Dica de mangá: “Orange” – O que você faria se recebesse uma carta de dez anos do futuro?

Orange - capa

Será que você conseguiria convencer o seu eu do passado a alterar o futuro e o seu presente atual?

Recentemente licenciado no Brasil pela JBC, Orange é um mangá escrito pela adorável mangáka Ichigo Takano. Recentemente, graças à popularidade da história e pelas ótimas críticas do público em geral, ganhou um projeto de animação que será lançada em julho deste ano e também um plano de adaptação para dorama japonês.

Orange (Takano Ichigo)

O motivo de tantas críticas positivas — além dos traços lindos e delicados da autora terem rendido muito sucesso nas impressões dos primeiros volumes — é a premissa um tanto quanto intrigante do enredo: Certo dia, a colegial Naho Takamiya recebe em sua casa uma misteriosa correspondência adereçada em seu nome. Ao abrir o conteúdo, estranhando que tanto o remetente quanto o destinatário estavam escritos em seu próprio nome, Naho descobre que se tratava de uma carta supostamente escrita por ela mesma, dez anos no futuro.

orange 2

A princípio, Naho não leva a sério, afinal devia ser algum tipo de trote ou uma brincadeira das amigas da escola, mesmo que a caligrafia do envelope e da carta fossem extremamente parecidas com a dela e isso a deixasse um pouco curiosa. No entanto, Naho começa a acreditar na carta quando alguns eventos descritos nela começaram a acontecer exatamente como estavam escritos. Um desses primeiros eventos era, principalmente, a transferência de um novo colega de classe: Kakeru Naruse.

orange-13

Amedrontada, Naho inicialmente passa a ignorar a carta, que era uma espécie de diário com conselhos muito específicos para certos dias do ano, relatando cada detalhe com muita precisão. Porém, como a própria carta descrevia, uma coisa ruim aconteceu graças à não intervenção de Naho nesse primeiro episódio… A partir daí, Naho decide tomar coragem de ler a carta e tomar responsabilidade pelas consequências. A primeira carta dizia que no futuro ela tinha 27 anos e queria apenas que a Naho atual de 16 anos fizesse o possível para corrigir algumas coisas que a fariam ter arrependimentos, sendo grande parte desses arrependimentos correlacionados ao aluno recém-transferido; incluindo o fato de que, segundo as descrições da carta, Kakeru já não estava mais entre eles. A carta pedia para que Naho ajudasse o amigo e tentasse protegê-lo, vigiando-o de perto e sendo sempre sincera com seus próprios sentimentos.

Comentando a história pessoalmente, achei a premissa bastante peculiar para romances escolares do tipo shoujo. O assunto de interferir nos eventos do passado é um pouco complicado de compreender e mesmo que o mangá dê uma breve explicação sobre o assunto, as coisas parecem se embaralhar ainda mais e as perguntas sobre o que pode acontecer aumentam. Por outro lado, isso é uma das coisas que ajudam a prender o leitor na história: a capacidade de fazê-lo questionar sobre as possibilidades do final. Olhando de forma geral, histórias que trabalham esse tema não são extraordinárias, são até bem comuns e me remetem à catástrofes como a do filme Efeito Borboleta. E, confesso, isso me fez pensar inicialmente que Orange seria mais um daqueles romances melodramáticos com final previsível. Mas quando a protagonista começa a tomar certas atitudes, sua realidade atual se distancia das orientações dadas na carta e pouco a pouco a história toma um rumo totalmente inesperado. O que faz Orange ser uma obra de destaque dentro da premissa do enredo é esse desenvolvimento da história, além de claro, a identificação com temas comuns da adolescência e outros temas mais pesados como a depressão e o suicídio. E diferente de tantas obras orientais que me deixaram desapontada por tratar temas tão delicados como piada, Orange me surpreendeu. Takano trabalhou cada um desses temas com uma harmonia única, principalmente no que diz respeito ao romance entre os personagens da trama, tanto no presente da Naho de 16 anos quanto no presente da Naho de 27.

orange capa JBC

Outro aspecto relevante de Orange é como a autora consegue equilibrar tanto o ritmo quanto a progressão das duas linhas de tempo durante o enredo, mas principalmente a relação do grupo de amigos no passado e no futuro. E também como a autora respeita as possibilidades trágicas (físicas inclusive) do que um erro numa complexa alteração do tempo pode causar. Fora isso, a história mantém pontos simples, como personagens até um pouco estereotipados em mangás shoujo, mas que no entanto acabam por trazer elementos que tornam a história (que costuma ser bem densa) mais leve e mais humorosa.

O visual da versão animada já foi anunciado recentemente e já têm uma lista considerável de expectadores ansiosos:

orange-anime

Orange tem 5 volumes e algumas one-shots adicionais ao término dos capítulos de cada volume. A edição da JBC veio em papel offset (o que significa maior durabilidade do mangá), custando R$14,90, com distribuição mensal. Apesar da transparência das páginas incomodar um pouco, quem gostar do enredo com certeza vai querer ter mais um shoujo emocionante na coleção.

Espero que gostem! C;

ATUALIZAÇÃO: O anime foi lançado, para alegria e desidratação de muitos <3 Vocês podem ver os episódios lá na Crunchyroll.

Quem escreve? Liao

Débora é musicista, pesquisadora e otaku (não fedida, prometo). 1/3 gamer, 100% sonserina. A alcunha de Liao veio de um site aleatório de geração de nomes japoneses (Liao é chinês, mas tudo bem).