Ao saber que filha é assediada, pai faz apelo à comunidade brasileira de Overwatch

overwatch

Continue lutando!

O Overwatch é um game multiplayer de shooter em primeira pessoa desenvolvido pela Blizzard. A jogadora Iris Helena Benfica dos Reis, de 10 anos, teve uma péssima experiência ao jogar o multiplayer no Playstation 4. Iris sofreu na pele o que muitas meninas e mulheres sofrem nos ambientes tóxicos de jogos online: o assédio.

O pai de Iris, Eros Reis, resolveu entrar no grupo do Facebook Overwatch – Brasil e pedir ajuda. Eros queria que outras meninas da faixa etária de sua filha a adicionassem para que pudessem jogar em equipe.

Overwatch grupo

O apelo deu resultado e a comunidade se mobilizou e resolveu ajudar Iris.

Overwatch agradecimento

Iris também aproveitou para agradecer o apoio dado pelo grupo.

Overwatch agradecimento Iris

Eros Reis deu entrevista ao Garotas Geeks e falou como sua filha se sentiu com o assédio:

Garotas Geeks: Como foi o primeiro contato de Iris com Overwatch?

Eros Reis: Bom, eu joguei o beta e achei que o jogo era o que eu estava procurando para a Iris, ela já tinha tentado jogar o Destiny mas não se adaptou. Ao ver o jogo ela gostou do carisma dos personagens e se adaptou aos controles gostou muito da história dos personagens.

GG: Como você descobriu o assédio?

ER: Eu notei que ela ficou apática durante uma partida, o volume da TV estava no mínimo perguntei se tinha acontecido alguma coisa, ela respondeu que não tinha ocorrido nada. Aumentei o volume e notei que haviam outras crianças falando coisas que não deveriam. Pedi para a Iris sair do jogo por que eu precisava falar com ela. Expliquei que existem pessoas que gostam de ofender as outras para tentar se sentirem mais poderosas ou extravasar algo que estão passando e não tem como extravasar de outra maneira. Falei que é errado e ela sempre que encontrasse pessoas assim saísse da partida e me avisasse imediatamente

GG: Como Iris se sentiu antes e depois do seu apelo à comunidade Overwatch?

ER: Ela se sentia triste afinal não achava meninas que jogassem, mas depois do pedido, ela esta super feliz jogando e fazendo novas amizades tenho muito o que agradecer a Comunidade Overwatch-Brasil.

Mercy

Iris jogando com Mercy

Aqui no Garotas Geeks, já falamos várias vezes sobre preconceito com mulheres nos games online. Falamos diversas vezes também sobre a importância da diversidade e representatividade na cultura pop. Ser mulher no mundo dos games é ter que conviver constantemente com assédio e xingamentos como se não fôssemos bem-vindas, como se não tivéssemos direito de jogar, como se os games fossem exclusivos para homens, como se a habilidade e vontade de jogar dependessem do gênero. Mulheres sempre jogaram e continuarão jogando. Cada vez mais o número de mulheres jogadoras e desenvolvedoras cresce no Brasil e lá fora também. Fazer piadinha, insultar e assediar meninas e mulheres dentro e fora dos jogos não faz de você um jogador melhor. Bulliyng não é mimimi.

Precisamos de mais comunidades como a Overwatch – Brasil. E pais e mães, fiquem atentos ao que os seus filhos estão jogando, se estão sofrendo ou cometendo assédio.

Continue lutando como uma garota, Iris! Estamos torcendo por você!

Links úteis:

Por que as pessoas pensam que videogame é só para meninos?

Entrevista com Ernerst Adams, fundador do IGDA, sobre feminismo nos games

Artista fala sobre a importância da representação e diversidade de personagens femininas nos games

Roteirista fala sobre a polêmica questão de como escrever personagens femininas

Podcast: Preconceito com mulheres nos games online

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Quem escreve? Rany

Graduada em Jornalismo e Jogos Digitais e pós-graduada em Mídia Digitais. Fã incondicional de As Crônicas de Gelo e Fogo, Tolkien, Fables, Tarantino, Miyazaki, Okami, Dragon Age e Mass Effect. Divido meu tempo livre com os meus vícios em séries de tv, filmes, livros e games.