Dica de anime: Mayoiga, o escapismo pode ser mais perigoso do que você imagina

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Uma ilha distante pode ser a solução dos seus problemas… ou não.

A dica de anime de hoje é Mayoiga, um anime dirigido por Tsutomu Mizushima (Another) que conta a história de um grupo de jovens que andam insatisfeitos com suas respectivas vidas e decidem embarcar em um ônibus para a Vila Nanaki, uma ilha isolada onde teriam a chance de recomeçar. Afinal, quem de nós nunca acordou com aquela vontade de sumir no mundo e de começar a vida do zero?

Apertem os cintos e preparem-se para uma jornada um tanto quanto… curiosa.

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História e Análise

Diferente da maioria esmagadora dos animes, este não veio de um mangá ou de uma novel. Foi uma ideia totalmente original, o que, de certa forma, explica o fato de ser um anime tão curtinho – embora, já adianto, ele DEFINITIVAMENTE precisava de mais tempo.

Esse grupo de jovens que embarca no ônibus em busca de uma nova realidade possui TODO TIPO de personalidade que você pode imaginar, desde o mocinho bonzinho, até a moça inteligente demais, a moça meio-nyan cat, os psicopatas, os mal humorados, o casalzinho, a moça-linda-maravilhosa-crush-de-todos… Através dessa abordagem, percebe-se que o anime tentou ambientar melhor a situação, fazendo com que os espectadores se visualizassem com a oportunidade de recomeçar em um lugar novo, longe de tudo e todos, e que essa é uma vontade comum a todos nós, independente de todas as nossas diferenças.

Apesar de ser um anime curtinho, os passados de cada personagem eram muito bem localizados, mostrando sua história e o motivo para determinado comportamento, bem como as razões para a viagem em busca da Vila Nanaki, caracterizando-se como um dos grandes pontos positivos do anime.
No meio dessa história toda, quando chegam à ilha, descobrem que A ALDEIA NÃO TEM HABITANTES! Isso mesmo, ela é totalmente vazia e os pequenos sinais de vida estão se deteriorando lentamente… E então, coisas estranhas começam a se desenrolar.
alerta spoiler
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Quando chegam na aldeia, começam a perceber que existe alguma coisa lá que não é humana. Na verdade, eles começam a achar que existem monstros na ilha e o grande problema é que NENHUM DELES via a mesma coisa. Um ouvia um bater de asas, outro ouvia um sino… Ou seja: algo de errado não está certo. Com o passar do tempo, descobrem que, de fato, eram monstros. Só que esses monstros se mostravam de formas diferentes para cada pessoa. Esses monstros são chamados de Nanaki, uma espécie de demônio interior de cada um. Para sair da ilha, basta que você enfrente uma situação com seu respectivo Nanaki e aceite-o, mais ou menos como acontece em Persona 4. 

Arte e Música

Mayoiga é um anime cuja arte é ~mediana~. Não é que o traço não seja bonito e nem que eu tenha ~preconceitos~ com ambientes sombrios. O grande problema é a animação destes ambientes, até mesmo porque são feitos através de computação gráfica nada apelativa… Inclusive, as coisas bizarras se movimentam de forma pouco fluída, destoando dos cenários bem detalhados.

As músicas, em compensação, são excelentes. A orquestra dá uma grande profundidade ao anime, digna de sua temática. Confira a abertura e o encerramento:

Abertura:
“Gensou Drive” – Ami Wajima

Encerramento:
“Ketsuro” – Rina Katahira

Veredicto

Mayoiga é um anime que definitivamente surpreendeu. Apesar de ter alguns movimentos arriscados que, de certa forma, acabam desvalorizando o anime, como, por exemplo, adicionar trinta pessoas em uma trama traçada com apenas doze episódios (SIM, ELES FIZERAM ISSO!), causando um ~atropelamento~ de episódios, a história é levada de uma forma bem bacana. Diversas vezes, você se vê curioso, tentando descobrir qual é o grande mistério da Vila Nanaki, e, quando realmente descobre a verdade, fica boquiaberto.

Aliás, o anime acabava sempre com um cliffhanger que nos deixava loucos esperando pelo próximo episódio. E sempre, SEMPRE, esse grande ponto não era nem o meio dos fios da meada… Isso acontece por diversas vezes no enredo, criando uma curiosidade tremenda e, de certa forma, deixando a narrativa um tanto quanto confusa, mas bem interessante. As peças todas se encaixam ao final 😀

Algumas saídas do anime são um tanto quanto clichês, mas a forma como foram levadas e interpretadas é que dá todo o diferencial para Mayoiga.

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Quem escreve? Mindy (Yasmim Alvarez)

Cosplayer e graduanda em Direito. Amante de World of Warcraft e Ragnarok, invencível no Super SmashBros, Batman-lover e fã de carteirinha da Princesa Zelda. Queria ser a toda-poderosa Sailor Moon (ou até mesmo a Princess Serenity) mas se contenta com a forma comum da Usagi.