Jogo survival horror “The Evil Within 2” e a beleza do bizarro

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Você vai se surpreender.

The Evil Within 2 é um jogo da Bethesda com produção de Shinji Mikami, um dos diretores de Resident Evil. Este ano, o game foi lançado para PlayStation 4, Xbox One e PC, e segue o estilo survival horror do game anterior.

De fato, admito que por minha parte há controvérsias. A partir do momento que você tem meios de se defender, é um pouco difícil classificar um game como puramente survival horror. Afinal, não é todo dia que você está numa cidade cheia de criaturas bizarras e consegue achar uma arma de fogo para se defender (ou balas jogadas no chão). Independente desta minha singela e humilde opinião (não me matem, por favor), o grande fato é que The Evil Within 2 surpreendeu muito.

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A história do game se passa três anos depois The Evil Within. Sebastian Castellanos está afastado da força policial e é assombrado diariamente pela morte de sua filha Lily. Vocês devem se lembrar, ainda que vagamente, que esse assunto foi pincelado no primeiro game, mas aqui entenderemos como tudo realmente aconteceu. Sebastian foi abandonado pela esposa, traído por aqueles que se diziam ser amigos, foi demitido de seu emprego e perdeu sua filha. Poderia ficar pior? Kidman, sua antiga parceira, descobre algo imensamente importante: Lily ainda está viva! Ela estaria sendo mantida em uma espécie de “realidade virtual”, num universo contido dentro da STEM, criada pela empresa Mobius. Sebastian, então, decide adentrar neste universo e buscar sua filha.

E pronto: esta é a introdução. Deve durar cerca de 5-10 minutos e você já pode começar a jogar. De fato, o ambiente é bem vasto, já que desta vez o game foi criado na modalidade mundo aberto. Você pode explorar todas as áreas de Union, a cidade gerada dentro do sistema STEM, paralelamente à missão principal de encontrar Lily. Você também conta com a ajuda de um rádio para detectar fragmentos de conversas e ruídos, marcando a direção em que você quer (ou não) seguir. E, claro, enquanto você segue este caminho, você se depara com alguns cadáveres mortos (de onde você encontra as armas e munições), além de vultos bizarros que demonstram a instabilidade do sistema STEM e apresenta a vida de alguns personagens secundários.

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Ao passo que você encontra os itens vasculhando em todos os cantos, você encontrará uma mesa de crafting, na qual poderá melhorar suas armas e suas habilidades. Você pode dar um upgrade no modo furtivo, ficando mais silencioso para que os inimigos não te ouçam (SIM, ELES TE OUVEM!), além da barra de stamina (geralmente considerado para games de real sobrevivência, como Outlast, mas confesso que não vi muita necessidade) e barra de vida. Aliás, quanto às armas, você pode ampliar o dano delas numa forma geral, ou seja, se você fez este melhoramento portando o revólver, a sua .12 contará com a mesma melhoria.

Ao mesmo tempo, isso pode ser um ponto negativo. Repito: survival horror e meios de defesa EXCELENTES comparados aos de seus inimigos são fatores um tanto quanto incompatíveis. Inclusive, quando finalmente peguei a .12, confesso que aquela apreensão costumeira de jogos do estilo ficou bem de lado, já que era possível eliminar alguns inimigos só com um tiro. A grande preocupação na verdade é encontrar itens para fazer as munições.

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E falando em inimigos… Bom. Temos os “perdidos”, os monstros malucos e bizarros que ficam rondando os cadáveres das pessoas mortas. Como já foi dito, eles te escutam, e também notam a sua presença. Este mecanismo é feito através de símbolos na parte superior da tela: ondas para audição e o olho para visão. Elas vão ficando maiores à medida em que os inimigos percebem sua presença. Ao matá-los, os inimigos dropam um gel verde, importante para fazer o upgrade das habilidades de Sebastian. Infelizmente, os inimigos não dão respawn. Uma vez mortos, estão mortos. Isso também tira um pouco aquela tensão bacana dos jogos de terror.

Mas confesso que os chefes realmente dão medo, em especial A Guardiã, com o corpo todo desfigurado formado por restos humanos e UMA SERRA MAIOR QUE VOCÊ. Outra que também me deixou com arrepios foi Anima, que reproduz a canção Clair de Lune, que é projetada pelo alto falante do controle (POIS É, quase tão assustador quanto a risada da Mydna em The Legend Of Zelda: Twilight Princess).

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Também temos os vilões humanos: Stefano Padre Theodore. Em minha opinião, eles não chegam nem perto dos monstros… Stefano é uma consciência maligna que habita o STEM, responsável inclusive por muitos desses monstros que você enfrenta durante o jogo. Ele é um artista apaixonado pela expressão facial que as pessoas fazem ao topar com a morte. Então, ele tira foto das pessoas que estão prestes a ser assassinadas (ou que acabaram de ser), percebendo que elas ficam presas em um loop, revivendo o momento horrendo eternamente. Inclusive, ele usa uma frase bem interessante para descrever essa sua obsessão: o sangue é minha tinta e este mundo é a tela. Bizarro.

Embora tenha sido uma jogada interessante, ele acaba ficando um pouco de lado, o que me deixou bem triste. O mesmo aconteceu com o Padre Theodore. Ele apareceu nos trailers de forma brilhante. Basicamente, ele tem um complexo de Deus bem forte e é seguido pelas criaturas perdidas em Union. Elas inclusive rezam pedindo ajuda, é bem chocante ver a imagem dos perdidos rezando na frente de um cadáver pregado na parede. Pois é.

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O jogo é bem longo. Tipo, BEM LONGO MESMO. Demorei por volta de 20 horas e não cheguei nem perto de ver o jogo inteiro. O fato de ser mundo aberto e ter missões paralelas acaba contribuindo para isso também.

Importante destacar também o trabalho de dublagem que foi feito no jogo. Para quem não curte muito jogar em inglês ou tem dificuldades em ficar lendo as legendas, a dublagem é a opção perfeita – e ela foi MUITO BEM FEITA. Pasmem. A trilha sonora é excelente, usada somente em momentos específicos, para que você consiga ouvir o barulho dos monstros ou até mesmo as ondas sonoras captadas pelo seu rádio.

Veredicto

O jogo vale muito à pena. Ele é bem longo, tem alguns defeitos, como todo jogo, mas definitivamente prende a nossa atenção. A busca pela Lily fica cada vez mais intensa, a história por trás de cada personagem e principalmente os sustos fazem com que toda a experiência valha a pena. E não se preocupe: se você não jogou The Evil Within, não tem problema algum em jogar este segundo. É diversão garantida xD

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Quem escreve? Mindy

Cosplayer e graduanda em Direito. Amante de World of Warcraft e Ragnarok, invencível no Super SmashBros, Batman-lover e fã de carteirinha da Princesa Zelda. Queria ser a toda-poderosa Sailor Moon (ou até mesmo a Princess Serenity) mas se contenta com a forma comum da Usagi.