Jogos de Pokémon que muita gente ainda não jogou mas que super valem a tentativa!

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Muito joguinho super bacana! Todos criados por fãs.

A comunidade de jogadores de Pokémon já provou ser um dos mais dedicados grupos de fãs que a indústria do entretenimento já conheceu. Essa obstinação já se tornou parte da franquia. Para completar a PokéDex em Pokémon Ultra Sun/Ultra Moon, o jogador deve capturar nada menos que 807 monstrinhos, obrigatoriamente utilizando sistemas como troca, transferência de jogos anteriores e participação em eventos. Para montar um “time competitivo”, os jogadores de alto nível passam centenas de horas fazendo breeding, lutando e descobrindo novas estratégias e usos para os pokémon.

E apesar da quantidade incalculável de tempo exigida pela série principal de jogos, os fãs exigem ainda mais. E os fãs criam ainda mais.

Desde o início dos anos 2000, fãs com conhecimentos em programação e habilidades artísticas têm criado jogos não-oficiais de Pokémon na forma de “Hack ROMs”. Centenas desses jogos podem ser encontrados online gratuitamente. Algumas pessoas chegaram a inserir esses jogos em cartuchos de Game Boy, vendendo para consumidores desavisados. Muitos deles são recriações excepcionais de uma verdadeira experiência Pokémon. Outros, nem tanto. Alguns sequer tentam manter a autenticidade, favorecendo um humor pueril, violência ou nudez.

Mas alguns deles são verdadeiras gemas que merecem ser apreciados. E essa lista reúne alguns dos melhores jogos não-oficiais disponíveis na rede mundial de computadores. Todos eles criados por fãs.

Pokémon: Advanced Adventure

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A fórmula de Pokémon tem sido bem rígida desde o surgimento da série: Você recebe um Pokémon inicial, captura e evolui pokémons, enfrenta seu rival e os oito líderes de ginásio da região e ao final, enfrenta a Elite Four e o Campeão. Pokémon: Advanced Adventure, uma versão modificada de Pokémon LeafGreen, segue boa parte desta estrutura. Exceto pela parte em que seu rival, Gary, é um psicopata sanguinário que governa o mundo, e que a única forma de impedi-lo é derrotando seus oito malignos subordinados.

A história dá um tom bastante estranho ao jogo, como vocês devem imaginar. E não é a única escolha estranha feita pela história. O protagonista do jogo vem de uma família pobre, o que é explicado em detalhes durante o jogo. Em um certo momento, o Professor Carvalho afirma que seu personagem já passou uma semana comendo apenas terra para sobreviver. É brutal.

O jogo apresenta outra variação da fórmula de oito ginásios e elite four: Cada área que você explora é atormentada por um “Pokémon Tirano”, formas mutantes dos monstrinhos clássicos. Para completar o jogo, você tem que derrotar ou capturar esses Tiranos. Entre eles, é possível encontrar um Zangoose com garras de metal e um Arcanine com habilidades de água.

Pokémon Prism

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Apesar de a maioria das Hack ROMs serem feitas sobre os jogos da era do Game Boy Advanced, Pokémon Prism é uma versão modificada de Pokémon Gold, do Game Boy Color. O que é mais fascinante nesse jogo é o fato de conter os Pokémon das quatro primeiras gerações da série, o que acontece apenas em Diamond e Pearl, jogos lançados apenas para o Nintendo DS. E com isso, os Pokémons mais recentes foram graficamente simplificados para se adequarem à estética de 8-bits do jogo.

O jogo é ao mesmo tempo ambicioso e bizarro, com mini-games, segmentos de exploração lateral e até áreas em que você controla manualmente os Pokémons do seu time. Assim como em Advanced Adventure, sua pegada é peculiar. Em uma caverna, você tem que enfrentar um time de superpoderosos “Pallet Rangers”, com modelos inspirados nos Power Rangers. Infelizmente, Prism (assim como boa parte dos hacks ambiciosos) não foi finalizado e sua última atualização foi em 2010. Porém, a página do jogo no Facebook recebeu alguma atividade recentemente, o que pode indicar que mais conteúdo possa estar disponível em breve.

Pokémon AshGray

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Se você assistiu ao desenho original de Pokémon, AshGray é algo que você deve jogar. Essa versão modificada de FireRed segue a trama da primeira temporada do anime com uma incrível precisão. Diversos eventos familiares são apresentados: a parceria relutante de Ash com Pikachu, a fuga do bando de Spearow, o esquadrão Squirtle, a descoberta da vila escondida de Bulbasaur, sua sobrevivência aos eventos de St. Anne. Está tudo lá, e o jogo é interativo.

AshGray não te obriga a seguir os passos do protagonista da série – você pode capturar monstrinhos que ele nunca capturou no anime, e construir seu time como quiser. Mas a forma com que a história do jogo apresenta eventos baseados no desenho é realmente impressionante. E o jogo inclui cenas baseadas no primeiro filme de Pokémon, em que Ash morre e é ressuscitado pelas lágrimas de Pikachu.

Além disso, algumas das funções que eram cumpridas por movimentos Pokémon como Cut e Surf, são feitas utilizando ferramentas como uma balsa ou um facão. É um ato de misericórdia pelo qual seremos eternamente gratos.

AshGray não é a única ROM a tentar reproduzir cenas de outros meios da franquia. Pokémon Naranja é uma hack ROM em espanhol que tenta seguir os eventos da segunda temporada do anime, intitulada “Aventuras nas Ilhas Laranja”. Há ainda Pokémon Adventures Red, uma rom que segue a história do mangá original de Pokémon.

Pokémon Dark Rising

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Um tema recorrente em Hack ROMs é o aumento da dificuldade do jogo, e poucas delas levaram essa ideia tão a sério quanto Pokémon Dark Rising, uma modificação de Pokémon FireRed. Mesmo antes de chegar à segunda cidade do jogo, é difícil não ter sido derrubado pelo menos umas cinco ou seis vezes. E o jogo não fica mais fácil dali pra frente. Dark Rising te obriga a seguir um ritmo forte para manter o seu time no nível apropriado, do primeiro ginásio até a última batalha, em que você tem de enfrentar seis Pokémons lendários no nível 99. Boa sorte.

Mas a dificuldade não é o único foco de Dark Rising. O jogo contém Pokémons das cinco primeiras gerações de jogos, ataques e habilidades atualizadas e um mundo enorme a se explorar. O jogo faz jus ao nome, com uma história mais sombria e focada em parar uma entidade sinistra capaz de controlar as mentes dos treinadores Pokémon. É um projeto ambicioso, e que continua em sua sequência, ainda em Beta, que incorpora inclusive os Pokémons presentes nos jogos para 3DS, X e Y.

Além disso, todos os iniciais são do tipo Dragão, o que dá uma mudada no ritmo de jogo.

Pokémon Fusion Generation

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Imagine um mundo Pokémon em que Bill, o estranho criador do sistema de armazenamento Pokémon, ultrapassou todos os limites éticos da ciência moderna, criando monstruosos Poké-híbridos contra a vontade de Arceus. Esse é Pokémon Fusion Generation, um jogo feito por fãs em que você pode capturar e treinar Pokémons de diversas gerações, assim como 100 novos monstrinhos que são resultado de fusões.

Os Pokémons “novos” foram criados com o aplicativo web Pokémon Fusion, e adicionam um fator estratégico ao jogo, uma vez que você nunca tem certeza sobre quais atributos foram passados para as fusões quando enfrenta uma dessas criaturas. O jogo também aborda o aspecto ético das fusões… Ou devemos dizer, antiéticos? A máquina de Bill literalmente combina duas criaturinhas em uma, destruindo uma delas no processo. Ou será que as duas são destruídas? Será que o híbrido entre Dragonite e Gyarados tem dois cérebros? Duas almas?

Além disso… [SPOILER] o jogo possui um easter egg que te permite encontrar uma entrada para o porão de Bill, onde você pode encontrar experimentos que não deram certos e imploram para ser mortos. Definitivamente um jogo para crianças!

Pokémon Snakewood
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Surpreendentemente, vários jogos feitos por fãs ainda seguem a dinâmica de Ginásios e Elite Four dos jogos originais. Pokémon Snakewood, uma hack ROM de Pokémon Ruby, porém, decidiu adotar outra rota. Tipo, você ainda tem que conseguir insígnias de ginásio, mas vai ter que tirar boa parte delas das carcaças zumbificadas dos líderes de Ginásio que morreram durante o apocalipse. Na verdade, diversos apocalipses aconteceram – um zumbi, um demoníaco… Em um momento do jogo você inclusive terá de enfrentar literalmente os quatro Cavaleiros do Apocalipse. É como jogar um prato de espaguete apocalíptico na parede.

A história já começa bastante sombria: a maior parte dos treinadores que você enfrenta são zumbis, com algumas versões zumbificadas de Pokémons reais (com nomes engraçados como “Boilbasaur” e “Gorelax”). Há também diversos Pokémons originais em Snakewood, sendo a maior parte do tipo “Doença”, um novo tipo criado pelo jogo. Além disso, em alguns momentos você pode mandar seu Pokémon atacar o treinador adversário, algo presente na lenda urbana de creepypasta, Pokémon Black.]

Em meio a toda essa escuridão (e brutalidade), Snakewood também oferece um ótimo senso de humor apocalíptico, sendo uma das mais surreais ROMs disponíveis na internet.

Pokémon Light Platinum

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Comparado com outros jogos desta lista, Pokémon Light Platinum não realmente parece ser algo fora do comum. Mas o principal ponto de Light Platinum é esse: O jogo realmente parece ser parte da série e não uma Hack ROM. O jogo possui duas enormes regiões para explorar, Pokémons de quatro gerações, sprites e cenários reimaginados e um nível de polidez que nenhum outro jogo da lista é capaz de oferecer.

Apesar de ser uma Hack ROM de Pokémon Ruby, o jogo acaba sendo muito maior do que aquele em que foi baseado. São dezesseis insígnias a coletar, duas ligas Pokémon para enfrentar e um Campeonato Mundial esperando ao final do jogo. Novamente, o jogo não é inventivo, mas tem uma pegada autêntica e oficial, o que garantiu sua presença nesta lista.

Pokémon Reborn

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Assim como Snakewood, Pokémon Reborn acontece após uma catástrofe Pokémon – mas diferente de Snakewood, a tomada de Reborn sobre o armagedon é bem menos jovial. Em Reborn, os Pokémons estão quase extintos. Seu personagem tem como objetivo descobrir a causa disso e impedir o seu desaparecimento, trabalhando com conservacionistas e cientistas na preservação dos monstrinhos. Enquanto isso, grupos extremistas estão cometendo atos de terrorismo tentando desestabilizar Reborn City. É sombrio.

A história do jogo é seu ponto mais fascinante, mas há diversas inovações em mecânicas por trás da cena. Os desenvolvedores atualizaram o jogo com bastante frequência, e planejavam adicionar todas as seis primeiras gerações ao jogo, eventualmente. E isso exige um massivo trabalho com sprites e códigos. O jogo também possui uma excelente ferramenta de quick save, um novo método de treinamento e uma ferramenta que altera a efetividade de certos ataques tendo como base o clima e local onde a batalha está acontecendo.

Além disso, o jogo possui a versão mais assustadora do Steelix jamais vista, como podem ver na imagem acima.


Fonte: Polygon

Quem escreve? Liao

Débora é musicista, pesquisadora e otaku (não fedida, prometo). 1/3 gamer, 100% sonserina. A alcunha de Liao veio de um site aleatório de geração de nomes japoneses (Liao é chinês, mas tudo bem).