Autor da graphic novel Imaginário Coletivo fala sobre seu processo criativo

Wesley Rodrigues e Imaginário Coletivo destaque

Confira a entrevista exclusiva do ilustrador, quadrinista e animador Wesley Rodrigues, para o Garotas Geeks

Wesley Rodrigues, uma das referências mais importantes em animação no Brasil e homenageado do Anima Mundi 2018, acaba de lançar “Imaginário Coletivo“, graphic novel publicada pela DarkSide Books.  A HQ gira em torno de uma vaca que queria ser um pássaro, o que gera uma reflexão interior do leitor sobre força de vontade e liberdade. Nesta entrevista exclusiva para o Garotas Geeks, o ilustrador, animador e quadrinista fala sobre seu processo criativo, suas inspirações, sua percepção do mercado de quadrinhos e animação e dá dicas para quem está começando.

Wesley Rodrigues e Imaginário Coletivo

GG – Como foi o processo de criação da HQ “Imaginário Coletivo”? Quais as técnicas utilizadas?

WR – Foi muito intuitivo desde o começo. No início, eu havia pensado em fazer uma história fechada de apenas oito páginas, mas quando vi que teria mais possibilidades de explorar aquele universo, fui colocando mais páginas, criando mais personagens e pensando como poderia relacionar tudo isso para contar uma história coesa. Optei por fazer o desenho direto com a caneta sem esboço porque queria que o leitor pudesse sentir o desenho finalizado sem que a expressividade do esboço fosse perdida. O material aparece em cada produção de maneira única; no processo é que eu vou descobrindo isso. Foi assim que descobri que esse livro deveria ser feito inteiro com caneta.wesley-rodrigues-imaginario-coletivo

GG- Quais foram suas principais inspirações para a criação da HQ?

WR– Quando estou dentro de um processo criativo para desenvolver uma nova ideia, sempre tento deixar minha mente captar o máximo de informações possíveis, sem muito filtro. Poderia dizer que essa HQ é uma mistura de tudo que me influenciou durante o período em que estava desenhando as páginas. Na época, lia muito sobre mitologia, sobre contos budistas e hinduístas. Nessa imersão, acabei descobrindo o livro tibetano dos mortos, que até hoje considero como sendo um dos mais impactantes que já li. É interessante mencionar que antes de ser desenhista eu queria ser físico, não por ser bom com cálculos, mas porque o mistério da realidade me atraía muito.  Então percebi que tudo isso se relacionava dentro do contexto do universo do livro e acabei colocando um pouco de todas essas influências.Imaginário Coletivo - foto 5 Luciana d'AnunciaçãoGG – “Imaginário Coletivo” se relaciona, de alguma forma, com seus trabalhos anteriores?

WR – Eu diria que muito mais pelo tema e pela maneira de descobrir como contar a história durante o processo. Dificilmente, eu começo um projeto sabendo como ele vai acabar e todos os meus projetos tem mais ou menos essa característica, mesmo levando em conta os trabalhos de animação. Tento colocar personagens que estão à procura de quem eles são, de respostas sobre a essência da vida ou sobre nosso lugar no universo. Talvez estes temas sejam o que mais se conectam entre um trabalho e outro.

GG- Você tem a intenção de adaptar a HQ para animação?

WR– Sim, mas não sei quando isso aconteceria. Acho que o material da HQ é muito rico e seria incrível poder criar uma animação baseada nisso.Imaginário Coletivo - Foto 6 Luciana d'AnunciaçãoGG- Como você avalia o atual mercado brasileiro de HQs? E de animação?

WR – Acho que é muito importante consolidar uma procura pelo que fazemos aqui. Ter gente comprando ou vendendo algo é o que faz a produção aumentar, melhora a maneira como as coisas são divulgadas e traz, talvez, mais oportunidades para novos autores. Quando se pensa em mercado, estamos falando de algum modo de geração de dinheiro.  Mas, tanto no quadrinho quanto na animação, eu nunca fiquei pensando muito nisso. Eu me deixo levar mais pela vontade de expressar algo sem ficar pensando como isso vai influenciar o mercado.Imaginário Coletivo - Foto 7 - Luciana d'AnunciaçãoGG- Você poderia dar alguma dica para quem está começando a carreira como quadrinista/ilustrador? E na área de animação?

WR– A melhor dica que eu poderia dar para alguém é: apenas faça. Se acredita de verdade em algo, siga adiante independente das adversidades que aparecerão na sua frente. Não fique apenas nas ideias ou criando planos mirabolantes para fazer isso ou aquilo. Uma coisa que aprendi desde o começo é que se você ficar pensando demais em algo, sua mente fica acumulada de coisas e você se perde dentro do labirinto que você mesmo criou. Tudo que é pensamento é muito mais idealizado ou perfeito comparado ao que vemos no dia a dia da realidade. Quando você coloca aquelas ideias no papel, você consegue olhar para elas aqui no mundo em que vivemos, e, assim, elas ficam mais próximas da gente. Então já temos como começar a trabalhar de maneira mais objetiva, pois você olha para ideia escrita no papel, ou para o desenho que você acabou de fazer, ou para o roteiro impresso, ou para a tinta que você colocou numa tela e pode se perguntar o quão longe está daquilo que você havia imaginado. Então poderá medir a quantidade de trabalho que terá de desempenhar para se aproximar daquilo que você havia imaginado inicialmente. Faça e se dedique por inteiro no que faz. É só assim que conseguirá criar e produzir algo.

Quem escreve? Luciana

Jornalista, Relações Públicas, Especialista em Gestão da Comunicação e Mestra em Análise do Discurso. Rpgista de longa data, trekker (Vida longa e próspera!) e whovian (Allons-y!)... Gosto da natureza, de literatura, HQs, cinema, séries de TV, rpg, board games, de música boa (rock and roll) e de nerdices em geral! Adoro preparar quitutes e receber os amigos. Insisto em ser feliz e sou altamente convivível! E amo o Leo - o maridão e personal-particular-chef!!!