Análise – Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Tom Holland é o Peter Parker que nós queríamos

Somos todos Peter Parker

Homem-Aranha sempre foi meu super-herói favorito. No fim da década de 1990, quando representatividade não era uma COISA, era com o Homem-Aranha que eu mais me identificava, mesmo sendo uma garota. Também gostava das heroínas, mas tinha algo sobre o cabeça-de-teia que realmente falava comigo, e esse algo se chama Peter Parker. E ele é justamente o ingrediente que faz Homem-Aranha De Volta Ao Lar, que estreia hoje nos cinemas, um filme excelente.

Peter é o mais humano dos supers. Suas narrativas sempre focaram em dilemas cotidianos como pagar boletos, e a parte dos superpoderes era apenas uma coisa que tinha acontecido com ele. Peter mete os pés pelas mãos, é orgulhoso, toma as piores decisões e paga por elas como nenhum outro herói, e isso faz dele um personagem com quem todo mundo pode se identificar.

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De Volta Ao Lar segue essa ideia e, mesmo Tobey MaguireAndrew Garfield tendo seus méritos, é Tom Holland quem melhor traduz essa humanidade do personagem.

O filme não conta a origem do herói – ainda bem, porque já vimos essa história DUAS vezes no cinema recentemente – e começa após o primeiro contato de Tony Stark (Robert Downey Jr.) com Peter (Holland). Vemos, pelo ponto de vista do garoto, os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil. Mas depois de roubar o escudo do Capitão, Peter leva um gelo dos Vingadores e passa a querer impressionar o Homem de Ferro de todas as maneiras. Ele passa suas tardes resolvendo crimes ordinários e ajudando velhinhas a atravessar a rua, tornando-se o “amigão da vizinhança”.

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Apesar das cenas de ação serem MUITO boas, o que o filme faz de melhor é mostrar Peter, não como o Aranha, mas como um adolescente comum com problemas comuns. Ele quer ser mais popular na escola, quer impressionar a crush, quer impressionar o chefe (no caso, Tony, já que ele é “estagiário” na Stark Industries), precisa lidar com mudanças na sua vida e não sabe muito bem como, e o fato de ter superpoderes e um uniforme fodão é só uma complicação nessa trama. E, claro, eventualmente Peter acaba desapontando um monte de gente. Quem nunca, não é, meus amigos?

O Abutre, interpretado maravilhosamente por Michael Keaton, é um vilão das origens do quadrinho do Aranha e foi muito bem adaptado para essa fase “Vingadores”. Além de suas motivações serem bem explicadas – quesito no qual vários filmes da Marvel deixam a desejar -, ele tem tempo suficiente de tela para ser DE FATO relevante para o espectador. E o fato dele odiar o Homem-Aranha é muito bem construído.

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Homem-Aranha de Volta Ao Lar é um daqueles raros filmes pipoca sobre o qual se tem TANTA coisa boa pra falar que acabamos deixando de fora pontos altos. Como Ned (Jacob Batalon), o melhor sidekick de todos os tempos, as interferências engraçadas da tia May (Marisa Tomei), a participação especial divertidíssima de Donald Glover, Tony Revolori como Flash e muito mais. 

De um jeito bem engraçado, o filme é também funciona como uma metáfora para essa parceria da Sony com a Marvel/Disney. É como se a Sony fosse o Homem-Aranha e Tony Stark fosse o MCU (Universo Cinematográfico da Marvel). Depois de pisar na bola várias vezes, o Aranha FINALMENTE começa a dar umas dentro e recebe o aval de Tony, mas não consegue segurar a empolgação. O personagem – e também o filme – fica esfregando na nossa cara o tempo inteiro que AGORA É DA TURMA DOS VINGADORES!

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Mas é uma felicidade tão legítima que não tem como a gente não amar. Porém, a maior missão do filme, que é provar que o Universo Marvel não está supersaturado e que teremos coisas muito boas pela frente, foi cumprida com excelência.

 

Quem escreve? Micheli Nunes

Jornalista, especialista em séries de TV, cinema e cultura pop. Apaixonada por desenhos animados, tem um gato chamado Gunter e compete com ele pra ver quem gosta mais de dormir. Aspirante a ilustradora e confeiteira, é SJW e feminista nas horas vagas.