isso com imagens. Ex.: Dhalsim, sendo um indiano, é mais fácil fazer com que todos entendam que ele é indiano colocando com roupas tipicamente indianas, acho que o estereótipo faz parte de um ambiente lúdico como os videogames, claro que agora que eles tem uma dimensão mais cinematográfica e mais recursos de storytelling, os personagens podem ser mais elaborados sem apelar para estereótipos. Acho também que é questão de bom senso não levar isso para o mundo real, eu nunca chegaria em um indiano e perguntaria se ele algum dia já usou roupa do Dhalsim ou se tem colar de caveirinhas, por exemplo.

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GG: Quais dicas você pode dar para quem quer criar um personagem LGBT?

AS: Apenas crie o personagem, o fato dele ser LGBT pode ser a característica dominante, pode ser só um detalhe na história. Mas com bom senso, eu sinto hoje em dia que a representatividade é subjetiva, se você fizer um personagem gay que “não parece gay” podem te acusar de ser heteronormativo demais, se fizer um personagem muito flamboyant podem te acusar de estar usando estereótipos, mas a real é que os dois personagens existem no universo LGBT, além de muitos outros no meio deles, crie LGBTS heróis, LGBTS vilões, LGBTS NPCs.

No meu caso eu fiz um personagem baseado em mim, divertido, colorido, que combinasse com todo o design do jogo sem me preocupar (muito) em passar uma mensagem, embora ela exista e seja passada.

Assista ao trailer de Amanda Sparks and the Shade Forest:

Amanda Sparks and the Shade Forest está disponível gratuitamente para Android e iOS.

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