A fantástica quadrinista Gail Simone vem ao Brasil e dá entrevista exclusiva ao Garotas Geeks

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Conheça a impressionante trajetória de uma das mais importantes quadrinistas do mundo

Uma das mais ilustres convidadas do Festival Internacional de Quadrinhos – FIQ 2015, roteirista de grandes títulos, como Birds of Prey, Mulher-Maravilha, Batgirl e Red Sonja, a norte-americana Gail Simone é uma das quadrinistas mais influentes e respeitadas da atualidade.GailSimonePressPhoto

Gail começou a chamar atenção da comunidade quadrinística em 1999, como colaboradora do site Women in Refrigerators. Criado por um grupo de mulheres fãs de quadrinhos, o site apresentava uma lista de personagens femininas que foram desempoderadas – feridas, mortas ou mutiladas – para funcionar como ponto de virada dos arcos narrativos de vários super heróis. O site analisava como esta estratégia era usada de forma desproporcional para mover os personagens masculinos, em detrimento das personagens femininas.

Com o sucesso do site, Gail começou a atuar como colunista do site Comic Book Resouces  (coluna que manteve até 2003) e como roteirista dos Simpsons, na editora Bongo Comics e na tira dominical publicada nos jornais. Em seguida, escreveu para a editora Oni Press, a mini-série Killer Princess.killer-princess

O trabalho seguinte de Gail Simone já foi para a Marvel: foi escolhida para escrever os números finais de Deadpool e fazer a transição da revista para Agente-X. Gail permaneceu na Casa de Idéias até 2004, escreveu para o título Marvelous Adventures of Gus Beezer e partiu para a DC c0m o fim de Agent X no número 15.

Foi na DC Comics que Gail desenvolveu seu estilo inconfundível e conquistou o público. A roteirista trabalhou na editora de 2004 a 2014. Começou escrevendo seis edições de Rose and Thorn, com desenhos da brasileira Adriana Melo. Fez oito edições da Action Comics  ao lado do consagrado quadrinhista John Byrne. A parceria teve muito sucesso e as três primeiras edições da HQ tiveram suas tiragens esgotadas. Gail roteirizou também seis edições de Villains United  e da sequência Secret Six .

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Mas foi Birds of Prey  seu primeiro grande sucesso e, até hoje, a HQ é um dos títulos mais associados à roteirista. Junto com o desenhista brasileiro Ed Benes, Gail revitalizou o grupo formado basicamente por mulheres. A dupla desenvolveu melhor as personagens que, com uma dinâmica narrativa diferenciada, ganharam histórias mais sérias. Gail escreveu para o título até 2007.birds_of_prey_Gail-Simone

Gail escreveu também a série em 12 edições Welcome To Tranquility , e 15 edições de The All-New Atom. E ainda JLA: Classified 2004.

Foi a roteirista que mais tempo escreveu o título da Mulher-Maravilha, numa muito bem sucedida fase que durou de 2008 a 2010. Depois das HQs da Mulher-Maravilha, a roteirista escreveu novamente para Birds of Prey, Secret Six, mais uma série de Welcome to Tranquility e ainda colaborou com a renovação de The Fury of Firestorm.wonder-woman-ends-of-the-earth-gail-simone

Em 2011, como parte da fase Novos 52, Gail atualizou na nova Batgirl. Na primeira edição, publicada em setembro daquele ano, a roteirista introduziu a personagem Alysia Yeoh, que mais tarde revelou ser transgênero, se tornando a primeira grande personagem transgênero em uma história em quadrinhos de uma grande editora.Batgirl_Vol_1_gail-simone

No segundo semestre de 2012, Gail Simone e o desenhista Jim Calafiore lançaram o Kickstarter o projeto de financiamento coletivo de Leaving Megalopolis. Na graphic novel, os super heróis que protegem a cidade mais segura do mundo inexplicavelmente transformam-se em homicidas lunáticos e os civis precisam se unir contra a ameaça de seus antigos protetores. O projeto arrecadou mais de 117 mil dólares, do orçamento original de 34 mil dólares. A publicação chegou às bancas pela Dark Horse.

Em maio de 2013, a DC lançou The Movement, uma série escrita por Gail e desenhada por Freddie Williams II . Chamada por Gail de “um livro sobre poderes: quem tem, quem usa e quem sobre com o abuso”, a série foi publicada até o final de 2014. Ainda em 2013, a roteirista começou a escrever e coordenar os títulos da personagem Red Sonja para a Dynamite. A primeira edição da HQ foi lançada em julho daquele ano.red-sonja

Depois de mais de 10 anos longe da Marvel, em 2014 Gail Simone retornou à editora para escrever seis números da HQ Savage Wolverine.

2015 tem sido um ano muito produtivo para Gail Simone. Em maio, a Dynamite lançou o crossover Swords of Sorrow. O projeto liderado por Gail Simone, conta ainda com as roteiristas Nancy A. Collins (Vampirella, Swamp Thing), Mairghread Scott (Transformers: Windblade), G. Willow Wilson (Ms. Marvel), Erica Schultz (M3), Leah Moore, Marguerite Bennett, Emma Beeby e Mikki Kendall. O crossover reúne personagens femininas da Dynamitte, incluindo a icônica Red Sonja, a princesa marciana Dejah Thoris e heróina pulp Vampirella, entre outras.Swords-of-Sorrows-1a

E em outubro, a roteirista lançou sua primeira série pelo selo Vertigo da DC Comics: Clear Room. Ainda em julho deste ano, Gail anunciou seu próximo projeto, que será publicado pela Imagem Comics e terá desenhos de Cat Staggs: Crosswind, onde um assassino profissional e uma dona de casa aparentemente normal acidentalmente acabam tendo suas vidas ligadas.

Reconhecimento

Por sua incrível trajetória quadrinistica, Gail Simone foi incluída, em 2009, no Friends of Lulu’s Female Comic Creator’s Hall Of Fame. A homenagem foi concedida pela Friends of Lulu, uma organização dedicada a promover e encorajar a formação de leitoras de HQs e ampliar a participação feminina na indústria de quadrinhos. Em 2010, Gail foi indicada ao GLAAD Media Award for Outstanding Comic Book pelo seu trabalho em Secret Six. A premiação  reconhece as melhores representações GLBT na mídia. E, em julho de 2014, Gail recebeu da London Film and Comic Con o True Believers Comic Award  na categoria Roll of Honor/Comic Excellence.

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Agora que você já conhece um pouco da carreira desta fantástica roteirista de quadrinhos, confira a entrevista exclusiva que Gail Simone concedeu para o Garotas Geeks:

GG: Você ficou conhecida primeiramente como uma fã preocupada com o tratamento que personagens mulheres estavam recebendo nos quadrinhos, fundando o blog Women In Refrigeratos. O que você acha que mudou na indústria dos quadrinhos nos últimos 16 anos?
GS: Bem, muita coisa, na verdade. Eu nunca achei que a indústria de quadrinhos intencionalmente deixava as meninas de lado, a minha impressão é que eles sentiam que somente os meninos liam histórias em quadrinhos, por isso não havia razão para fazer quadrinhos que apelavam para as leitoras do sexo feminino. O que aconteceu desde então tem sido notável. As mulheres são, de longe, o segmento de mais rápido crescimento de audiência, as convenções contam agora tanto com participantes meninas quanto meninos e, no ano passado, para a surpresa da maioria, os livros mais populares tinham tanto criadores do sexo feminino ou personagens femininas em papéis principais. É uma mudança enorme. Ainda há resistência e pequenos solavancos da estrada, mas no geral tem sido muito emocionante de assistir essa evolução.

GG: Você já trabalhou com alguns desenhistas brasileiros (Adriana Melo e Ed Benes). Como foi esta experiência? Que outros artistas brasileiros você conhece?
GS: Eu trabalho com um grande número de artistas brasileiros, alguns dos meus colaboradores favoritos são daqui. A Adriana foi fantástica, ela era minha artista para Rose and Thorn, Ed Benes foi o cara que desenhou minhas primeiras histórias de Birds of Prey e eu o adoro, ele é incrível. Mas eu também já trabalhei com muitos outros… Joe Prado, que está aqui participando do FIQ, co-criou Black Alice comigo, e passou a ser uma estrela da indústria. E um dos meus mais, mais queridos colaboradores é Walter Geovani, com quem trabalhei em Red Sonja, e foi uma das experiências mais gratificantes da minha vida. Eu não sei por que o Brasil tem tantos artistas de quadrinhos incrível, mas eu adoro a paixão e o talento aqui.

GG: Em 2013 você assumiu o texto de Red Sonja, uma das personagens feminina imbatível. Mas só agora ela ganhou um vestuário menos ‘eye candy’, pela Nicola Scott. Você acha que o público da revista vai mudar a partir de 2016?
GS: Eu fiz um grande número de histórias de Red Sonja em um curto período de tempo porque eu amei muito a personagem. Ela é grande, ousada, barulhenta, difícil de engolir, lutadora e muito divertida. Quando deixei o livro, o editor e o titular da licença me pediram para escolher o próximo escritor (eu escolhi a maravilhosa Marguerite Bennett) e também demos a ela um novo visual, projetado por Nicola Scott. Eu acredito que é a primeira vez que Sonja terá tido uma equipe criativa inteiramente feminina. A nova equipe é extremamente talentosa, acho que é isso que importa. Elas vão dar orgulho.

GG: Comente seu mais recente projeto “Clean Room “?
GS: Clean Room é a minha primeira série Vertigo. Vertigo é uma marca da DC Comics, projetada para livros com conteúdo adulto. Eu muitas vezes forço quadrinhos de super-heróis ao limite do que é permitido em termos de conteúdo, de modo que este é um passo ainda mais além. É uma história sobre uma guru de auto-ajuda chamada Astrid Mueller, que acredita poder ver o terrível, aterrador segredo que ameaça o mundo inteiro, e uma jornalista, Chloe Pierce, que quer destruí-la. É intenso e assustador como o inferno, e eu adoro isso.

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GG: O que podemos esperar de seu próximo projeto “Crosswind”?
GS: Crosswind é uma história sobre a qual eu estou muito animada, meu primeiro livro IMAGE. IMAGE está publicando alguns dos melhores trabalhos lá fora no momento. Esta é a história de um escorregadio assassino de Chicago cuja vida inteira é, de repente e inexplicavelmente, trocada com uma tímida dona de casa de Seattle, e ambas as suas vidas estão em perigo. Eles têm que descobrir como sobreviver em seus novos corpos e vidas. É um suspense cheio de coisas inesperadas desenhado pela notável Cat Staggs, estou realmente ansiosa.

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GG: Para qual personagem de quadrinhos você não escreveu e gostaria de escrever?
GS: Homem-Aranha, eu adoro aquele cara. Algum dia.

GG: Que mensagem você pode deixar para as meninas que pretendem seguir carreira nos quadrinhos, seja como escritora ou desenhista?
GS: Apenas que é possível, por isso não desista. Há mais maneiras de entrar neste meio do que nunca. É difícil, você tem que ser dedicada e tem que trazer algo novo para a indústria. Mas isso pode ser feito, mais e mais mulheres estão entrando na área a cada mês. Quando eu comecei, eu era uma das únicas, às vezes a ÚNICA escritora mulher fazendo quadrinhos tradicionais em uma base mensal. Isso foi há apenas dez anos. Quando o evento new52 da DC aconteceu apenas quatro anos atrás, eu era a ÚNICA escritora mulher. Estou muito contente de ver que já não é mais o caso. Não desista! Pratique a sua arte, termine os seus projetos, e pode dar certo!

Este post contou com a colaboração luxuosa de Marcelo Ferrari, apresentador do Por Trás da Máscara, podcast sobre quadrinhos do Terceira Terra, do qual também participo como co-apresentadora.

Quem escreve? Luciana

Jornalista, Relações Públicas, Especialista em Gestão da Comunicação e Mestra em Análise do Discurso. Rpgista de longa data, trekker (Vida longa e próspera!) e whovian (Allons-y!)... Gosto da natureza, de literatura, HQs, cinema, séries de TV, rpg, board games, de música boa (rock and roll) e de nerdices em geral! Adoro preparar quitutes e receber os amigos. Insisto em ser feliz e sou altamente convivível! E amo o Leo - o maridão e personal-particular-chef!!!