A Maldição da Residência Hill: o horror por trás de quatro paredes

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Fantasmas e referências à cultura pop você encontra aqui.

Recentemente, Netflix lançou a série “A Maldição da Residência Hill”, que é baseada no clássico romance da autora Shirley Jackson “A Assombração da Casa da Colina”, lançado em 1959 após a leitura de um artigo científico que realizou experimentos tentando comprovar a existência de alguns fenômenos sobrenaturais em uma casa mal-assombrada. O próprio rei do terror, Stephen King, chegou a definir o livro como o melhor terror sobre casas mal-assombradas das últimas década! Por toda esta fama, o livro foi considerado um dos maiores romances de terror de todos os tempos.

A história gira em torno de alguns irmãos que cresceram numa casa que futuramente seria conhecida como o lugar mais assombrado do país. Já adultos, eles precisam voltar para a mansão para enfrentar os fantasmas do passado.

Segura que tem bastante informação chegando por aí!

História

A série lançada pela Netflix conta a história de Hugh e Olivia, um casal que, em 1982, se muda temporariamente para a mansão Hill junto com seus cinco filhos Theodora, Shirley, Steve, Luke e Eleanor, sem imaginar que este lar temporário mudaria suas vidas para sempre. Essa mudança aconteceu porque Hugh e Olivia trabalhavam com construção civil (engenheiro e arquiteta) e queriam reformar a enorme mansão, vendê-la e assim ter dinheiro suficiente para comprar um terreno e construir a “Forever House”, a casa dos sonhos da família Crane.

Já aviso a vocês que a série tem duas linhas do tempo: as crianças, em 1982, e quando já estão adultas, cada um vivendo sua própria vida.

O filho mais velho, Steve, é o típico personagem “cético”, que vive negando qualquer coisa paranormal que ele ou que seus irmãos tenham visto. O personagem adulto é interpretado por Michiel Huisman, que já atuou em Game of Thrones Orphan Black.

Na linha de sucessão, temos Shirley, a personagem controladora (alô Mônica, de Friends!), autoritária e protetora. Quando cresce, trabalha em uma funerária, cuidando de velórios, funerais, enterros e, inclusive, “arrumando” os cadáveres para estas ocasiões. Uma estranha ocupação para alguém que teve tantas experiências sobrenaturais na infância. A personagem adulta é brilhantemente interpretada por Elizabeth Reaser, que atuou na saga Crepúsculo, Grey’s Anatomy, The Good Wife, Mad Men Law & Order: True Crime.

Theodora segue, no início, o estereótipo de ovelha negra da família, já que não se relaciona muito com ninguém, nem mesmo com sua família. É, também, uma personagem LGBTI+. A personagem adulta interpretada por Kate Siegel, que estrela seu primeiro papel, já que até então fazia pequenas participações, como em Castle.

Luke e Eleanor são gêmeos e os irmãos mais novos e os mais fofos da família Crane e, justamente por isso, acabam sofrendo muito por não entender o que está acontecendo (afinal, se nós, adultos, não entendemos, imagina crianças!). Luke adulto é interpretado por Oliver Jackson-Cohen, que já trabalhou nas séries Dracula Will & Kate: Before Happily Ever After. Eleanor adulta é interpretada por Victoria Pedretti, que faz seu primeiro papel como atriz.

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No decorrer dos episódios, vemos o quanto os destinos de alguns personagens influenciaram a vida da família, que foi se despedaçando aos poucos. Depois de muita água rolando, finalmente descobrem que o problema está na casa e que teriam que voltar até lá para descobrir de fato o que aconteceu, especialmente após o suicídio de Nellie (ESTÁ NA SINOPSE, NÃO É SPOILER!).

Com o passar da série percebemos que a casa é REALMENTE do mal E QUE ESCONDE um segredo interessantíssimo dentro de suas paredes que responde à pergunta que todos fazem quando assistem à série: por que raios Hugh não demoliu a abençoada casa?

Atenção: a partir deste ponto, o post contém spoilers.  Ao continuar a leitura, você está ciente disto 🙂

Atenção: o post contém spoilers. Clique na caixa para ler.

 

Na casa, desde o início, há em um dos andares um quarto com a porta vermelha, chamado pela família de “Quarto Vermelho”. A chave mestra não consegue abri-lo e por algumas vezes as crianças tentaram entrar no quarto, mas as tentativas de abrir girando a fechadura eram totalmente inúteis. E todos sabemos bem como funciona a nossa curiosidade né?

Com o passar dos episódios percebemos que o tal do “Quarto Vermelho” esteve fechado por motivos bem importantes, funcionando como um organismo verdadeiramente vivo e escondendo um segredo interessantíssimo dentro de suas paredes, consumindo seus moradores.

A situação é tão difícil que Luke acaba se tornando viciado em drogas para tentar fugir do “Homem de Chapéu”, enquanto Nellie sofre de paralisia do sono por conta das traumatizantes aparições da “Mulher do Pescoço Torto”. Depois, acabamos descobrindo que na verdade estes espíritos são muito mais do que simples fantasmas assombradores de mansões antigas. Steve, Shirley e Theo acabam desenvolvendo suas próprias maneiras de lidar com a situação: Steve lança um best seller contando as histórias vividas por seus irmãos (e crendo fielmente que sofrem todos de doenças mentais), Shirley trabalha em uma funerária (!) e Theo se fecha para o mundo, principalmente após descobrir que tem um poder especial.

Tudo isto tem um desfecho incrível e coloca os nossos queridos personagens – literalmente – contra as paredes.

 

Referências e fatos ocultos sobre a série

Uma das referências que pulou para os fãs foi ao filme Crepúsculo, inspirado na saga de livros de Stephenie Meyer. Como dissemos, a personagem Shirley Crain é interpretada por Elizabeth Reaser, que interpreta Esme, a mãe da família Cullen na história vampiresca. Mas não paramos por aí: Shirley é dona de uma funerária na série e um de seus trabalhos é deixar o cadáver com uma aparência mais agradável para o velório e o enterro. Ao preparar o corpo de sua irmã Nellie para o funeral, seu marido Kevin fala: “Por que não mandamos ela para o Carlisle? Ele faria um ótimo trabalho.” (Carlisle é o marido de Esme em Crepúsculo, responsável por “amenizar” as dores dos transformados).

Outra referência bacana é feita à série Demolidor, também presente na Netflix. Em um dos episódios, Shirley discute com seu filho sobre a fantasia de Halloween, já que o garoto queria uma máscara do personagem e Shirley comprou uma branca, para que ele decorasse a sua própria maneira. Ao sair para pedir doces com sua irmã e seu pai, o garoto vai sem a máscara e usa uma venda preta sobre os olhos e uma roupa toda preta, em vez do tradicional traje vermelho – e se você assistiu à série, sabe que o Demolidor usa esta roupa durante a primeira e a terceira temporada (diferentemente do traje usado nos quadrinhos).

O episódio do funeral de Nellie é um daqueles que contém vários elementos importantes e ocultos dentro da série – tanto que a própria Netflix liberou o making-off deste capítulo. Antes da Nellie desaparecer, quando está de mãos dadas com Shirley, notamos que a câmera chega perto das mãos e quase que “atravessa” Nellie, momento em que nós, que estamos assistindo, quase que “nos tornamos Nellie. Isso acontece várias vezes dentro deste capítulo, colocando as coisas em perspectiva. Ah! E os botões nos olhos da Nellie? Se assistir novamente, um dos episódios contará como eles foram parar lá.

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Outro fato que chama a atenção na série é a tal da “xícara de estrelas”. É uma frase usada no livro original de Shirley Jackson, assim como aquela gravada no relógio de Hugh, pai das crianças, “jornadas acabam com o encontro dos amantes” e “à noite, no escuro”. Todas estas sentenças são usadas frequentemente na série, mas em especial no último episódio 🙂

Você também deve ter notado várias aparições de espíritos em locais escondidos da casa – e você até pensou que daria um susto, mas no fim não aconteceu nada. Isso acaba dando mais medo do que se de fato acontecesse alguma surpresa, afinal, mostra que os espíritos nunca descansam e estão sempre de olho em tudo (inclusive em você). Quando assisti a série pela segunda vez, percebi vários deles que eu estranhamente não tinha notado antes…

O último easter egg que notei foi em referência à série Doctor Who. No segundo episódio, Shirley se depara com a morte dos gatinhos e busca consolo com sua mãe Olívia, que lhe diz “Quando morremos, nos transformamos em histórias. E toda vez que alguém conta uma dessas histórias, é como se ainda estivéssemos aqui, para elas. Somos todas as histórias no final”. De fato, o décimo primeiro Doutor, interpretado por Matt Smith, dizia “Eu vou ser uma história na sua cabeça. Mas tudo bem. Nós somos todos histórias no final. Apenas faça uma boa”.

Final alternativo

Vimos um final feliz na trama da casa mal-assombrada, quando o pai Hugh, a mãe Olívia e Nellie dão um abraço feliz dentro do quarto vermelho, enquanto os irmãos vivos se redimem com seus passados e seus erros no decorrer do caminho. De fato, alguns ficaram decepcionados, já que a série toda é carregada de tensão e alguns inevitáveis sustos.

O diretor e roteirista Mike Flanagan afirmou que tinha pensado em um final muito mais sombrio para a série: enquanto Steven fala, bem no final da série, quando aparece a imagem da família, pensaram em colocar a janela do Quarto Vermelho ao fundo, indicando que talvez a família nunca tenha saído do quarto.

MAS acabou mudando de ideia e criando um final mais feliz, já que este final parecia cruel demais.

A resposta curta é que eu achei que os personagens haviam merecido. Eu assumi que seria um pouco polarizante, mas é o final que eu achei apropriado para a história que eu queria contar. Nós vivemos em um mundo cínico, e nós acabamos de passar por quase 10 horas de escuridão, eu precisava de um suspiro de esperança. Essa série é sobre família processando um trauma. Se não deixássemos com pelo menos uma ponta de perdão, paz e amor, qual o sentido? O mundo é sombrio o bastante.

De fato, os personagens começam a nos encantar aos poucos – embora a gente morra de raiva deles por DIVERSAS vezes – mas como grande fã de filmes de terror, confesso que eu gostaria muito de um final mais… dramático, rs.

The Haunting of Hill House

Vale a pena?

SIM! A série é incrível, cheia de tensão e sustos. Mas muito mais do que isto, ela nos traz grandes questionamentos – que para nossa alegria, só são solucionados no último episódio. A trilha sonora é típica dos filmes de terror e ajudam no clima de tensão, assim como a iluminação mais baixa que permeia grande parte da série. O elenco atua de forma incrível, o que, somado à direção e edição espetaculares, causa a verdadeira atmosfera aterrorizante que amamos.

Há boatos de que a série terá uma segunda temporada… Considerando que Steve herdou a casa, o que você acha que pode acontecer? Conta pra gente nos comentários x)

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Quem escreve? Mindy (Yasmim Alvarez)

Cosplayer e graduanda em Direito. Amante de World of Warcraft e Ragnarok, invencível no Super SmashBros, Batman-lover e fã de carteirinha da Princesa Zelda. Queria ser a toda-poderosa Sailor Moon (ou até mesmo a Princess Serenity) mas se contenta com a forma comum da Usagi.