Dica de Anime: Sword Art Online – e se o mundo fosse um MMORPG?

Anime Sword Art Online
De tanto ouvir falar desse bendito Sword Art Online e de vê-lo em tudo quanto é lugar na rede, decidi tomar vergonha na cara assitir tal animação, já que eu normalmente sempre assisto as coisas séculos depois do lançamento… Preciso dar um jeito na minha vida… Enfim:

Sword Art Online é um anime de ação e aventura produzido pelo estúdio A-1 Pictures que foi ao ar entre julho e dezembro de 2012 com um total de 25 episódios. A segunda temporada começou a ser exibida em julho desse ano. O anime foi adaptado de uma light novel escrita por Reki Kawahara e também há uma adaptação em mangá com oito volumes. Há também dois jogos desenvolvidos pela Bandai Namco Games; Infinity Moment para PSP e Hollow Fragment para PS Vita.

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E assim começa a história:

(Avisos de spoilers!! Depois não diga que eu não avisei :p)

O ano é 2022 e finalmente a realidade virtual está desenvolvida o suficiente para ser usada em vídeo-games e é nesse mundo ligeiramente mais tecnológico que o nosso que é lançado um MMORPG (Massive Multiplayer Online Role Play Game – ou no caso aqui VRMMORPG, acrescentando o Virtual Reality) chamado Sword Art Online (SAO). Nosso protagonista é um garoto chamado Kazuto Kirigaya, que foi um dos sortudos que conseguiram jogar a versão beta de SAO que foi disponibilizada em quantidade limitada. Agora Kirigaya – ou Kirito como é seu nick no jogo – está de volta ao mundo de SAO no dia do lançamento da versão final do game, fato que causou alvoroço e levou milhares de jogadores a adquirem o jogo.

Porém no evento do lançamento, já dentro da realidade virtual, o que era doce vira um pesadelo quando os jogadores são informados pelo criador do game, Akihiko Kayaba, que uma vez logados no SAO não é mais possível voltar ao mundo real. A única forma de sair do jogo é zerá-lo; que no caso ali seria chegar até o 100º piso, derrotando vários monstros e chefes a cada novo nível. E como desgraça pouca é bobagem, caso algum jogador morra no mundo virtual, ele morrerá também no mundo real devido ao capacete de realidade virtual chamado de NerveGear que os jogadores utilizam para se conectar e que possui ligação com o sistema nervoso do corpo de cada jogador.

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Tendo jogado a versão beta do game e sendo o jogador que havia chegado mais longe naquela versão, Kirito, agora chamado de “beta tester”, sente que tem grandes chances de conseguir bater todos os cem níveis do jogo e assim conseguir voltar pra casa. Apesar de preferir se tornar um jogador solitário, eventualmente o garoto acaba fazendo algumas amizades no caminho; entre elas está Asuna que é uma excelente jogadora, ainda que SAO tenha sido seu primeiro MMORPG jogado na vida. Apesar de se bicarem um pouco no começo, os dois acabam se apaixonando (perdidamente, por sinal…) e se tornando uma dupla inseparável e altamente poderosa.

Somente após dois anos presos no mundo virtual (caraca mano, imagina isso: você preso em um jogo durante dois anos inteiros! GEZUIS!) é que Kirito finalmente consegue derrotar o último chefe, libertando todos os jogadores sobreviventes e voltando ao mundo real, porém ao acordar, Kirito descobre que cerca de 300 jogadores de SAO ainda não retornaram e entre eles está Asuna. Tentando encontrar um meio de trazê-la de volta, o garoto descobre que ela, e provavelmente os outros jogadores ainda presos, se encontram em um outro VRMMORPG chamado Alfheim Online (ALO) e agora Kirito precisa voltar a jogar na realidade virtual para ter alguma chance de salvar seu grande amor e dessa vez não é somente salvá-la do jogo…

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O menu dos jogadores

Ufa, vamos lá para a análise!

Como se trata de um anime com a temática MMORPG, se você já tiver jogado algum jogo do estilo, qualquer um que seja, você entederá melhor as coisas e mais rapidamente também, afinal o anime usa muitos termos desses games e até atitudes de jogadores são mais facilmente compreendidas quando se conhece esse mundo e como ele funciona. Termos como “guilda”, “PVP”, “skill ou habilidade” aparecem a torto e a direito e podem deixar o telespectador um pouco confuso até que ele entenda do que se trata. Nada que prejudique ou atrapalhe a diversão, apenas quem já conhece vai se sentir mais confortável. Eu, como jogadora de MMORPGs, me acabei com esse anime! \o/

A primeira coisa que tenho a dizer é que eu esperava uma coisa de SAO… E tive outra bem diferente. Bem, nós temos um enredo no qual os personagens são jogadores que ficam presos em um VRMMORPG e precisam terminar o jogo pra poder voltar pra casa – se morrer no jogo, perdeu playboy morreu no mundo real. Achei a ideia, apesar de não ser lá tão original assim, no mínimo interessante e esperei ver batalhas épicas, talvez uma guilda (guilda é uma associação de jogadores, quase como as casas do Harry Potter, sob um nome e uma presidência que organiza times de jogadores e participa de batalhas) ou uma “party” (nos RPGs originais, “party” é quando outros personagens do jogo se juntam ao seu protagonista formando o grupinho de heróis) de personagens juntos combatendo os monstros e afins… Bem, tem tudo isso, mas não do jeito que eu esperava.

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A começar pelos personagens. A história é mais centrada nos protagonistas Kirito e Asuna do que se espera e os coadjuvantes, pelo menos na primeira metade da temporada, aparecem uma vez ou outra – alguns por apenas um episódio (embora apareçam na abertura…). Então aquele esquema de personagens se conhecerem e formarem uma equipe (como em Bleach por exemplo) não acontece em SAO. Ou seja nada de “party” e a participação de guildas na história é bem pequena.

Kirito é um excelente protagonista. É simpático, apesar de ser anti social e ter umas atitudes duvidosas em certos momentos. É inteligente, analítico, determinado, confiável e não possui aquele senso de justiça maior do que a própria inteligência como vemos em certos protagonistas por aí; ao contrário, principalmente no início, Kirito pensa em si próprio e tenta não se envolver nos problemas dos outros e por isso ele avança no jogo sem entrar em nenhuma guilda e sem se apegar a ninguém. Mas tudo muda quando ele reencontra Asuna no decorrer do jogo. Essa jogadora é um espetáculo à parte, pois mesmo se tratando de uma garota, ela não é fraca, mimada ou chorona. É então que o verdadeiro ponto principal do anime aparece: a paixão entre esses dois jogadores.

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É a partir do momento que se vêem apaixonados que todas as atitudes e motivos deles mudam e a dinâmica do anime muda junto. Se você estiver passando por uma fossa, ressaca de amor, pindaíba ou pé na bunda recente pegue uma caixinha de lenços porque Sword Art Oline não poupa ninguém do romantismo. Sério mesmo, não é como em Dragon Ball Z, por exemplo, onde os caras lutam o tempo todo como se não houvesse amanhã e em um episódio são solteiros e no outro já aparecem casados e com filhos. Não, boys and girls! SAO tem lágrimas, abraços desesperados, beijos apaixonados e declarações de amor dignas de Oscar! As batalhas épicas ainda acontecem, mas em menor número e escala do que se espera. Isso devido a não somente o romance avassalador de Kirito e Asuna, mas porque o sentimentalismo e o aspecto psicológico são fundamentais na trama.

Muitos jogadores de MMORPG criam seus personagens em mundos fantásticos cheios de desafios e aventuras, mas ao parar pra pensar, por mais maravilhoso que aquele mundo virtual pareça, será que seria mesmo legal ficar preso nessa realidade alternativa tendo que lutar contra mostros, e às vezes outros jogadores também, e ainda por cima correndo o risco de morrer de verdade? Pois é crianças, rapadura é doce, mas não é mole não! Essa situação acaba mexendo muito com o psicológico de todo mundo causando até mesmo suicídios e assassinatos entre os jogadores e com certeza muito sofrimento. SAO tráz amostras de tudo quanto é distúrbio aos quais estamos sujeitos: depressão, medo, ansiedade, amor não correspondido (chorei nesse episódio T_T), desespero, ódio e amargura, por exemplo.

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E quando o roteiro começa a se aproximar do clímax acontece o maior plot twist (virada de roteiro) que eu já vi na vida e o que você pensa que vai levar o anime inteiro pra acontecer, acontece na metade e entramos no segundo arco da história em um novo VRMMORPG.

Ué, mas o nome não é Sword Art Online, o mesmo nome do game? Por que agora tem outro game diferente? Pois é, também achei meio confuso e pra ser sincera essa mudança repentina não me agradou nem um pouco. O roteiro vira completamente e agora Kirito precisa lutar contra o tempo em outro jogo pra poder salvar Asuna. Apesar de interessante, ainda mais quando se descobre o porquê de ele ter que salvá-la, acredito que ficaria melhor se esse enredo fosse colocado em uma segunda temporada e não na metade da primeira. O segundo game, Alfheim Online, é legal também, mas aparece em um momento que já estamos acostumados com SAO, o mundo, os aspectos e os personagens e de um episódio pra outro, de repente, é tudo diferente. Pra ser sincera isso foi meio broxante e me fez levar mais tempo pra terminar de assistir já que eu não estava mais tão animada como no começo. =P E ainda mais porque Asuna vai de player poderosa a… player não tão poderosa assim em apenas dois episódios e eu não curti esse “rebaixamento” ú.ú

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Imagem do jogo

Características gerais

A animação é muito boa com trilha sonora bem parecida com o dos games do estilo, ainda mais pelos efeitos sonoros quando os jogadores acessam seus menus e afins. O design dos personagens é atraente, assim como suas personalidades, e os cenários são impecáveis.

Vale a pena ou não?

Sword Art Online tem mais prós do que contras, mas é fato que ele não tem o potencial pra se tornar um estrondoso sucesso de vendas ou de público. A premissa é interessante, ainda mais pra jogadores de MMORPGs, mas no fim das contas faltou alguma coisa pra ser “aquilo tudo” que poderia ser. Mesmo assim, eu recomendaria. Pode não entrar para a sua galeria de favoritos, mas é divertido e não faz ninguém perder tempo.

Quem escreve? Keyko

Tradutora ainda não formada, cantora de aniversário de parente, frustrada por não ter tido um GameBoy na infância. Adora vídeo-games mas é péssima em todos eles. Fundadora do já falecido Flyleaf Brasil e com apenas 5 palavras no vocabulário se acha fluente em japonês. Fica para sempre devendo sua entrada no GG à musa mangaká Ai Yazawa.