5 Lições positivas aprendidas das personagens ‘não-princesas’ da Disney

non princess - capa

Personagens que não são princesas com mensagens bem bacanas.

No fim de semana, o ComicBook.com anunciou que a Disney está ouvindo o hype em torno de fazer um filme sobre a Princesas após o sucesso do aparecimento delas em Wi-Fi Ralph. Os diretores desse filme, Rich Moore e Phil Johnston, definitivamente veem o potencial do projeto, e disseram:

Definitivamente teve uma resposta interessante, não apenas aqui nos Estados Unidos, mas em todos os lugares que fomos no mundo promovendo o filme. Quando você está em Estocolmo e eles estão dizendo: “Você já pensou em fazer um filme apenas sobre as princesas?” Acho que é uma ideia que vale a pena explorar, porque em todos os lugares que vamos, ouvimos essa resposta. ‘Oh meu Deus, eu amo as princesas assim’.

Ainda assim, seria legal ter um momento para celebrar as moças não-princesas do panteão da Disney. A gente entende a atração pelos vestidos de realeza, mas não devemos esquecer as incríveis heroínas não-princesas que existem e nos dão muito mais alimento para o discurso feminista do que as princesas muitas vezes, pela natureza de seus estigmas.

1. “Não sofra com caras de merda que não conseguem crescer.” – Wendy

Wendy-Darling-Peter-Pan

Uma das coisas que eu amo em reassistir Peter Pan é apreciar a personalidade que a Wendy tem. No início do filme, ela teme crescer porque significa perder toda a rotina que ela tinha estabelecido e ganhar algumas responsabilidades que ela não se sentia preparada para ter. Isso, no entanto, muda quando o cara por quem ela está apaixonada por um bom tempo, Peter Pan, aparece, promete levá-la para este mundo mágico onde ela e seus irmãos nunca terão que crescer, e… acaba sendo uma merda.

E foi uma droga pra ela porque Peter era um filho homem. Ele tem toda essas experiências aventurosas de vida, mas não sabia como ser atencioso com os outros. Ele flertava com outras garotas na frente dela, a ignorava e a tratava como parte de sua comitiva que está lá por seus caprichos. Depois de um dia dessa merda toda, Wendy superou o crush. Ela volta para casa porque crescer é difícil, mas ficar preso para sempre com um parceiro imaturo é pior.

Ele pode ser divertido, mas você definitivamente não quer bancar a mãe dele.

Menção Honrosa: Princesa Eilonwy de O Caldeirão Mágico.

2. “Lutar por justiça não é fácil.” – Esmeralda

Esmeralda-Hunchback-

As adaptações das histórias do Victor Hugo são bem difíceis, e o fato de que a Disney decidiu enfrentar logo O Corcunda de Notre Dame sempre será uma das escolhas mais… interessantes da empresa. No entanto, apesar dos pesares, o filme nos deu sua versão de Esmeralda. E ela tem muito significado, especialmente porque sua presença antecedeu a existência de muitas princesas não-brancas da Disney. Mas o que também tornou Esmeralda única foi que ela, como minoria na TV, falava sobre justiça e lutava pelos direitos dos pequenos com grande risco para sua própria segurança e vida.

Sua compaixão pelos outros e sua bravura diante da morte literal, queimando na fogueira, são coisas que fazem dela uma das mulheres mais corajosas e mais poderosas que já existiram na animação da Disney.

Menção Honrosa: Nala de O Rei Leão

3. “A maioria das pessoas é um lixo, mas as boas estão por aí.” – Megara

Megera-Hercules

Meg de Hercules é um tipo especial de protagonista da Disney porque ela parece mais adulta. Nós raramente temos personagens da Disney com ex-namorados; suas vidas românticas parecem começar quando eles conhecem a sua alma gêmea, mas com Meg, quando ela é apresentada, ela é alguém que já lidou com desgosto, traição e, como resultado, é cínica sobre a possibilidade de um amor novo e genuíno.

Isso é algo que muitas pessoas podem se identificar, especialmente quando a dor desse desgosto ainda não sumiu completamente. Eu sei que há aqueles que discordam da presença da Meg enquanto uma “femme fatale” que é “redimida” por seu relacionamento com a Hercules, eu entendo que no sentido acadêmico da coisa, acima de tudo, não era sobre redenção, mas sobre ela abaixando as paredes de resistência que a impediam de se importar com as pessoas. Quando você foi ferido, a última coisa que você quer é ser ferido novamente.

Meg morrendo para proteger Hércules em um momento tão instintivo nunca me passou essa impressão de que “ela está fazendo isso porque salvaria sua reputação”, mas sim porque ela amava Hércules e estava mais preocupada em protegê-lo do que a si mesma. E é isso que o amor é.

Menção Honrosa: Leia Organa de Star Wars

4. “Uma princesa é mais que decoração.” – Kida

Kida-Atlantis

Ok, vamos na exceção da regra do post porque a Kida é um pouco subestimada. Não temos muitas chances de ver princesas como criadores, cientistas ou líderes políticos. Isso está mudando em filmes recentes como Moana, mas, no geral, há pouca exploração de que uma princesa também é uma possível futura rainha – alguém responsável pelas vidas e pela segurança de milhões de pessoas.

Um dos primeiros personagens a mostrar esse potencial foi Kidagakash Nedakh, também conhecido como Kida, de Atlântida: O Império Perdido – uma grande heroína de um filme imperfeito mas sólido, na minha humilde opinião. O que é ótimo sobre a Kida é que ela está interessada em recuperar o conhecimento perdido e usar esse conhecimento para manter o senso de identidade de seu povo.

Mesmo que ela seja da realeza, ela se demonstra também guerreira protegendo a entrada da cidade. Ela consegue ser forte, inteligente e vulnerável no mesmo filme, e apesar de eu não ter gostado de como ela se torna secundária no terceiro ato quando ela é consumida pelo Coração da Atlântida, eu aprecio ver uma mulher de pele não-branca sendo retratada como uma donzela em perigo mas de uma forma que isso não resumiu quem ela de fato era. Era uma situação em que ela legitimamente precisava de ajuda porque ela era muito poderosa, em vez de ser fraca e indefesa.

Menção Honrosa: Shuri de Pantera Negra

5. “Não tenha medo de compartilhar como você está se sentindo.” – Riley

Riley-Inside-Out

Há tantas coisas legitimamente surpreendentes sobre o filme Divertida Mente, mas uma das que mais me impressionou foi ver Riley lidar com suas emoções (ou a falta delas).

Às vezes é fácil esquecer o quanto é difícil continuar engolindo seus sentimentos e fingir que está tudo bem quando tudo o que você quer fazer é se enroscar em posição fetal no chão e chorar. Esperamos que as crianças pequenas absorvam muitas informações e “parem de chorar” e “sejam fortes” e não damos um pouco de espaço para elas se expressarem de maneira saudável quando estiverem tristes.

É por isso que o fato da Riley, depois de recuperar a capacidade de sentir tristeza, conseguir dizer a seus pais que ela não está feliz é uma coisa muito boa, porque me levou ANOS DE TERAPIA para chegar a esse ponto com meus pais, isso depois de adulta. Também é especialmente importante que os pais não pressionem seus filhos para que fiquem felizes o tempo todo, porque às vezes a vida é uma merda, e poder compartilhar sua tristeza com as pessoas que você ama é importante.


Fonte: The Mary Sue | Imagens: Disney

Quem escreve? Liao

Débora é musicista, pesquisadora e otaku (não fedida, prometo). 1/3 gamer, 100% sonserina. A alcunha de Liao veio de um site aleatório de geração de nomes japoneses (Liao é chinês, mas tudo bem).