Conheça Perception, o jogo de horror em que a protagonista é uma mulher cega!

percepction capa

Dos criadores de Bioshock, Perception promete mecânicas pouco vistas em jogos!

Você é uma mulher cega que está presa dentro de uma casa sombria cheia de criaturas suspeitas. CEGA. CASA SOMBRIA. CRIATURAS. Só com essa resumida descrição já dá pra sentir a TORTA DE CLIMÃO que deve ser o jogo Perception. O jogo foi anunciado como o novo survival horror de primeira pessoa do estúdio desenvolvedor Deep and Games, que por sua vez é formado por uma extensa equipe composta de veteranos da Irrational Games (criadora de System Shock, BioShock, BioShock Infinite e SWAT 4).

O enredo do jogo conta a busca de uma protagonista feminina cega, por uma mansão que sempre aparece em seus sonhos. Depois de muita pesquisa, a protagonista, que se chama Cassie, finalmente encontra a localização da casa e descobre ser uma mansão há muito abandonada em um lugar chamado Echo Bluff, que revela-se pior que nos sonhos de Cassie. A mansão é habitada por uma presença fantasmagórica que vem atormentando seus moradores por muita gerações e agora está atrás de Cassie. Nossa protagonista, então, se encontra destinada a tentar solucionar mistérios sobre o passado e história da mansão que sempre a assombrava em sonhos, ou pode acabar sendo vítima das criaturas sobrenaturais que habitam aquele lugar.

A mansão em Echo Bluff

A mansão em Echo Bluff

Uma bonequinha fofa que faz parte do jogo

Uma bonequinha fofa que faz parte do jogo

Cega e sem armas, as únicas ferramentas que acompanham Cassie são seu bastão de auxílio (aquele que todo cego usa) e seu smartphone, o qual ela pode ativar um app que transforma letras em áudio (basicamente o app “lê” para ela), outro para ligar para amigos que podem descrever pra ela certos objetos os quais ela tem de adivinhar e outras utilidades. Durante todo o jogo, Cassie vai se deparar com a mansão em várias épocas e condições, como uma viagem ao passado. Desse jeito, terá que descobrir o mal que corrompeu cada geração e então resolvê-lo antes que ela vire só mais uma vítima do lugar.

Com gráficos e dinâmica muito parecidos com jogos “padrão” populares de survival horror (Amnesia, Outlast, etc), a visão é sempre em primeira pessoa. Há todo um suspense, seja no simples ato de abrir uma porta, ou caminhar em um lugar totalmente abandonado ou corrompido, nesse caso a mansão. O mais legal é que você, jogando com a protagonista cega, também se torna cego (como se o propósito de jogar com um personagem fosse outro, além de você encarná-lo né, mas calma que já explico). Isto é, você precisa se virar como pode para se localizar.

Nesse caso, o jogo trabalha com a ecolocalização, que consiste em um indivíduo emitir barulhos para que as ondas sonoras “reflitam” nos objetos e voltem para o indivíduo, permitindo-o assim ter a capacidade de saber o que existe à sua volta. Toda vez que Cassie bate com seu bastão ao chão, é revelado um pouco do local onde ela está. Fora isso, é tudo escuro e você consegue apenas “sentir” nuances do lugar como vento, janelas batendo, etc, outro fator natural que pode te ajudar a se localizar.

Se despertar a atenção da Presença, apenas se esconda!

Se despertar a atenção da Presença, apenas se esconda!

Um exemplo de como funciona a mecânica de ecolocalização de Perception

Um exemplo de como funciona a mecânica de ecolocalização de Perception

Mas aí é que está o problema. Os mesmos barulhos que te fazem distinguir em que local você está, também desperta a misteriosa presença fantasmagórica que ronda o lugar. É como uma brincadeira de esconde-esconde. Sua única defesa é também o que pode te comprometer no jogo. Se começar a fazer barulho demais, já era amigo. Corra e se esconda até que o bicho desista de te procurar!

Outro jogo desse mesmo gênero e mecânica stealth-horror-echolocation é o Dark Echo (iOS, PC, Android, MAC, Linux), lançado a não muito tempo e disponibilizado pela primeira vez na App Store. Nesse jogo de visual totalmente minimalista, o jogador é representado por um parzinho de pés que não sabe pra onde vai. Você só consegue distinguir o mapa à sua volta, quando bate com os pés no chão. Ao emitir ondas sonoras, as mesmas refletem nas estruturas do mapa e voltam até você, revelando brevemente o formato do mapa. Esse ato de bater os pés no chão pra ter alguma mínima visão de onde você está, também trai inimigos que te seguem cada vez que você emite um som. Se te alcançarem, game over, você começa tudo de novo. O jogo, apesar de bem minimalista, é bem sangrento e assustador, daqueles que te prendem! Vale a pena conferir!

DarkEcho_Screen_A

E é aí que eu levanto a possibilidade de uma “nova mecânica” começar a dominar os jogos de survival horror. Se essa nova dinâmica de ecolocalização pegar, imagina quantos jogos de survival horror fabulosos podem chegar por aí. Só o fato de você estar preso em um lugar assustador, sem fazer a mínima ideia do que existe à sua volta já apavora! Se as desenvolvedoras (principalmente as independentes) souberem trabalhar com essa ferramenta, prevejo por aí muitos jogos interessantes.

Durante minha vida toda só vi alguns poucos jogos que trabalham com essa ferramenta (Dark Echo é um deles), e acho sensacional. Pra exagerar mais um pouco, acho revolucionário e muito econômico. Primeiro porque esses jogos trabalham MUITO com sons. É praticamente o foco principal. E segundo porque as desenvolvedoras poderiam economizar bastante nos gráficos – coisa que eu nem sempre acho necessário ser tão focado -.

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O boss. Ou vírus da gripe.

O boss. Ou vírus da gripe.

No caso de Perception por exemplo, dá pra ver que o jogo está sendo feito visando um baixo custo só de observar os gráficos, que são bons, mas que dependem do jogador para serem mais destacados de acordo com os lugares que você vai descobrindo. Basicamente a desenvolvedora não precisa investir ao planejar o gráfico de TODO um lugar, mas somente naqueles que o jogador está tendo acesso (que é limitado, afinal você é cego).

É parecido com o que fizeram em Silent Hill I. Nesse jogo, os desenvolvedores tiveram a ideia de acrescentar a névoa tanto pra adicionar aquela deliciosa torta de climão no jogo, quanto para economizar nos gráficos, (era um jogo estreante feito com baixo custo). Os jogadores não conseguem ver o que está além de alguns poucos metros do personagem, pois a névoa esconde e consequentemente os criadores não precisam mapear com gráficos lindos todo o local, mas apenas o que o personagem enxerga. E vamos combinar, deu super certo porque névoa e Silent Hill são inseparáveis.

A névoa usada em Silent Hill I poupou muita grana do bolso dos desenvolvedores!

A névoa usada em Silent Hill I poupou muita grana do bolso dos desenvolvedores!

Mas Morgana onde acho esse jogo meeearavilhoso ?!

Infelizmente ainda é só um projeto no Kickstarter que precisa arrecadar $150,000 em vaquinha. Faltando 26 dias para o término do prazo, o projeto já conseguiu arrecadar $60,357 de 1.484 colaboradores (SÃO RYCOS tem gente dando $1000 <3). Se tudo der certo, o projeto sai do papel e vira esse jogo LINDO! Vamos ajudar? A página do do projeto no Kickstarter está no ar e você pode ajudar a partir de $5. Dependendo da quantia que você decidir investir, você pode até fazer parte do jogo!

Um gif esquisito engraçado pra descontrair.

Um gif esquisito engraçado pra descontrair.

Quem escreve? Morgana

Uma menina que vive em Avalon: um mundo de jogos, chocolate, feitiçarias, celtas, fadas, boardgames, vikings e tudo mais. Morgana sim, porque nome de bruxa dá XP dobrado na classe de prestígio.