Definitivamente o anime mais esperado da atual temporada.

Violet Evergarden é um romance japonês escrito por Kana Akatsuki e ilustrado por Akiko Takase. Ganhou o primeiro lugar na categoria de romance no quinto evento da Kyoto Animation Award’s em 2014, a primeira light-novel a ganhar um prêmio deste nível nas três categorias da competição (romance, cenário e mangá).

A animação trouxe um hype gigantesco desde o lançamento do primeiro trailer. Muita gente apaixonadíssima com o plot e principalmente com a qualidade da animação. E, até agora, muitas expectativas estão sendo cumpridas, muitos confirmando o hype ou ainda esperando o andamento da história para ter certeza. Mas, sem dúvidas, é uma animação que vale a pena ver.

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Gêneros: Drama / Fantasia

Ano de lançamento: 2018

Estúdio: Kyoto Animation / Licenciada pela Netflix

Temporadas: 1 temporada em andamento com 14 episódios no total

Sinopse: Há palavras que Violet ouviu no campo de batalha que ela não consegue esquecer. Essas palavras lhe foram ditas por alguém que ela gosta muito, mais do que qualquer outra pessoa no mundo… Mas Violet ainda não entende o significado delas.

Violet Evergarden, uma jovem conhecida como “a arma”, deixou o campo de batalha ao término da guerra para começar uma nova vida em um Correio de Serviço Postal. Lá, ela é profundamente impressionada pelo trabalho das “Auto Memories Dolls” (Bonecas de Memórias Automatizadas, referência para o início da profissão, quando apenas autômatas do tamanho de bonecas redigiam as cartas), mulheres que assimilam os pensamentos das pessoas e os convertem em palavras. Violet começa sua jornada como uma Memorie Doll e se depara por diversas vezes com as emoções múltiplas de diferentes pessoas e diferentes formas de amor. E todo esse tempo procurando apenas uma coisa: o significado daquelas palavras que ouviu de alguém que ela gosta muito, mais do que qualquer outra pessoa no mundo.

Trailers:

RESENHA:

Antes de mais nada, é bom já deixar claro que se trata de uma resenha parcial, já que a animação ainda está em andamento e apenas quatro episódios foram lançados. Logo, muita coisa pode mudar e com isso, minha opinião/pontuação a respeito. Portanto, o que descrevo aqui é o que pude observar até agora! De qualquer forma, vamos lá:

Arte (10/10): A KyoAni é até injusta no nível de animação, sempre com uma qualidade que distingue o estúdio no meio midiático dos animes – com uma legião de fãs obcecados, inclusive. Tenho minhas críticas à KyoAni em muitos aspectos, mas quando o quesito é arte, sempre conseguem me fazer sentir em êxtase. Como era de se esperar, Violet Evergarden está sendo algo bem próximo de um espetáculo visual. Coloração, fluidez no movimento, luz e sombra, expressões faciais, cenários (estonteantes, btw), tudo é visivelmente agradável. Realmente não tem nada do que reclamar. A intenção do estúdio é exatamente essa e eu admiro isso porque, como já comentei anteriormente no site, abre espaço para reparar com mais afinco em outros detalhes do anime como enredo, sonografia e afins. O segredo também é manter essa qualidade na duração do anime, coisa que muito estúdio falha bastante. A KyoAni tem visivelmente tomado muito cuidado nesse ponto e, apesar de pequenos detalhezinhos que alguns fãs apontam e criticam, ela está conseguindo se virar muito bem.

O mais importante é saber que nem sempre a qualidade de uma animação depende do quanto ela tem de orçamento, mas do quão bom foi seu planejamento e de achar uma equipe profissional adequada.

Som (10/10): O compositor responsável pela série da KyoAni desta vez é um norte-americano, Evan Call. Mas quando a gente fala de sonografia de um anime, estamos falando bem mais do que apenas a trilha sonora: tem ela, tem a dublagem e tem as músicas de abertura e encerramento. E apesar de já ter visto algumas críticas mais duras para a sonografia do anime, achei ela muito boa. A dublagem combina com os personagens e transmitem a emoção que o momento precisava – inclusive a brasileira, apesar de pessoalmente preferir assistir na dublagem original em japonês. A trilha sonora é bem suave, cheia de notas tristes de piano ou de uma orquestração muito linda, bem romântica e quase melancólica, acompanhando bem a temática do anime – se bem que de vez em quando se destacam algumas notas um pouco mais coloridas de instrumentos de sopro ou mesmo de vocais. Talvez a crítica dos fãs venha mais nesse sentido porque eles estão mais acostumados com trilhas mais exuberantes e chocantes, e Violet Evergarden tem mais o estilo de trilha sonora de filme de drama romântico. Eu, como musicista, fiz questão de prestar atenção nos arranjos e achei a trilha sonora em geral muito bonita, bem variada.

Acho a opening mais bonita que a ending por causa da diferença nas vozes – por outro lado, a voz da Minori Chihara dá um pouco a ideia da “boneca autômata”, o que dá uma ressignificação bem bacana para a música.

História (8/10): Muita gente diz que a história é lenta, mas é bom ter em mente que dramas são assim mesmo. Não quer dizer que não haja desenvolvimento, apenas que o enfoque do episódio é passado para outros pontos que não o andamento da história. Como afirmei antes, o foco do enredo é o desenvolvimento da personagem principal – que ela descubra e entenda seus verdadeiros sentimentos – e isso tem a ver com o passado mas muito mais com o presente. E apesar de ter um plot um pouco clichê, consegue trabalhar detalhes para que fique cada vez mais inovador – isso sem contar as histórias que percorrem fora da linha principal da Violet e do Comandante Gilbert.

Eu estou sinceramente adorando. Tudo. Histórias misteriosas assim sempre me encantam. Os detalhes vão aparecendo aos poucos e construindo um enredo cada vez mais emocionante e conciso. A cada nova carta que a Violet escreve, mais esses sentimentos vão se aflorando. Cada novo detalhe aproxima Violet do seu objetivo final e deixa a história ainda mais comovente.

Personagens (7/10): Todo o plot é focado na Violet, logo, grande parte do desenvolvimento está também focado nela à princípio, e até então pouco se sabe dos demais personagens. Até agora tivemos 4 episódios e apenas uma das secundárias teve um pouco mais de aprofundamento, mostrando um pouco de seu passado e de seus parentes. Mas, diferente do que se espera de um enredo assim, o desenvolvimento da personagem principal acaba desencadeando o desenvolvimento dos demais personagens. Como alguns dos próprios personagens afirmam, Violet não é uma personagem muito falante, mas o pouco que fala já consegue atingir as pessoas. Mesmo com sua personalidade um pouco fria e automática de uma máquina – bem enfatizado em seus braços mecânicos –  obediente como um soldado, aos poucos os ambientes que ela se envolve acabam por influenciá-la, dando a ela um pouco mais de suavidade, principalmente com os sentimentos alheios. A nota está dada devido ao espaço que ainda falta para desenvolvimento.

E eu adoro o fato de que grande parte dos personagens da série são mulheres, em diversas funções diferenciadas. E claro, o fato de que a personagem principal é uma mulher que, mesmo com seus defeitos, não se deixa abater por intimidações e fala abertamente o que pensa, sempre tentando agir da forma como acha correto.

Don’t mess with Violet!

Comentários pessoais finais: Acho bem divertido acompanhar o anime, termino cada episódio sempre com vontade de saber mais. Os personagens são engraçados e bem pensados, mesmo os cenários mais comuns ainda são bem feitos, e acima de tudo, a forma como os sentimentos da Violet são trabalhados na série e a maneira como ela pouco a pouco vai conquistando o mundo ao seu redor são realmente acalentadoras. Minha sugestão é dar uma chance pra série e decidir se é o seu estilo, pelo menos até o episódio 4. Mas estou apostando que muita gente vai gostar sim. Vale a pena, visto tudo que descrevi.


Onde assistir?

Violet Evergarden sai toda quinta-feira na Netflix, muuuuito felizmente com opção do idioma original e também com dublagem em português.

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