Os itens mágicos mais aleatórios de D&D – Parte 1

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O bom e velho D&D (Dungeons&Dragons) está cheio de monstros e coisas legais, mas vez ou outra encontramos algumas maluquices escavando livros antigos. E às vezes encontramos muitas maluquices de uma vez só! Para aumentar o nível de zoeira da sua campanha, que tal usar os itens mágicos abaixo? Inspiração através desde post do IO9.


1- Anel da contrariedade


Seu portador é forçado a discordar de tudo e todos. Sim, é um item mágico para trollar os outros…

Ring_of_contrariness

“Julinho Falamanza, o ladino, presenteia a bela filha do taverneiro com um anel de pedras que encontrou em seu último saque. Lisonjeada, a moça prontamente o veste em seu dedo médio. Julinho a corteja:
– Ora, achei que lhe caiu muito bem!

Com um encantador sorriso em seu rosto, a dama lhe responde:
– Não, você não achou.

Julinho expressa um olhar confuso, franzindo as sobrancelhas. Seu companheiro de batalhas Carlão, o meio-orc, se aproxima do bar naquele mesmo momento e pede uma cerveja à jovem:
– Me vê uma cerveja, que quero encher a cara hoje!
– Não quer não.
– Como não quero, mulher?! Estou com sede!
– Não está coisa nenhuma.

Julinho tenta remediar a situação, olhando bravo para o meio-orc:
– Minha donzela, perdoe a má educação de meu amigo. Talvez realmente seja hora dele se retirar, não deve estar com tanta sede assim.
– Sim, ele está com sede, e não é hora dele se retirar.

Ainda mais confuso, Falamanza retruca novamente:
– Bem, se ele não a incomoda, então acho que não há problemas em ficarmos aqui, certo?
– Não… há problemas sim.

Julinho e Carlão vão embora da taverna, achando que não entendem nada sobre mulheres.”

Podemos ver também um exemplo prático em video numa das minhas sketches favoritas de Monty Python:


2- Espada da fartura

Personagens que utilizam este encanto para revirar a terra antes de plantar um terreno recebem um bonus de +3 de proficiência em agricultura durante aquele ano inteiro. A utilidade disso numa campanha é realmente incrível (NOT).

chico_bento

“Desolado com a atitude da donzela na taberna, Julinho segue à próxima cidade na companhia de Carlão e Astolfo – seu burrinho. Descobrem que há um grupo de saqueadores por perto e o senhor feudal da cidade oferece uma recompensa especial para quem resolver o problema: uma espada encantada, relíquia da família daquele feudo. Com os olhos sedentos pela recompensa, decidem procurar o tal grupo.
Após três noites observando o acampamento, a dupla resolve atacá-los durante a noite, numa perigosa batalha contra cinco homens armados com facões. Apesar da vitória, Julinho se fere gravemente quando flanqueia o líder, e Astolfo – o burro – tem uma de suas patas quebradas. O ladino sente a dor pulsante em seu abdômen, mas mantem-se são pensando na recompensa que os espera. Carlão o leva em seu ombro e ajuda Astolfo a cavalgar até o feudo, num longo trajeto.
O Senhor Feudal os recebe com lágrimas nos olhos, dizendo palavras bondosas de como a dupla se tornaria os heróis da região pelo auxílio prestado. Pede para seus ajudantes buscarem um baú adornado e retira a relíquia, entregando-a aos dois.”

enxada


3- Paleta de identidade do Bell

A paleta mágica permite que, após o mago pintar um auto-retrato com ela, todos os status negativos recebidos como resultados negativos de testes de reflexo sejam transferidos para a pintura (alguém andou lendo muito Dorian Grey). Não me pareceria um item tão inútil, mas o problema é que o portador deve sempre levar a pintura junto dele, ou os efeitos não são transferidos.

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“Exausto, Carlão cai no chão após correr por quilometros com Julinho e Astolfo em seus braços. Reclama algo indecifrável em Orc na mata escura, olhando com uma face irritada para seu colega. O ladino retruca:
– Se não queria ser perseguido, não deveria ter xingado o Senhor Feudal e quebrado aquela relíquia idiota! Poderíamos até usar aquela enxada para criar uma fazenda, acho que Astolfo iria gostar…
– Cale a boca, humano!

Os dois se silenciam ao ouvir passos se aproximando. O vulto de um velho se torna lentamente decifrável. Carregado com uma mochila, panelas e o que parece ser um quadro, o velho os avista:
– Olá, viajantes. Por acaso teriam alguma ração sobrando?

Em troca de ter seus ferimentos (e os de Astolfo) curados, Julinho cede parte de sua comida para o clérigo de nome Bell. Conversam por horas e decidem seguir a jornada com o novo companheiro, que pode lhes auxiliar eventualmente. Porém a manhã lhes recebe com um cheiro de fumaça, acordando a todos. Julinho e Carlão se surpreendem ao ver Bell partir diretamente para a frente do fogo, buscando encarar o que quer que tenha causado o incêndio.
Avistam ao longe um mago com as roupas e brasão do feudo anterior, e gritam para que o velho saia de lá por ser um alvo fácil. Bell diz o que seriam suas últimas palavras:
– Não se preocupem, companheiros! A pintura que trago tem o poder de..

CABRUUUUM! Um forte trovão atinge o pobre mago em cheio, tranformando-o em cinzas. Os jovens reparam que a pintura que Bell falava havia caído de sua mochila quando se levantou. Decidem correr novamente para longe dali, deixando os restos do velho para trás, e também a pintura.

dorian_grey


4- Abóbora de viagem

É uma abóbora(!) que teleporta quem a estiver segurando. Sim, uma abóbora.

abob

“- Não sei como vamos sair dessa!

O grupo corre do poderoso mago até chegar numa enorme plantação com folhas altas. Julinho pensa que talvez aquela fosse a utilidade da relíquia do Feudo, e imagina a ironia da situação. Reparam que Astolfo para no caminho para comer, e logo o aproximam-se dele com pressa.
– Não é hora para isso, Astolfo!

Assim que Julinho retira a brilhante abóbora do chão para longe de seu cavalo, desaparece num piscar de olhos. Carlão olha para os lados, pensando que talvez já esteja morto e o inferno lhe prega peças, quando o ladino reaparece na sua frente, extasiado:
– Carlão! CARLÃO! Não acredito no que aconteceu!

Julinho deixa a abóbora no chão e olha para suas mãos para ter certeza de que está inteiro.
– Essa abóbora me TELEPORTOU!

Descrente, Carlão pensa que o ladino está lhe fazendo de idiota:
– Tá achando que sou burro só porque tenho sangue orc?! Seu preconceituoso de merda! Como que uma abóbora vai teleportar alguém? Como uma abóbora, e não um pergaminho, uma varinha, uma gema ou sei lá?!

Discutem por alguns minutos, quando reparam que Astolfo não está mais lá, e nem a abóbora. Trocam olhares tristes e desapontados, e sentam um de frente para o outro, abraçando os joelhos e pensando no que deixaram escapar.

abobora


5- Anel da burocracia feiticeira

Quando o portador do anel lançar qualquer feitiço, um emaranhado de papel e uma pena irão aparecer subitamente na frente dele. O conjurador precisa escrever uma descrição do feitiço, o motivo de usá-lo, e por aí vai. Ele precisa preencher o “formulário” antes do efeito acontecer, e quanto mais alto o nível do feitiço, mais difícil são as informações que precisa escrever. Precisa gastar um turno inteiro por nivel da magia para preencher essa porcaria, e aparentemente não existe nenhum benefício nisso.

stapler

“A dupla rapidamente se recompõe quando vêem uma enorme bola de fogo cruzar pelos céus, atingindo parte do matagal onde estão. Sabem que naquelas condições não conseguiriam derrotar o mago, mas lembram de algumas palavras que o velho Bell lhes disse na noite anterior à sua morte:
– Soube de uma coisa interessante que quero testar quando tiver a chance. Recebi este anel há algum tempo, e me disseram que caso encontrasse algum mago poderoso, deveria dar um jeito de fazer ele usá-lo. Não sei bem o que acontece, mas na vila onde estive antes usavam isso para derrotar fortíssimos feiticeiros.

O ladino agradecia a sí próprio por sua cleptomania. Havia roubado o anel de Bell, e diz rapidamente para Carlão que o possui. Bolam um plano de ação rápido para sobreviver ao perigo que os cerca…
Ambos se embrenham na mata e Carlão tenta chamar a atenção do mago, correndo e balançando as folhas. Conjurando feitiços, o oponente mantem-se parado por alguns segundos, tempo o suficiente para o hábil ladino chegar até ele sem ser visto. Prontamente bota o anel no dedão do mago, que se espanta ao ver a situação.
Assim que o anel é colocado, uma chuva de papéis jorra na face do conjurador. Impedido de continuar suas magias, junta a pena e começa a escrever e escrever, numa expressão de extrema fúria. Carlão e Julinho correm novamente, buscando um local seguro, mas desta vez rindo da situação do pobre mago.”

paciencia

Preparem-se que em breve postaremos mais itens malucos! Há algum em particular que deveria ser mencionado? Já jogaram alguma campanha onde tiveram situações engraçadas por causa de itens e encantamentos? =D

Quem escreve? Alice Monstrinho

Meia-orc bárbara de dia e Gangrel de noite, Alice divide seus turnos como fundadora e artista da empresa independente de jogos Rebel Hound e atiradora de Winchester. Protetora dos céus Russos em jogos de luta e explodidora de cabeças em FPSs, Alice gosta de demonstrar sua monstrice comendo como um animal d10+3 vezes por dia. Ah, e sua carteira é aquela onde está escrito "bad motherfucker".