Dica de mangá: Otouto no Otto – dois caras, uma garota e o verdadeira significado de família

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E novidade: o mangá vai ganhar um live-action em breve!

Otouto no OttoMy Brother’s Husband ou O Marido do Meu Irmão, em tradução literal, é um mangá de comédia e vida cotidiana escrito e desenhado por Gengorou Tagame – autor bastante reconhecido por sua arte erótica e gay. O mangá foi serializado pela revista Montlhy Action (mesma revista de Orange e Kobayashi-san Chi no Maid Dragon) e foi lançado em inglês pela editora norte-americana Pantheon Books (mesma editora de Persepolis). Tem quatro volumes no total (apenas 11 capítulos), publicados de 2014 a 2017. A história tem um índice bem alto de aprovação na internet em geral e pontuações altas em sites de análise de mangá e anime como o MAL, além de ter conseguido o 19º Prêmio de Excelência do Festival de Artes de mídia do Japão em 2015.

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Sinopse: 

Otouto no Otto é um drama familiar que começa com a chegada um pouco suspeita de Mike, um canadense que apareceu para prestar respeito à família de seu recém falecido marido japonês, Ryouji, cujo único membro familiar imediato é Yaichi – o irmão gêmeo idêntico de Ryuji. Quando Mike passa a se acostumar com a moral japonesa e as surpreendentes idiossincrasias de viver com Yaichi e sua filha Kana, o sonolento subúrbio japonês também aprende o verdadeiro significado de família.


Comentários pessoais:

A história de Otouto no Otto é bem bonitinha e tocante, diferente de algumas histórias com enredo meio bizarro que o Tagame já fez anteriormente, então é um mudança bem diferenciada e bem legal no trabalho habitual do autor. E eu recomendaria esse mangá para qualquer fã de quadrinhos, independentemente. A história tem um plot bem emocionante, tratando de questões como homofobia e diferenças culturais. O próprio Tagame já afirmou que o tema do mangá é sobre relações familiares, bem simples.

E não tem complicações mesmo: Yaichi é um pai solteiro bem caseirão que mora com sua filha Kana. Quando eles recebem a visita do afável Mike Flanagan, a reação de Yaichi é um pouco relutante e reservada. Ele se demonstra desinteressado em conviver com Mike por causa de sua sexualidade, pouco a pouco tendo que lidar com suas velhas atitudes, enfrentando os próprios preconceitos. Até o volume final do mangá, os leitores veem uma mudança completa na personalidade de Yaichi, de um jeito bem fofinho mesmo. Não só dele, Mike e Kana também têm um desenvolvimento bem grande. Encontramos diferentes personagens com diferentes entendimentos de suas próprias sexualidades e que estão em diferentes pontos de aceitação e isso é bem enriquecedor pra história. Mas o Yaichi em especial me faz acreditar que há pessoas boas lá fora, que querem entender e apoiar pessoas como o Mike.

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Achei muito interessante que o mangá não só aborda o preconceito de forma geral como também comenta sobre os erros que as pessoas cometem com homossexuais no Japão moderno – e ele aborda tanto o preconceito sutil quanto aquele preconceito bombástico que deixa resultados mais graves. É um ponto de vista muito bacana que o autor passa, ele próprio sendo um membro da comunidade LGBT, inclusive demonstrando várias das dificuldades que ele teve na vida, vivendo no país.

Fora que a arte é muito bem feitinha, bem clean e aconchegantezinha. Com certeza vale a pena, nem que seja pra ler rapidinho pra passar o tempo.


Novidade:

Uma adaptação em live-action de três episódios será exibida em 2018 na NHK BS Premium, estrelado por Ryuta Sato e Baruto Kaito. E claro, a internet está totalmente apaixonada, especialmente por causa da semelhança dos atores com os personagens do mangá:

My Brother's Husband

Olha essa Kana que fofiiiinha <3

O filme sai nos cinemas de 4 a 18 de março, dividido em 3 episódios.

Pra quem gosta de histórias com enredo sólido e que tratem os temas LGBTs muito além do yaoi, fica aqui uma dica preciosa pra gastar seu tempo.

Fonte: NHK

Quem escreve? Liao

Débora é musicista, pesquisadora e otaku (não fedida, prometo). 1/3 gamer, 100% sonserina. A alcunha de Liao veio de um site aleatório de geração de nomes japoneses (Liao é chinês, mas tudo bem).