Dica de anime: Uchouten Kazoku, uma família super excêntrica!

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Um dos animes de comédia fantasiosa mais amados da história, Uchouten Kazoku, é criação do mangaká Morimi Tomihiko – o mangá conta com 4 volumes ilustrados por Yuu Okada, e é serializado pela Comic Birz. Tomihiko mora em Kyoto, onde a maioria de suas novels se passam. Embora muitos dos principais personagens sejam estudantes universitários meio bobões, seu estilo é muito colorido e sofisticado. A maioria de suas histórias podem ser categorizadas como ficção de realismo mágico. Seus mangás são muito populares entre os jovens no Japão, especialmente entre estudantes universitários (meio bobões, eu inclusa).

uchouten kazoku

Gêneros: Vida Cotidiana / Comédia / Drama / Fantasia

Ano de lançamento: 2013

Estúdio: P.A. Works

Temporadas: 2 Temporadas com 24 episódios no total

Sinopse: Em Kyoto, existem três tipos de residentes: humanos, tanukis (cão-guaxinim japonês) e tengus (criaturas fantásticas do folclore japonês, cuja característica mais marcante é o nariz comprido). O enredo principal envolve uma família de tanukis, a família Shimogamo. O terceiro filho da família Shimogamo é Yasaburou, o protagonista da história. Seu pai, Souichirou, era o chefe da comunidade tanuki de Kyoto, até que ele acaba sendo capturado e comido pelos membros de um bizarro clube chamado “Amigos da Sexta-feira”. Enquanto cuida de seu professor, um velho tengu, luta com outros tanukis e brinca com uma humana com poderes psíquicos, Yasaburou se aproxima cada vez mais da verdade sobre a morte prematura de seu pai.

Trailer:

RESENHA:

Arte (10/10): O estilo do anime é, como já afirmamos anteriormente, super colorido. O traço do autor é único e delicado, a animação é bastante fluida e muito bem detalhada. Tudo muito, muito bonito. É aquele tipo de animação que te dá certeza que o estúdio teve bastante trabalho pra terminar, mas que com certeza foi bem recompensado, já que as críticas nesse sentido costumam ser sempre bem positivas. Dá uma sensação bem aconchegante acompanhar a história e a arte é uma base bem sólida disso. Principalmente com as nuances entre estações do ano:

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Mas também na riqueza dos detalhes:

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Não tem como não se apaixonar.

Som (8/10): Jin Aketagawa é o responsável pela produção sonora do anime e a trilha ficou bem característica do enredo: algo envolvendo mistério, temas lendários e um quê de sensualidade na simplicidade – mas em geral é bem isso mesmo, puramente simples. Nada de arranjos chocantes e músicas arrepiantes. A maior parte delas são bem calminhas e calorosas ou meio animadinhas, acompanhando a vida travessa e desleixada do protagonista. A dublagem e as músicas de abertura e encerramento também são bem bacaninhas.

História (10/10):  Uchouten Kazoku ganha um destemido dez nesta parte porque é uma história completamente original, algo bem raro de se achar nesse meio midiático enorme onde várias ideias já foram super exploradas. Excêntrico é um termo bem apropriado pra história, aliás – de um jeito muito agradável e às vezes de um jeito meio nonsense, malucamente mágico, lotado de referências para diversas lendas japonesas.

O enredo basicamente se desenvolve da seguinte forma: Yasaburou gasta seus dias despreocupados cuidando de seu velho sensei tengu, observando humanos, brigando com seus primos irritantes da família Ebisugawa e se transmutando entre pessoas e objetos animados/inanimados com suas capacidades especiais de tanuki. 

Além de claro, lidar com a misteriosa Benten, a única humana com poderes de tengu. Por trás da paz e da tranquilidade que esse roteiro aparenta transmitir, existe uma memória dolorosa que incomoda a família Shimogamo – e tudo parece complicar quando eles descobrem que Benten faz parte do grupo que matou seu pai, numa tradição que acontece em todos os finais de ano. Uchouten Kazoku mostra as provações e as tribulações dos irmãos Shimogamo enquanto eles lutam para evitar suas próprias mortes e descobrir o mistério por trás do falecimento do pai. 

Personagens (10/10): Provavelmente a melhor parte de todo o conjunto. É exatamente as características de cada personagem –  protagonistas, antagonistas e secundários – que te faz ficar totalmente vidrado na história.

Tudo desde a ligação da família Shimogamo, as tensões entre tengus, até a admiração por humanos, te faz querer ver mais, entender mais. Tudo faz os tanukis parecerem criaturas bem cômicas e espirituosas. E a história te faz explorar vários pontos de vista, então você se conecta meio que com todo mundo mesmo.

Os personagens são tão meticulosamente imaginados pelo autor que realmente mostram a quantidade de dedicação e cuidados que ele atribuiu ao seu trabalho. De Yaichirou, o irmão mais velho responsável demais; ou o despreocupado e calmo Yajirou; ou o “sangue mais idiota” da família, Yasaburou; até o tímido e gentil Yashirou – todos os irmãos são personagens incrivelmente desenvolvidos e incrivelmente carismáticos. E nisso também conta Tousen, a mãe amorosa  dos três (que é uma das figuras mais realistas de mãe que eu já vi em um anime); a misteriosa e imprevisível Benten (personagem que inclusive te fará perguntar constantemente se você deveria amar ou odiar); o irritadiço e “tsundere” sensei, Prof. Akadama; a adorável Kaisei Ebisugawa (uma exceção à regra da família chatinha e complicada) e muitos outros personagens artisticamente escritos. A maioria dos personagens foi tão bem criada e desenvolvida que é mesmo única. Poucos animes me causam essa sensação de ligação.

Comentários pessoais finais: Uchouten foi provavelmente uma das melhores produções recentes quando se fala de animação, enredo, desenvolvimento, direção. Não é todo mundo que se interessa, mas os que se aventuram tendem a gostar bastante. A história é, infelizmente, muito subestimada e merecia bem mais reconhecimento. Mas vale muuuito a pena e sempre que posso, recomendo. Principalmente aos fãs de anime que gostam de histórias fantasiosas com enredo original, criativo e MUITO divertido (e vale dizer, fica bastante emotiva na segunda temporada, que conseguiu melhorar e profundar ainda mais o enredo). Se o que você quer é uma história engraçada pra passar um tempo bem de boas, achou uma que cabe direitinho na descrição.

Quem escreve? Liao

Débora é musicista, pesquisadora e otaku (não fedida, prometo). 1/3 gamer, 100% sonserina. A alcunha de Liao veio de um site aleatório de geração de nomes japoneses (Liao é chinês, mas tudo bem).